Yah é um e é Único e Yeshua é Seu Filho Gerado por Ele e Subordinado a Ele

Rosh Baruch Ben Avraham

 

Afirmamos em nossa confissão de fé: Cremos que Yah é o Único Criador, Rei do Universo e Moshia (Salvador). Eterno, onipresente, onipotente e onisciente, ninguém se iguala a ele em existência, poder ou sabedoria. Imutável, não cresce em poder e nem diminui em força. Invisível, habita na luz inacessível, não mora com os filhos dos homens e nem pode ser visto por ninguém. A exposição dessa declaração de fé está em preparação, e dezenas de enfoques estão sendo dados, no entanto, nesse artigo breve queremos antecipar algumas coisas, já que esse é o ponto central de nossa fé e conceitos unicistas, trinitarianos, e arianos se chocam frequentemente na tentativa de explicar como Pai e o Filho se relacionam nas Escrituras sem que crie dois e muito menos três Elohim ou “deuses” como nossa língua apresenta. Assim, este estudo que não esgota toda a problemática servirá de base para a percepção de nosso pensamento.

 

 

 

 

1.    O Criador é Único não no Sentido de Solidão mas de Soberania

 

Herbert Armstrong (1892-1986), o fundador da primeira grande organização a celebrar as festas bíblicas e a ensinar a doutrina das duas casas, acerca de quem já falamos no capítulo sobre o israelismo britânico afirmava não ver qualquer lógica no argumento de muçulmanos, judeus não crentes em Yeshua e cristãos renegados de se o Eterno é Criador a Brit Chadashá não pode ser verdadeira ao atribuir a Yeshua ações criadoras. Para ele essa abordagem era fruto da ignorância e não da lógica aplicada ao texto sagrado.

 

Bem, esse é um assunto vital, e demandará nossa atenção especial. A questão fundamental é: Como poderíamos conciliar estas declarações dos profetas em que o Eterno afirma ter feito tudo só, sem o auxílio de ninguém, com as afirmações de que Yeshua fez tudo e sem ele nada foi feito?

 

“Assim diz YHWH, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: אָנֹכִי יְהוָה עֹשֶׂה כֹּל נֹטֶה Anochi YHWH osse kol noteh (Eu sou YHWH que faço todas as coisas), que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra (quem estava comigo?).” Yeshayahú/Is 44:24.

 

“Porque assim diz YHWH, בּוֹרֵא הַשָּׁמַיִם הוּא הָאֱלֹהִים יֹצֵר הָאָרֶץ Boré há`shamayim hu há`Elohim yotser há`aretz (que criou os céus, o Elohim que formou a terra), que a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada: אֲנִי יְהוָה וְאֵין עוֹד Ani YHWH vein od  Eu sou YHWH e não há outro .” Yeshayahú/Is 45:18.

 

         Três coisas são notáveis aqui. O Eterno se apresenta como aquele sozinho estendeu os céus, como aquele que בּוֹרֵא הַשָּׁמַיִם  boré há shamaim (criou os céus) e como aquele que יֹצֵר הָאָרֶץ yotser há aretz (criou a terra). 

 

Os que negam Yeshua como Maschiach e a Brit Chadashá (Novo Testamento) como revelação do verdadeiro Maschiach supõem aqui uma prova definitiva contra ambos, contra Yeshua e contra o NT. Infelizmente se pode constatar que eles vivem para o engano, para a tagiversação e para a perversão das Escrituras. Não há contradição alguma entre o que o Eterno fala de si mesmo através de Yeshayahú e o que a Brit Chadashá diz a respeito de Yeshua.

        

Ora, Adonay diz que sozinho estendeu o céu, e indaga quem estava com ele. Naturalmente nenhum homem estava com ele naquele momento inicial. Embora isso não se constitua em problema. Naquele momento especial o Maschiach ainda era um ser espiritual, ainda não era o filho do homem. O próprio Eterno se dirigiu a Yob falando exatamente isso. Indagando-o onde ele estava quando lançou os fundamentos da terra, quando os filhos de Elohim (os anjos) bradavam de júbilo.

