O Novo Testamento Foi Mesmo Escrito em Grego e Sacramenta o nome de Jesus?

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

Quando enfatizamos a restauração do nome hebraico de Yeshua não raro nos deparamos com o argumento de que os santos apóstolos inspiradamente escreveram em grego e que empregaram livremente termos como Theos em lugar de Elohim, Kurios em lugar de Adonay e Yeshua em lugar de Jesus. Argumentam alguns que a forma Iesous para Yeshua havia sido criada pelos sábios judeus ao traduzirem a septuaginta muito antes de se produzir o Novo Testamento. A propósito disso leia nosso artigo: Seria a Septuaginta uma Obra Confiável? Recomendamos ao leitor que o leia e tire suas conclusões.

 

Desavisadamente temos nos acostumado com o argumento de que os judeus criaram a palavra Iesous como uma tradução para a palavra Yeshua. E que isso aconteceu no Tanach por meio da septuaginta e no NT Grego.  O argumento é de que se esses homens santos fizeram tal uso dessas palavras então é por que é a vontade do Pai que cada profira o nome do Eterno e de seu filho em sua própria língua e que Jesus, é pois, um nome tão sagrado como Yeshua, e alguns dizem, ainda mais.

 

Abraçamos esse argumento no passado por que nossas mentes se recusavam a ir além da comida enlatada que nos era servida, mas não precisamos mais comê-la. A investigação nos fornece pratos mais apetitosos, e com um colorido de verdade mais atraente. Em primeiro lugar nomes próprios normalmente não se traduzem, apenas se transliteram, ou seja, se procuram as letras correspondentes ao mesmo som original na língua final. Em segundo lugar, nos casos em se traduz um nome, que seja um toponímico, um nome com um significado especial essa tradução se centra em encontrar uma palavra que tenha idêntico sentido na língua para a qual se está traduzindo o texto.

 

Ora em hebraico Yeshua significa salvação. Na língua grega original a palavra para salvação é Soteria e Para Salvador é Soteros. Isso trás uma dificuldade enorme para a palavra Iesous. Ela simplesmente não traduz nada. Nem mesmo existia na língua grega original a palavra Iesous. Mas havia Zeus que era o chefe do panteão dos deuses do Olimpo e havia Theos que era a designação de cada um dos subalternos de Zeus. Os tradutores do Novo Testamento Grego, na hora de traduzir o livro decidiram que o nome Yeshua não devia figurar. Por alguma razão que nos foge à compreensão e que a meu ver era espiritual, eles adaptaram Avraham para Abraam, Ytzchak para Isaak, Yakov para Yakob, Yshay para Iessai, e Yeshua para Iesous. Nenhum nome do Tanach foi tão corrompido e tal forma que os gentios não o pudessem conhecer como o nome mais elevado de todos, o nome do Maschiach.

 

O nome Yeshua que significa salvação não foi traduzido pela palavra grega correspondente, que é Soteria, nem pelo seu equivalente masculino Soteros, mas foi simplesmente esquecido, apagado, e em seu lugar se criou uma palavra nova, se adulterou uma língua com um tácito objetivo, o nome do Maschiach deveria ficar próximo dos nomes dos deuses do Olimpus. Claro que os crentes hoje, passados tantos séculos imaginam que essa não é mais uma questão importante. Não os condenamos por isso. Nossa misão é ajudar a nossos irmãos a pensarem com a Palavra. Ora, estas conclusões são tão contraditórias como erradas. Antes de prosseguir quero recordar uma vez mais o que diz a palavra:

 

“Por isso, Elohim o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Yeshua, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: “Yeshua é o Soberano” — para a glória de Elohim Pai.” Filipenses 2:9-10.

 

A luz desse texto não pode ser verdade que estamos autorizados a chamar o Filho de Elohim pelo nome que nos convenha. O pai lhe deu um nome, não lhe deu vários nomes. Estamos ainda informados que: “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nomedado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” Atos 4:12.

Ora, o discurso de Kefa foi feito em Yerushalaim, para judeus e o texto de Filipenses foi escrito para gentios. Esse nome que é o mesmo não pode ter sido mudado de Yeshua para Iesus, por que os dois nomes não tem quase nada em comum, e Jesus ainda o tem menos.

 

Isso nos leva de volta a questão da língua original do Novo Testamento. Para resolver a questão precisamos ter em conta que os apóstolos, sendo judeus, escreverem em grande parte para judeus, pelo que não faria sentido algum que escrevessem uma epístola aos hebreus na língua grega. Embora houvesse judeus helenistas, ou falantes de grego, já que eles se espalharam por toda a terra, estes sempre usaram o hebraico nas suas sinagogas como o fazem até hoje. Alem disso havia uma quantidade enorme de crentes judeus morando em Israel. O uso do grego nestes casos jamais se justificaria.

