Profetizado o Abandono do Nome dos Ídolos

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

É certo que David, um judeu vivendo na época de maior fidelidade de Israel, fidelidade que foi agraciada pelo Eterno com o apogeu do Reino, quando Israel se estendeu até ao Eufrates sem se inclinar aos ídolos dos povos, e nem mesmo usar seus nomes para se referir ao Criador tal prática seria inaceitável. David havia jurado não tomar o nome dos Elohim das nações em seus lábios.

 

Estava fora de questão chamar a Yah, o Elohim de Israel pelo nome do ídolo grego Theos, do ídolo indiano Deivos de onde deriva o “Deus” da língua portuguesa, o “Dios” da língua espanhola ou o “Dio” da língua italiana. Isso era impensável.  No entanto, punido por seus pecados, Israel foi ao exílio e tomou o nome dos ídolos. A mudança veio mais tarde como se pode ver na declaração do grande profeta:

 

“Aqueles que escolhem a outros Elohim terão as suas dores multiplicadas; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios.” Tehilim/Salmos 16:4.   

 

Está profetizado porém que essa mesma casa que caiu por adorar os ídolos das nações, e foi levada a elas para assim resgatá-las se voltará para o Eterno tão intensamente que já não ousará usar o nome de seus ídolos em seus lábios. O retorno é pois gradual, primeiro dos elohim das nações para o Elohim de Israel e logo do nome dos Elohim das nações para nome do Elohim de Israel. A primeira fase está bastante avançada, quanto à fase segunda está apenas começando.

 

“E naquele dia, diz YHWH, ela me chamará meu marido; e não me chamará mais meu Baal. Pois da sua boca tirarei os nomes dos baalins, e não mais se fará menção desses nomes.” Hoseha/Os 2:16-17.

 

Breve a Grande Casa de Efraym, que vem se voltando em massa para o Elohim de Israel apanhada pela rede do Grande Pescador viverá em santidade e falará em santidade. A Casa de Efraym que rompeu com os ídolos das nações, virá a romper também com os nomes desses mesmos ídolos. Para isso o Eterno tem apelado a ela.

 

“Ó Efraim, que tenho eu com os ídolos? Sou eu que respondo, e cuido de ti. Eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto.” Hoshea 14:8.

 

É importante notar que o mundo não foi abandonado às trevas absolutas do paganismo que queima mulheres vivas ou que sacrificava jovens aos seus ídolos. O mundo cristão, mesmo o católico, pôs fim a essas monstruosidades.

 

O espírito da restauração jamais pode prevalecer o exemplo desses notáveis homens e da obra que realizaram como desculpa para não avançar na compreensão e na prática da verdade. Graças ao Eterno, missões no interior do Continente Indiano começam a restaurar os nomes sagrados. Eles estão agradecidos pelas traduções de William Carey, mas sabem que mais luz brilha agora ante nossos olhos do que a que brilhou em seu tempo. O movimento missionário partido da Inglaterra teve como foco principal o início da obra, que é o abandono da idolatria e o ensino de que o homem é redimido e salvo por graça, e não por obras.

 

Isso é um passo pequeno, mas gigantesco em seus resultados. Na origem do paganismo e da idolatria está o conceito de que o homem alcança favor diante do Criador por meio de suas obras. Os missionários atacaram, pois, os dois baluartes do paganismo que havia levado Israel ao exílio. O resto viria mais tarde. É verdade que a obra dos grandes pregadores ingleses se limitava por não entender ainda a necessidade de ampliar o número dos mandamentos da Torah que os gentios e bem assim os filhos de Israel que retornam devem guardar.

 

Entretanto ninguém deve esquecer que Israel quando partiu para as nações havia se esquecido virtualmente do Criador e cometido um pecado muito mais grave que comer porco ou violar o shabat, eles havia adorado os ídolos das nações.

Por outro lado, é preciso que se destaque que o povo judeu, apesar de ter preservado a Torah a fim de servir de referência ao retorno de Efraim não tem vivido a santidade e a fidelidade que neófitos lhe atribuem. Como veremos mais tarde, há muito mais incredulidade e desprezo à toda a Torah entre as massas judaicas que entre as massas efraimitas.

 

Não há pecado que a Casa de Efraim cometa que não seja abundante na Casa de Yehudá. Se em Efraim a doutrina da trindade é tão forte, (não universal) a situação da maior parte dos judeus americanos não é nada melhor.

 

Se a maior parte dos cristãos imagina erroneamente que o Elohim da Bíblia se compõe de três seres essencialmente iguais e tão perfeitamente unidos que eles podem dizer que são três e que são um ao mesmo tempo, mais da metade dos judeus americanos acredita que a Bíblia é um amontoado de lendas estúpidas e que o Elohim da Bíblia nunca existiu. Se as lideranças cristãs foram incapazes de levar as pessoas a depositarem plena fé nas Escrituras, as lideranças rabínicas não conseguiram fazer melhor. Judeus e cristãos incorrem no mesmo pecado. Não há vantagem natural em ser judeu.

 

A situação em relação a dieta kasher é um outro exemplo. Na casa de Efraym existem centenas de organizações que não permitem seu uso, e mais de 70 milhões de cristãos não comem porco. Na Casa de Yehudáh judeus chassídicos e judeus ortodoxos abominam seu consumo. No entanto, 170 mil porcos são abatidos todos os anos por judeus em Israel em kibutzim localizados em terras árabes para atender a crescente demanda de carne suína por parte dos judeus não religiosos que são maioria no Estado de Israel. Aliás, um estado fundado em grande parte por judeus ateus e agnósticos. O que Shaul diz continua sendo tão verdade hoje como o era a dois mil anos.

 

“Porque Elohim encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.” Romanos 11:32.

 

Bom, por tudo isso, a análise do movimento israelita britânico se revelará bastante interessante. Afinal, Israel tem duas faces, dois lados e os dois precisam ser explorados não apenas quando erram, mas também quando começam a acertar. Claro que antes de falar do retorno de Efraym à plenitude de sua identidade, e ai precisamente ai, entra o israelismo britânico é preciso falar de seu distanciamento. O Eterno primeiro os fez tornar-se não Israel, para depois fazê-lo o Pleno Israel. Primeiros os fez ir caídos às nações para depois torná-los a trazer erguidos à sua terra. “Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos? Romanos 11:15