 

“Agora cinge os teus lombos, como homem; porque te perguntarei, e tu me responderás. Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Faze-mo saber, se tens entendimento. Quem lhe fixou as medidas, se é que o sabes? ou quem a mediu com o cordel? Sobre que foram firmadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra de esquina, quando juntas cantavam as estrelas da manhã, e todos os filhos de Deus bradavam de júbilo?” Yob/Jo 38:3-7.

 

Não há, pois incompatibilidade alguma entre a Brit Chadashá e o profeta Yeshayahú. O fato de YHWH dizer que fez o mundo sozinho não significa que ele estava desacompanhado e muito menos que o espírito de Maschiach não estava com ele naquele momento, ou que esse espírito não se movia ao lado do Criador enquanto ele realizava sua obra. E ainda que ele tenha criado através de instrumentos, entre os quais o próprio Maschiach, nem por isso ele deixa de ser o Criador único, posto que a determinação de criar partira dele, e demais ninguém. Bem, se não fosse assim, Yeshayahú e Moshe Rabeinu estariam em contradição, o filho dos profetas com o pai de todos eles.

 

É preciso que se tenha em conta que Adonay é tudo em todos, que não existe nada e nem ninguém além dele, e que, por conseguinte, ninguém jamais fez qualquer coisa, sem que sua ação não tenha sido determinada, confirmada e conduzida pelo Rei do Universo. Isso é tornado claro já no início da criação, quando o Eterno determinou trazer o homem a existência dizendo:

 

וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים Vayomer Elohim (E disse Elohim): נַעֲשֶׂה אָדָם בְּצַלְמֵנוּ naasse Adam betsalmenu (façamos o homem à nossa imagem), כִּדְמוּתֵנוּ ki`demutenu (conforme a nossa semelhança); domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. ) וַיִּבְרָא אֱלֹהִים Ve`ybrá Elohim) é  Criou, pois, Elohim o homem à sua imagem; à imagem de Elohim o criou; homem e mulher os criou.” Bereishit 1:26-27.

 

Lendas rabínicas tem tentado em vão justificar o fato de que Elohim disse נַעֲשֶׂה אָדָם בְּצַלְמֵנוּ naasse Adam betsalmenu (façamos o homem à nossa imagem), referindo-se a si mesmo no plural, um tal de pluralis maiestatis pelo fato dele englobar todas as forças e poderes do universo não obstante estar ele completamente só naquele momento.

 

Não há tal exemplo nas Escrituras. O plural de majestade jamais foi empregado por um Rei que não tivesse súditos, até por que só pode haver malchuto (reino) onde há um rei que governa sobre os súditos. O sentido da declaração é evidente. O Eterno determina a alguém que está a seu lado que o homem seja feito conforme a semelhança deles. Isso é claro, que pode incluir os anjos. Aliás é a única explicação lógica, racional e possível para um não crente em Yeshua e na Brit Chadashá. No entanto, o que a Brit Chadashá faz é levantar o véu do mistério que permite cada um dizer o que deseja e pensa sobre o texto e declarar que a ruach há meshicheinu, o espírito de nosso Maschiach estava lá.

 

Nada poderia ser mais claro do que isso. Adonay está aqui a falar com o espírito de Maschiach, que era de acordo com a imagem dele. Logo o sentido em que o Criador é único, o sentido em que não há ninguém além dele não é o da ausência de outros seres, mas o de que ele é o único que dispõe de soberania.

 

 

2.    Adonay Cria Através de Seu Filho

 

É unicamente a tolice resultante do grosso véu que o Eterno pôs sobre os olhos de parte da casa de Yehudáh que lhes induz a imaginar que a Brit Chadashá não contenha revelação e esteja em contradição com a Torah.  O fato é que o Eterno criou juntamente com seu Filho.