 

Supor que os evangelhos foram escritos em grego seria o mesmo que supor que a vida de Yeshua não despertou interesse algum entre os judeus e que sua mensagem não lhes dizia respeito. Isso é desmentido pela Brit Chadashá que declara: “Bem vês, irmãos, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos são zelosos da Lei.” Atos 21:20. Escrever para estes crentes em grego seria a forma de fazer com que a mensagem jamais chegasse a todos.

 

Existem inúmeras provas de que a Brit Chadashá não foi originalmente escrita em grego, mas em hebraico e aramaico. Ao contrário do que cristandade no ocidente tem afirmado não há provas de que o Novo Testamento haja de fato sido escrito em grego. Além disso, não há originais de nenhum texto bíblico, apenas cópias de cópias de cópias e isso vale também para o Novo Testamento. Aqui é oportuno dizer que existem apenas três textos completos do Novo Testamento que podem ser considerados realmente antigos. Trata-se da Primeira e Segunda Epístola de Timóteo e da Terceira Epistola de Yochanan ou João. Os três textos datam do ano 350.

Nessa época, a igreja juntou diversos textos gregos rejeitando todos os textos aramaicos, siríacos e Hebraicos e produziu as cópias conhecidas como Codex Vaticanus 325-350), Codex Sinaiticus (330-360) e Codex Alexandrinus (400-440).  Preservam-se hoje cerca de 5.400 manuscritos do Novo Testamento em grego, a maioria deles são fragmentos. Destes apenas 36, são do século III ou anteriores.

 

Note que todos estes três códices completos da Bíblia em grego são ao período de helenização e romanização da igreja ocidental iniciado no Concílio de Niceia ocorrido no ano 325. Mais tarde Jerônimo, ao produzir a sua Vulgata Latina, reconhecerá que vários evangelhos foram produzidos originalmente em hebraico, em especial o de Matytyahú ou Mateus e Ivrim (Hebreus), mas nem por isso eles foram levados em conta ou serviram de base para sua tradução para o latim.

 

É convicção da igreja oriental que os textos foram traduzidos diretamente do hebraico para o siríaco, um dialeto do aramaico por volta do ano 160. O Diatessaron, o mais famoso dos manuscritos dos quatro evangelhos em siríaco foi produzido por Taciano entre os anos 160 e 175. Segura de que Yeshua como judeu não falava em grego a seu próprio povo, mas hebraico e aramaico, a Igreja do Oriente elaborou seu cânon um pouco mais tarde pelas mãos de Rabula  Bispo de Edessa (411-435) na atual Síria. O Texto que não incluía 2 Kefa Beit (2Pd), Yochanan Beit (2Jo), Yochanan Guimel (3Jo) Yehudáh (Jd) e Guilianah (Apocalipse) foi mais tarde chamado de Peshita por Moisés bar Kepha em 903. Peshitta, palavra que em aramaico significa simples, faz alusão a um texto aramaico que podia se entendido por todos. Sobrevivem hoje mais de 350 manuscritos em siríaco, muitos dos séculos V e VI.

 

Vários testemunhos reunidos por Eusébio de Cesaréia (256-349), um dos mais antigos historiadores do cristianismo confirmam que o autor de Matytyahú, sendo hebreu, escreveu seu livro em hebraico para seu próprio povo, e que depois ele foi traduzido para outras línguas, cada um como podia.

 

A seguir estes testemunhos ordenados conforme os capítulos de sua História Eclesiástica Editada no Brasil pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus

 

“VIII [De como Irineu menciona as diversas Escrituras]: Posto que ao dar início a esta obra348 prometemos citar oportunamente as palavras dos antigos presbíteros e escritores eclesiásticos, nas quais nos transmitiram por escrito as tradições chegadas até eles sobre as Escrituras canônicas, e como Irineu era um destes, citemos também suas palavras; e em primeiro lugar as que se referem aos sagrados evangelhos; são as seguintes: "Mateus publicou entre os hebreus, em sua própria língua, um Evangelho também escrito349, enquanto Pedro e Paulo estavam em Roma evangelizando e lançando os fundamentos da Igreja.”

 

“X [De Panteno, o filósofo]: Destes foi também Panteno, e diz-se que foi à Índia, onde é tradição que descobriu que o Evangelho de Mateus havia-se adiantado à sua chegada entre alguns habitantes do país que conheciam Cristo: Bartolomeu, um dos apóstolos, teria pregado para eles e havia-lhes deixado o escrito de Mateus nos próprios caracteres hebreus, escritos que conservavam até o tempo mencionado.”

