O Elohim que Fez o Bem e o Mal

    

Rosh Baruch Ben Avraham

Já vimos que não há nada que ocorra no mundo visível ou invisível, material ou espitrital, no céu ou no sheol (inferno) que não esteja sob a administração de seu conselho e de sua soberania. Nenhum mal atinge uma cidade sem que Adonay o queira, nenhuma treva ofusca a luz sem que ele o determine.

“Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, YHWH, faço todas estas coisas.” Yeshayahú/Is. 45:7.

 

Claro que isso levanta sérias objeções. Como um Elohim bom pode se assumir como o Criador do mal? Antes que o amado leitor se precipite em julgar essas declarações o chamaria a prestar a atenção para um detalhe muito importante. Antes de dizer que faz o bem e cria o mal, Adonay afirma que faz a luz e que cria as trevas. Ou seja primeiro Adonay nos remete ao mundo material para depois ao espiritual. Se pudermos entender como os dois extremos do mundo material interagem teremos resolvido como interagem os dois extremos do mundo espiritual.

 

Então vamos lá. Ora o que são as trevas? Alguma substância que possa ser tocada, sentida ou mesmo vista? Claro que não. Você não vê as trevas. Na verdade se você estiver em trevas você não vê nada. Um cego de nascença, por exemplo, nunca viu a luz, nunca viu nada, e ele só sabe que existe luz por que as pessoas lhe contaram sobre ela.

 

Farei outra pergunta: Em que lugar você compra uma antilanterna, uma lanterna que faça lampejar a escuridão? Quando você me diz que não existe tal coisa como uma fonte de trevas você já começa a se aperceber de como o Criador cria o mal. O mal é tão insubstancial como as trevas que não existem, mas são apenas o reflexo da falta de luz que diferentemente das trevas é uma substância. Sim a luz é formada de fotões, talvez a substância mais leve do universo, tão leve que pode viajar a 299.792.458 metros por segundo.

As trevas se manifestam quando você oblitera a entrada dos ditos fotões num determinado ambiente. Bom, mas você tem de fazer alguma coisa para que as trevas se revelem. Você precisa fechar a porta, a janela, a cortina da casa, e por fim apagar a luz, então as trevas se revelam. Assim é com o mal. Onde a criatura é deixada só, longe do Criador o que se manifesta é o mal.

 

 

1.    O Homem Entre o Bem e o Mal

    

 É importante ressaltar que mal é um conceito humano que se define em função do sofrimento ou da privação que nos atinge. Nesse sentido apenas é que pode ser dito que mal e bem não existem como elementos separados um do outro e que na verdade são a mesma coisa vista sob ângulos diferentes. A espada de um anjo pode ser boa para o justo que é salvo e má para o ímpio que é destruído.  É por não entender estes fatores que a cristandade se assume como defensora de Elohim, ao afirmar que ele não criou o mal, e que esse surgiu em demônios desgovernados.

 

Ora no mundo físico o que é bom para você pode ser mal para mim e o inverso também é verdadeiro. Para um cidadão justo, uma polícia eficiente, incorruptível e fiel ao seu dever, é coisa boa; mas para um meliante é o maior mal que lhe pode ocorrer. O dono de um automóvel devidamente documentado se alegra ao avistar a patrulha da polícia rodoviária depois de notar que está sendo seguido por um veículo suspeito a vários quilômetros. Para ele a viatura lhes transmite segurança, mas para o condutor do veículo sem placas que o segue, esta viatura é o símbolo do mal. É assim que mal e o bem interagem para a realização dos propósitos de Elohim.

 

Os anjos maus que Yah enviou com a espada da morte contra a terra de Mitzraym para trazer pragas e males sobre os egípcios, matando seus primogênitos e enchendo suas casas e cidades de prantos foram os melhores anjos para os israelitas. Para os egípcios, porém foram agentes do mal que lhes trouxeram a mais amarga das dores.