 

Armstrong se pronuncia sobre isso de uma forma que pode gerar debate e controvérsia, mas que não deixa de ser interessante. O que transcreveremos abaixo não é exatamente a nossa formulação, pois temos estado a estudar para que se desenvolva uma noção cada vez melhor sobre a missão de Yeshua em ralação com seu Pai. Mas sua ilustração é valiosa. O fato de que um operário dê forma a um projeto arquitetônico, que engenheiros, pedreiros, carpinteiros, escultores e pintores tenham trabalhado na edificação de uma obra jamais diminuirá o mérito de quem o planejou.

 

O argumento pode ser ilustrado na história de Brasília, por exemplo. Quando consultamos a história do Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da república, veremos sempre o mérito do maior arquiteto que o mundo já conheceu, o ilustre Oscar Niemayer (1907 - ), que ainda trabalha aos 102 anos de idade. Ele é o Criador da Obra. O desenho trás o seu nome, apesar que Presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) é reputado como construtor e que quem pôs a mão na massa foram os edificadores. os esquecidos pedreiros, carpinteiros, eletricistas e tantos mais cujos nomes não figuram na placa inaugural.   Armstrong usa essa mesma lógica para falar do Eterno como Criador do universo, que ordena sua criação, de Yeshua como seu construtor ou executor do projeto e do poder da Ruach como instrumento ou ferramenta dessa criação. Assim como Henry Ford é o criador dos carros Ford e os construtores eram seus operários.

 

“Agora entendo isso, adicionando Efésios 3:9: ". . . ELohim, que criou todas as coisas através de Yeshua ha Maschiach. " Deixe-me explicar. Na primeira semana de Janeiro de 1914, eu fui enviado por uma revista nacional de Detroit, Michigan, para entrevistar Henry Ford para obter material para um artigo sobre a sua nova sensacional política salarial de 5 dólares por dia. Vi Henry Ford no prédio da administração, vestindo um terno com gravata e colarinho branco. Então eu olhei a brisa na fábrica gigante (a fábrina na época era em Highland Park) e eu vi, talvez milhares dos homens em macacões, trabalhando em máquinas com a potência fornecida pela energia elétrica.

 

Ford foi chamado o criador dos carros Ford. Mas ele fez os carros por meio desses trabalhadores, que usaram o poder da eletricidade e das máquinas. Da mesma forma, Elohim é o Pai Criador. Mas ele "criou todas as coisas por Yeshua ha Maschiach." Yeshua é a palavra. Está escrito: "Ele falou, e tudo foi feito" (tehilim/Sl 33:9). Elohim diz ao Maschiach o que fazer (Yochanan/Jo 8:28-29). Yeshua depois fala, como o trabalhador, e a ruach ha kodesh (Espírito Santo) é o poder que responde e faz o que YEshua ordena.” Ouvir

Ler foneticamente

 

 

Assim, como podemos ler mais, em Colossenses 1, no início do versículo 12: "Dando graças ao Pai, que tem. . . nos transportou para o reino do seu querido Filho. . . que é a imagem do Elohim invisível [mesmo aparência,] Forma e forma e caráter. . . por ele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam elas tronos, sejam soberanias, sejam principados, sejam potestades: todas as coisas foram criadas por ele e para ele, e ele é antes de tudo, e por ele todas as coisas subsistem "(versos 12-13, 15-17).” (Herbert Armstrong, Mystery of A Ages, páginas 58-59)

 

 

3.    Yeshua em Visões Não Trinitarianas

A tentativa dos beney anusim e de seus irmãos beney Efraim crentes em Yeshua de escapar à quase universal doutrina da trindade que crassa entre os crentes é assinalada por desvios às vezes à direita e por vezes a esquerda. Estes devios se manifestam sob duas formas diferentes, super estimando o papel de Yeshua em sua relação com o Pai a ponto de eliminar sequer a distinção entre os dois ou sub estimando essa relação a ponto de tornar Yeshua pouco mais que um homem, apenas um profeta Messias filho de Mirian e Yosef, alguém que não merece nem a honra dada a Moshe.

 

Desde o início da era da restauração inaugurada a partir de 1882 quando começaram a surgir ois primeiros ministérios judaico messiânicos na Europa foram postuladas diversas doutrinas para escapar ao modismo católico que a maioria dos cristãos não conseguiu abandonar. O anti trinitarianismo é pois a resposta a um sistema teológico que ensina que a divindade se compõe de três pessoas coeternas, formadas por assim dizer da mesma essência, poder e dignidade, o Pai o Filho e o Espírito Santo. Esta resposta se divide em diferentes propostas.