 

“XXIV [Da ordem dos evangelhos]: Com efeito Mateus, que primeiramente tinha pregado aos hebreus, quando estava a ponto de ir para outros, entregou por escrito seu Evangelho, em sua língua materna, fornecendo assim por meio da escritura o que faltava de sua presença entre aqueles de quem se afastava.”

“XXV  [Como Orígenes mencionou as escrituras canônicas]: "Acerca dos quatro Evangelhos, que também são os únicos que não foram discutidos na Igreja de Deus que está sob o céu, por tradição aprendi que o primeiro a ser escrito foi o Evangelho de Mateus, que foi por algum tempo arrecadador e depois apóstolo de Jesus Cristo, que o compôs em língua hebraica e o publicou para os fiéis procedentes do judaísmo.

 

XXXIX [Dos escritos de Papias]: Isto é o que conta Papias sobre Marcos. Referente a Mateus, diz o seguinte: "Mateus ordenou as sentenças em língua hebraica, mas cada um as traduzia como melhor podia."

 

Estes testemunhos são importantes por que sabemos que o anjo Gavriel foi enviado a Yosef com a estrita missão de ordenar que ele aceitasse a Miriam como esposa e que desse ao menino que havia de nascer o nome de Yeshua. O texto hebraico tal como ocorre no Mateus de Shem Tov diz:

 

V`teled ben vê`tkera shemo Yeshua ki hu yoshia et ami meeonotem.

Ela dará a luz um filho ao qual porás o nome Yeshua por que ele salvará seu povo dos pecados dele.”  

(http://adventistas.ws/matay-bilingue-1-shem-tov.pdf)

 

O livro de Mateus em hebraico foi preservado e chegou até nossos dias graças à obra de Shem Tov ben Isaac Ibn Shaprut, um erudito judeu envolvido em polêmicas em defesa da fé judaica contra os cristãos católicos. Shem Tov encontrou a versão hebraica num escrito sefardita do século XIV titulado Even Bojan. A partir daí ele o copilou lá por volta de 1385 em Rarazona de Aragón ma Espanha e o trabalho existe até hoje. Há outros manuscritos hebraicos da Brit Chadashá ou Novo Testamento que foram preservados como o texto de Sebastian Münster (1537), Jean du Tillet (1555), Milchamot Hashem de Iaaqov Ben Reuven (1170) e Nizahon Vetus (final do século 13). Bem, que judeus tivessem preservado o texto de Matytyahu ou Matay em hebraico não deveria causar estranheza a ninguém, afinal, não só os testemunhos citados por Eusébio, mas até mesmo os testemunhos de Jerônimo um devotado papista confirmam isso.

 

"Mateus, o apóstolo também chamado Levi, o publicano, compôs as boas novas do Maschiah publicado pela primeira vez em Yehudáh (Judéia) em hebraico para o bem daqueles da circuncisão que creram, mas esse foi depois traduzido em grego, apesar de que o autor seja incerto. A palavra hebraica em si tem sido preservada até os dias atuais na biblioteca de Cesaréia que Pamphilus tão diligentemente reunida. Eu também tive a oportunidade de tomar o volume descrito para mim pelos nazarenos de Beréia, uma cidade da Síria, que o usam. Nesta matéria, é de notar que sempre que o Evangelista, quer por sua própria conta ou na pessoa de nosso Senhor, o Salvador cita o testemunho do Antigo Testamento, ele não segue a autoridade dos tradutores da Septuaginta, mas o hebraico. Portanto estas duas formas existem "Do Egito chamei meu filho", e "ele será chamado Nazareno." (Eusébio Sofrônio Jerónimo, Vidas de Homens Ilustres, ano 393)

 

Este é um testemunho de grande impacto. Eusébio Sofrônio Jerónimo (347-420), um papista romanizado, que defendeu a primazia do grego sobre todo o resto do Novo Testamento, isso apesar de que os crentes do oriente o refutassem, testemunha duas coias normalmente ignoradas, a primeira é que o livro de Mateus foi escrito primeiro em hebraico e a segunda é que os judeus a quem ele dirigiu a epístola eram zelosos da lei, ainda que ele desprezasse esse último fato.

 

Eusébio dá ainda testemunho de que havia duas seitas ligadas ao judaísmo na sua época, ambas crentes em Yeshua, os nazarenos e os ebionitas. Isso é evidente a partir do seu comentário ao texto grego de Mateus 12:13 que acabara de produzir.