 

O modalismo ou sabelianismo surgiu com Sabélio (- 215 DM). Ensinou que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único ser que se manifesta de três modos diferentes. Eliminam qualquer distinção entre Yeshua e o Pai. A dominguista Igreja pentecostal Unida (4 milhões de membros e 500 mil no Brasil) e sabatista Verdadeira Igreja de Jesus (3,5 milhões de membros) são os maiores grupos.

 

O Ebionismo (de ebion que significa pobre em hebraico) rejeita a natureza divina e a pré-existência de Yeshua. Crê que ele é o grande profeta, mas filho de uma relação sexual de Yosef com Miriam. O maior grupo é a Igreja de Deus dos Santos em Cristo, fundada em 1886 pelo profeta William Sauders Crowdy (1847-1908) e hoje liderada pelo Rabi Rabbi Jehu August Crowdy, Jr (1970 -). Tem cerca de 20 mil membros. Não são crentes em Yeshua no sentido exato do termo, embora o vejam como um grande profeta, uma espécie de Rei sem Coroa, mas celebram as festas e o shabat, comem kashurut e praticam  e a circuncisão.

 

O arianismo fundado por Ário (256-336) crê na pré-existência de Yeshua ao seu nascimento virginal, e na sua autoridade sobre toda a criação, mas não em sua co-eternidade e iguldade com o Pai. O Maior grupo é a Iglesia ni Cristo fundada nas Filipinas em 1914 por Felix Manalo com cerca de 9 milhões de membros seguida pelas Testemunhas de Jeová, de Charles Taze Russel (1852-1916) que tem 7,3 milhões de membros ativos, 800 mil deles no Brasil e se espalham por 200 países.

 

Além das Testemunhas de Jeová que promovem encontros gigantescos, como o que se vê aqui, há ainda outras entidades cristãs não trinarias como a Igreja de Deus do Sétimo Dia sediada em Denver no Colorado. Com 125.000 membros, a Igreja de Deus do Sétimo Dia é a segunda maior igreja sabatista não trinitária. Mas o arianismo não é recente nos movimentos sabatistas.

 

Tivesse a Igreja Adventista seguido de perto o que os pioneiros ensinavam e ela jamais teria se tornado trinitariana; pois alguns dos mais notáveis arianos do século XIX foram justamente os fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia como James Springer White (1921-1881), esposo da Sra. Ellen White,  Uriah Simith (1832-1903) por cerca de 50 anos redator principal da Reviel and Herald, a Casa Publicadora Adventista e Joseph Bates (1792-1872) o homem que conduziu o adventismo à guarda do Shabat. Estes quatro famosos pioneiros do adventismo foram anti trinitarianos convictos.  

 

 James White declarou:

 

"Que uma pessoa seja três pessoas, e que três pessoas sejam uma só pessoa, é uma doutrina que nós podemos proclamar ser contrária à razão e ao senso comum." Adventist Review, 6 de Julho de 1869

 

Uriah Smith declarou:

 

“As Escrituras em parte alguma falam de Cristo como de um ser criado, mas claramente afirmam que Ele foi gerado pelo Pai. (Ver comentários a Apoc. 3:14, onde demonstramos que Cristo não é um ser criado.) Mas conquanto, como filho gerado, não possua com o Pai uma co-eternidade de existência pretérita, o começo da sua existência é anterior a toda a obra da criação, em relação à qual Ele foi criador juntamente com Deus. João 1:3; Heb. 1:3.

 

Claro que Armstrong encontra dificuldades para entender Yochanan ao dizer que a Davar (Palavra) existia desde o princípio e que ela era Elohim. O problema é que ele define Elohim a partir do conceito anglo-saxônico de que God, (Deus) sempre se refira ao ser supremo. Ele intenta resolver o dilema surgido da declaração do Eterno:  אֲנִי יְהוָה וְאֵין עוֹד זוּלָתִי אֵין אֱלֹהִים Ani YHWH ve`eyn od zulatiy ein Elohim. (Eu sou YHWH e nenhum outro, e fora de mim não há Elohim).” Yeshayahú 45:7. 

 

Daí imagina como seus demais irmãos cristãos que se Yeshua é classificado como Elohim na Brit Chadashá, isso só pode significar que ele seja o segundo membro de uma família de seres “divinos”. Armstrong não quer que sua doutrina se pareça pagã, e por isso diz que a divindade não se resume a mera trindade, que essa seria muito pequena para conter a enorme “família divina” que está em constante aumento. 

 

E tudo isso começa com uma leitura equivoca da palavra Elohim empregada por Yochanan ao falar da davar ou palavra que representa Yeshua. Ora, é um fato de que não existe nada além de Elohim e que um dia os atributos do Eterno se manifestarão em nós na medida certa em que uma criatura os pode suportar, mas isso não significa que Elohim seja uma família de seres. Isso quebraria o princípio mais elevado das Escrituras, a unicidade de Yah.

 

 

4.    O Sentido Bíblico da Palavra Elohim “Traduzida” por “Deus”

 

Antes de mais nada gostaria de recordar que o inglês “Deus”, o alemão “gott”, o latino “dei”, o italiano “dio”, o espanhol “dios” ou o português “deus” não são palavras puras, todas elas derivam de palavras pagãs usadas pelos idólatras para cultuarem suas “divindades”. O mesmo se refere a palavra Teos usada nas versões gregas da Bíblia. Oramos para que em breve o povo de Elohim, sendo iluminado pelo conhecimento não as empregue mais atendendo a um dos 613 mandamentos da Torah.

 

Armstrong, porém, ignorou em primeiro lugar que nas Escrituras hebraicas, o termo Elohim, plural de El (poder) significa poderes e é frequentemente usada em relação ao Criador, Ele o Bendito, é quem forma e unifica todas as forças. Em segundo ele ignorou que essa palavra tanto se aplica ao Rei do Universo de onde emanam todos os poderes, como aos anjos bons e maus os quais recebem autoridade para abençoar e amaldiçoar da parte do Criador. 

 

Se ele tivesse se apercebido disso, ter-se-ia convencido que a palavra pagã Deus, empregada na versão King James, é usada também em relação a seres criados e não somente ao Todo-Poderoso. Na verdade, o sentido de Elohim é dado pelo contexto, ela pode se referir sim ao Todo-Poderoso, que é o caso mais frequente, mas também pode se referir aos anjos, tanto bons como maus, a um homem profundamente abençoado.

 

Sabemos que o homem foi feito מְּעַט מֵאֱלֹהִים  me´at me´elohim (menor que os anjos) Tehilim/Sl 8:5. Onde se vê que Elohim é uma palavra que se aplica a anjos, e na brit chadashá, vemos que para Shaul, Satan, o anjo mau, é o Elohim deste mundo, (2 Coríntios 4:4), pois ele não pode exercer nenhum poder a menos que lhe seja dado por Elohim.

 

         Os visinhos de Avraham o chamam de  אֲדֹנִי נְשִׂיא אֱלֹהִים adony nisi Elohim ou nosso príncipe Elohim (Bereishit/Gn 23:6), não por que o adoravam, mas por que o tinham em conta de que ele mantinha intima comunhão com a fonte de todos os poderes, que sua autoridade derivava de Elohim e que sua natureza se relacionava com o Arquiteto e Criador de todas as coisas.

 

O Eterno constituiu a Moshe como אֱלֹהִים לְפַרְעֹה Elohim Le Faro ou Elohim para Faraó (Shemot/Ex 7:1). Não por que lhe tinha tornado membro de uma “bilindade” e muito menos de uma trindade, mas porque havia-lhe concedido poderes extraordinários para operar diante de Faro.