 

Jerônimo, por Matt. 12:13 (398 AD) "No Evangelho, que o uso nazarenos e ebionitas (que eu tenho recentemente traduzido para o grego do hebraico, e que é chamado por muitos (ou quase) as pessoas o original de Mateus), este homem que tinha a mão atrofiada é descrito como um pedreiro, que reza por ajuda em palavras como esta: "Eu era um pedreiro busca de um sustento com minhas mãos. Peço-te, Yeshua, para restaurar a saúde me meu, que eu não posso pedir para mesquinhamente minha comida. " (Citação de O Novo Testamento Apócrifo, Montague Rhode James, (Oxford: Clarendon Press 1924), 1-8.

 

Além disso é importante que se diga de que a crença de que o NT foi escrito em grego, muito disseminada no ocidente se deve ao fato de que a Igreja de Roma reinou soberana sobre estas terras. Essa suposição sempre foi contestada pelas igrejas do oriente, e inclusive há varias igrejas católicas de rito não latino que preservam seu culto e orações em aramaico.

 

Há inúmeras cópias da Peshita aramaica preservadas, tão antigas, ou mais velhas que as cópias gregas. O aramaico tem sido usado como língua litúrgica em várias comunidades cristãs do Oriente. Estas comunidades orientais jamais engoliram a tese católica da supremacia do grego. O Dr. Paul Yunan afirma:

 

A Peshitta é a Bíblia oficial da Igreja do Oriente, o nome Peshitta, em aramaico, significa "Simples, Puro", em outras palavras, o texto original e puro do 'Novo' Testamento. A Peshitta é o único e autêntico texto que contém os "Escritos dos Nazarenos" ('Novo' Testamento) que foi escrito em Aramaico. A língua do Messias (Lishana d'Meshikha) e de seus discípulos (Talmideh).

 

Em referência à originalidade da Peshitta, as palavras de Mar Eshai Shimum, Patriarca dos Católicos da Igreja do Oriente, estão sumarizadas abaixo:

 

"Em referência a originalidade dos textos da Peshitta, como Patriarca e Líder da Sagrada Apostólica Igreja do oriente, gostaria de afirmar que a Igreja do Oriente recebeu as Escrituras das mãos dos próprios abençoados apóstolos no original em Aramaico, a língua falada pelo Nosso S-nhor Jesus Cristo (Maran Yisho' Mshikha), e assim a Peshitta é o texto da Igreja do Oriente que veio dos tempos bíblicos sem nenhuma mudança ou revisão."

           

Em referência ao Aramaico, o Patriarca Latino Máximo no Vaticano, disse: "Cristo, depois de tudo falou na língua de seus contemporâneos. Ele ofereceu o primeiro sacrifício da eucaristia em Aramaico, a língua compreendida pelas pessoas que o ouviam. Os Apóstolos e os discípulos fizeram o mesmo e nunca em outra língua..." Estes são tópicos altamente contestados no Cristianismo ocidental.  A comum e errada concepção de que o 'Novo' Testamento foi orginalmente escrito em Grego, ainda persiste hoje em vasta maioria das denominações católicas e protestantes.

 

A maioria dos acadêmicos e teólogos afirmam que Yeshu'a Meshicha (Yeshua O Messias ), os Apóstolos, discípulos e os judeus em geral falavam em Aramaico, apesar de muitas instancias do Aramaico sobreviverem nos Manuscritos do 'Novo' Testamento em Grego. Mesmo assim, eles ainda mantém a opinião de que o 'Novo' Testamento foi escrito em Grego, pelos Apóstolos e pelos discípulos de Meshicha (Messias).


            A Igreja do Oriente sempre rejeitou essa possibilidade. Nós acreditamos que os livros do 'Novo' Testamento foram originalmente escritos em aramaico e depois traduzidos para o grego pelos fiéis do ocidente no final do 1o séc, mas nunca dos fiéis do oriente, onde o aramaico era a língua franca do Império Persa.
Nós também defendemos que depois dos livros serem traduzidos para o Grego, osoriginais em Aramaico foram descartados pela Igreja do Ocidente (Romana) que era completamente adepta do Grego.

            Este não foi o caso da Igreja do oriente, que tinha em sua maioria judeus (especialmente na Babilônia e Adiabene) por um período muito maior. Mesmo quando a Igreja do Oriente se tornou mais gentílica, o Aramaico foi preservado e usado, ao invés da tradução em várias línguas vernaculares das regiões do leste do rio Eufrates.