 

Quando um homem decide permanecer escravo, Moshe determina: וְהִגִּישׁוֹ אֲדֹנָיו אֶל הָאֱלֹהִים vê`higyshu adonayv el há elohim (e trarão este homem diante dos Elohim ou juízes). Shemot/Ex 21:6.  Mas talvez nada seja mais claro para evidenciar o amplo uso da palavra Elohim na Bíblia Hebraica do que a declaração de David: אֲנִי אָמַרְתִּי אֱלֹהִים אַתֶּם ´Ani ´amarti elohim atem (eu disse vós sois Elohim). Tehilim/Sl 82:6. Somos filhos do Altíssimo, e participando de sua natureza recebemos parte de seus atributos e poderes, sendo por isso chamados de Elohim.

 

É exatamente nesse sentido que a palavra Elohim é aplicada em relação a Yeshua. Acima de todos os homens, o Maschiach recebeu poderes de seu Pai. Assim como Filho de Elohim, e não como Elohim Filho ele é chamado Elohim. Mas ele é chamado de filho para que se tenha em conta que como um filho é sempre alguém menor, mais jovem, que recebe proteção, ajuda e dom de seu Pai. Yeshua é não apenas herdeiro da vida de seu Pai, mas também seu receptor.

 

 “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.” Yochanan/Jo. 5:26. 

        

Avançar, além disso, supor que o Messias possuía vida inerente, não derivada de ninguém, como Armstrong afirmou ao dizer: “Ele sempre auto-existia”, é ir além do que ele mesmo declarou, e mais do que isso, é criar um Messias à imagem e semelhança de nossos gostos e inclinações e recusar o testemunho do Messias de Israel. É certo que Yeshua tem uma origem e formação que o distingue de todos os homens que são gerados através da relação sexual de seus progenitores. Yeshua veio ao mundo para proclamar o decreto de que fora gerado pelo Eterno. Sua geração especial, diferenciadora e não sexual é uma necessidade messiânica, um produto da palavra, e não de fantasias pagãs como críticos desprezadores da palavra tem sugerido.

 

“Por que se amotinam as nações, e os povos tramam em vão? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram עַל יְהוָה וְעַל מְשִׁיחוֹ AL YHWH vê`AL Meshiychú (contra YHWH e contra o seu Ungido), dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que está sentado nos céus se rirá; YHWH zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os confundirá, dizendo: Eu tenho estabelecido o meu Rei sobre Sião, meu santo monte. אֲסַפְּרָה אֶל חֹק Asafera el chok (falarei do decreto do Senhor); ele me disse: בְּנִי אַתָּה אֲנִי הַיּוֹם יְלִדְתִּיךָ bnei atá ani hayom yelidetichá (Tu és meu Filho, hoje te gerei). Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão. Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor, e regozijai-vos com tremor. נַשְּׁקוּ בַר Nashku Bar  (Beijai o Filho), para que não se ire, e pereçais no caminho; porque em breve se inflamará a sua ira. Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam.” Tehilim/Sl 2.

 

5.    A Subordinação, Dependência e Procedência de Yeshua

 

Yeshua não é auto existente. Sua vida eterna, abundante, vida em si mesmo foi lhe dada pelo Pai, o que o coloca acima dos homens e mesmo de anjos e querubins, mas certamente abaixo do Eterno. Consciente disso, Shaul há Shaliach não põe Yeshua ao nível dos demais homens, seus irmãos, e prefere dizer que:

 

 “Elohim o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” (Filipenses 2:9)

 

E isso inclui mesmo as potestades celestiais, pois ele foi “feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.” Ivrim/Hb 1:4. Como o mais perfeito e elevado dos seres, Yeshua teve também um privilégio acima de todos os outros, ser sua primeira criatura, razão pela qual Ele mesmo se apresenta como “o princípio da criação de Elohim,” (Apocalise 3:14) ou seja, Yeshua é o início da obra geradora de vida de seu Pai. Ao definir o conceito de que Yeshua é co eterno com o Pai, ele se distancia terminantemente do arianismo para se aproximar da trindade, mas como provinha de uma igreja não trinitária, estava convencido que acreditar em três deuses é coisa de pagão.

 

Assim, apesar de Armstrong dar um claro colorido anti trinitário à sua doutrina sobre o Pai e o Filho, infelizmente ele adere ao binitarianismo, segundo o qual o Eterno e seu filho co existem por toda a eternidade numa unidade que ele opta por chamar de “família divina”.

        

Bem, a doutrina fica maquiada, se distancia dos conceitos pagãos mais comuns, que envolvem a crença na trindade romana composta de três seres supremos; Júpiter, Juno e Minerva. Mas isso ainda o mantém distante do conceito bíblico-judaico dado no Adonay Echad. Yah não é uma família de Elohim, é o ser supremo que concede poderes a quem Ele quer, e que por causa disso amiúdo chama os homens de Elohim, pois esse é o sentido da palavra: poderes.

        

Já vimos que Yeshua não era soberano, mas que o Pai o exaltou soberanamente (Filipenses 2:9). E o que estamos dizendo é exatamente aquilo que Yeshua disse de si mesmo:

 

“E, chegando-se Yeshua, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Yochanam/Jo. 28:28. 

 

Infelizmente, Armstrong ignorou estes fatos. O velho caudilho, apesar de revelar sabedoria em muitos aspectos, não recebeu do Pai conhecimento nesse ponto. Sua saída foi criar o que ele chamava de “God`s family” (família de Deus), e ao fazer isso, abriu espaço para que de forma indireta a doutrina da unicidade de Elohim terminasse quase tão comprometida como a dos católicos e demais protestantes.

 

Afinal de contas, se Elohim é uma família, e a trindade é uma palavra muito estreita para definir essa família que por enquanto inclui ao Pai e seu Filho co-eterno, mas no futuro há de incluir também à “igreja”, então logo, está desfeita a unidade do Adonay Echad (O Eterno é um).

 

Reconhecemos o progresso de Armstrong ao ensinar que a ruach Elohim (espírito de Elohim), não é um ser aparte do Eterno e de seu filho, como Roma ensina, da mesma forma como a ruach Adam (espírito do homem), não é um ser aparte do homem.

 

E se o homem e seu espírito não fazem uma dualidade é claro que Elohim e seu espírito tampouco fazem uma bilindade assim como o Pai, o filho e os espíritos de ambos não fazem uma quatrindade. 

 

Mas é nosso dever apontar o fato de que transformar a unicidade de Elohim numa grande família, é remendo novo em panos velhos. Isso se opõe tanto ao ensino de Yeshua de que a vida eterna consiste em reconhecer ao Pai como único Elohim verdadeiro, bem como a emuná apostólica de que há um unico Elohim, o Pai de Yeshua.

Ora, o texto aramaico da brit chadashá é claro:

הָלֵין אֵנֻון דֵּין חַיֵא דַּלעָלַם

דּנֵדּעֻנָך דּאנת אַבתּ אֵלָהָא

דַּשׁרָרָא בַּלהֻודַיךָ ומַן  דּשַׁדַּרתּ

:יֵשׁוּעָ משִׁחָא

Haleyn enun deyn chaye dal`alam

dnedunach anat elahá

d`sherará balchudeychá v`man d`shadart  

Yeshua Meshichá.

“E a vida eterna é esta:

que te conheçam, somente a ti único Elohim verdadeiro,

e a quem enviaste

Yeshua Meshicha (Messias).”

 Yochanan 17:3.

 

         Por conta dessa declaração, Shaul, de abençoada memória faz sua inegociável confissão de unicidade de Elohim e abençoa a Adonay o Elohim único de onde deriva todo o poder por nos ter dado Yeshua. Há um só Elohim, o Pai. Isso é Conclusivo.

 

“Porque, ainda que haja também alguns que se chamem elohim (seres poderosos ou deuses), quer no céu quer na terra ( como há muitos elohim e muitos senhores ), todavia para nós há um só Elohim, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Adon, Yeshua há Maschiach, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.” I Coríntios 8:5-6. 

 

“Bendito seja o Elohim e Pai de nosso Adon Yeshua há Maschiach, o Pai das misericórdias e o Elohim de toda a consolação.” II Coríntios 1:3