 

Até o oeste do rio Eufrates, na terra Santa, a língua principal era o Aramaico. As cerimônias semanais na sinagoga, chamadas de Sidra ou Parashah, com a Haftorah, eram acompanhadas por um tradutor de Aramaico, de acordo com as traduções estabelecidas.” (Historia da Peshitta Aramaica, Por Paul D. Younan Traduzido por Caru Muricca e Adaptado por Nyudraá Bar Avraham, http://nyudraa.blogspot.com.br/2008/04/historia-da-peshitta-aramaica-por-paul.html)

 

O uso constante do aramaico bem como a crítica textual revela que os textos gregos procedem do aramaico e não o contrário. É bom que se diga que até mesmo os cristãos do Líbano, que são católicos na sua maioria cantam o Pai nosso em aramaico e todas as demais liturgias. Yeshua é pois o nome do Maschiach e não Iesous e menos ainda Jesus. Tudo isso depõe contra a santidade e autoridade do quase universalmente aceito nome de Jesus. Uma aproximação com Zeus. Por mais chocante que isso possa parecer, é tempo da igreja cristã se lembrar que ela não nasceu num berço ocidental, mas numa cidade encravada no Oriente Médio, em Israel, terra onde se falava hebraico e aramaico.

 

É importante recordar que no chamado de Shaul ocorrido na Estrada de Damasco ele mesmo disse, durante seu julgamento, num discurso proferido aos de sua nação:

 

“E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Shaul, Shaul, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Yeshua, a quem tu persegues.” Atos 26:14-15

 

Desde logo seria impossível que essa voz em língua hebraica se apresentasse a ele, um judeu como Iza, Iesus, Ressus ou Jesus. Isso o senso comum impede que qualquer pessoa acredite tal coisa quando levada a confrontar-se com os fatos da narrativa, ainda que normalmente se ignore isso. 

 

Bom quanto ao Theos da septuaginta e das cópias gregas da Brit Chadashá pesam objeções ainda mais graves, pois de Iesous é um nome inventado que nada tem a ver com Yeshua, Theos é comprovadamente o nome de uma divindade pagã dos gregos. Não é, pois uma palavra sagrada, senão para quem ignora a história.  

 

Convém lembrar ainda que Israel antes de partir para a gulat recebeu por meio do profeta Yehoshua a ordem de que nem mesmo se mencione o nome dos elohim das nações. Logo, se o Eterno não moveu William Carey, João Ferreira de Almeida ou qualquer outro tradutor a avançar nesse ponto, não estamos aqui para depreciar-lhes a obra, para dizer que Adonay não os dirigiu apesar dessas deficiências, mas para afirmar que chegou a hora de romper a barreira do costume.

 

Estamos sendo chamados a ir mais longe do que eles. A necessidade de restaurar os nomes sagrados é mais que clara nesse tempo quando a luz cresce.

 

“Que não vos mistureis com estas nações que ainda restam entre vós; e dos nomes de seus elohim (seres poderosos) não façais menção, nem por eles façais jurar, nem os sirvais, nem a eles vos inclineis.” Yehoshua/Js 23:7.

 

Tivesse esse mandamento sido cumprido e a nação santa jamais teria sido levado ao exílio. Claro que não se pode esquecer também, que se tivessem sido fiéis o mundo não teria sido inserido com os ramos da boa oliveira. Poderia ser salvo, sim, mas não como parte de Israel. Já Yeshua tinha dito: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” Yochanan/Jo 12:24.

 

A queda de Israel volta, pois a ser definida como um mal necessário aos gentios. A dureza do coração deles foi por ferramenta para redimir os gentios através da semente de Avraham e não somente pela fé de Avraham. A morte espiritual de Efraym e mesmo de grande parte de Yehudáh foi o meio providencial pelo qual as nações foram erguidas de sua maldade e pecado para a justiça e de suas trevas para a luz.

 

Deve servir de alerta o fato de que Adonay olha muito mais para a nossa intenção, ou seja, para a kavanah que brota do coração do que para nossas ações. É por essa razão que vem atendendo seus filhos quando o invocam por nomes equivocados, pelos nomes dos ídolos das nações. Esta tem sido a situação da Casa de Efraym nesses anos todos em que tem estado espalhada entre as nações. Lamentavelmente, mesmo quando se volta para o Elohim cujo caráter se revela na Bíblia, Efraym, como um bolo que não foi virado não tem conseguido se libertar dos nomes dos ídolos que tomou emprestado dos gentios com quem se misturou e no que se converteu. Agora porém o Elohim de Israel está nos chamando de volta para nossa casa, de volta para a pureza original. Sem julgarmos ou condenarmos ninguém, estamos aqui para proclamar que se o Pai deu a seu filho Yeshua o nome que está acima de todo o nome não seremos nós a “batizá-lo” com outro nome.