 

Assim, bem e mal são elementos conceituais, e não uma realidade crua que só pode ser vista sob um ângulo, mas pelo contrário tem de ser vista dentro do escopo do propósito. A ideia de que Satan opera por conta própria no mundo, que viva em oposição ao onipotente Criador que o trouxe a existência não é a visão judaica que possa ser extraída do Tanach, pois o próprio Criador diz que criou o mal, e o profeta diz claramente que mal algum chega à cidade sem que Adonay seja o seu autor final, posto que tudo está em sua mão e nenhum poder opera sem ele.

 

“Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que YHWH o tenha feito?” Amós 3:6

Apesar disso, o zoroastrismo ainda lança sua sombra impura sobre os conceitos de soberania de Elohim e divulga o mito de que Satan governa esse mundo, como se sua ação não estivesse a serviço do Rei dos Reis, e como se seu principado não prestasse suserania ao Melech Haolam (Rei do Universo) esperando sempre em suas ordens antes de desferir qualquer golpe nesse mundo onde o poder do Criador se mantêm de forma tão suprema hoje como se manteve ao longo de toda a história.

 

Contudo ao supor que o mundo opera sem governo e que o Eterno apenas de vez em quando está no comando, isso é quando os homens oram, é o mesmo que dizer que o Altíssimo, bendito seja o seu nome, atua soberanamente só de vez em quando. É o mesmo que ensinar que na verdade o mundo está sob o comando de dois seres supremos.  As pessoas dizem que o mal se originou com Satán por que tem de dificuldade de assumir que o Rei e soberano, que governa sobre tudo, e que o próprio Satán está sob seu comando.

 

Mas o criador dispensa esta ação advocatícia, pois ele mesmo diz que criou todas as coisas, boas ou más. Nenhum anjo feriu jamais alguém a menos que tenha sido primeiramente autorizado a isso por seu Criador.

Ocorre que do mesmo modo que Armstrong bebeu sua doutrina da cura divina dos mestres do movimento Azuza, também colheu deles o conceito de um diabo rei, criador do pecado, da morte e do mal. Quando na verdade Satan serve ao Criador como anjo da morte e como castigador daqueles que se entregam ao mal. Assim lembre, da próxima vez que se aperceba que Satán está tendo algum poder o autoridade sobre alguém, antes de repreender o anjo que trás o mal, repreenda primeiro o pecado que lhe deu autoridade para fazer este mal.

Shaul ordenou que o homem que se prostituia com a mulher de seu pai, fosse entregue a Satán para o sofrimento do corpo, a fim de que seu espírito pudesse ser salvo. (1 Coríntios 5:5).Este fato por si só não só desmente que Satán opere a revelia da vontade do Criador, mas mostra que este opera de acordo com o desígnio e que na hora certa esse é usado como açoite de El Sahaday para ferir os transgressores, inclusive os eleitos quando se desviam do caminho da justiça.  

 

 É importante ressaltar que mal é um conceito humano que se define em função do sofrimento ou da privação que nos atinge. Nesse sentido apenas é que pode ser dito que mal e bem não existem como elementos separados um do outro e que na verdade são a mesma coisa vista sob ângulos diferentes. A espada de um anjo pode ser boa para o justo que é salvo e má para o ímpio que é destruído.  É por não entender estes fatores que a cristandade se assume como defensora de Elohim, ao afirmar que ele não criou o mal, e que esse surgiu em demônios desgovernados.

 

Ora no mundo físico o que é bom para você pode ser mal para mim e o inverso também é verdadeiro. Para um cidadão justo, uma polícia eficiente, incorruptível e fiel ao seu dever, é coisa boa; mas para um meliante é o maior mal que lhe pode ocorrer. O dono de um automóvel devidamente documentado se alegra ao avistar a patrulha da polícia rodoviária depois de notar que está sendo seguido por um veículo suspeito a vários quilômetros. Para ele a viatura lhes transmite segurança, mas para o condutor do veículo sem placas que o segue, esta viatura é o símbolo do mal. É assim que mal e o bem interagem para a realização dos propósitos de Elohim.

 

Os anjos maus que Yah enviou com a espada da morte contra a terra de Mitzraym para trazer pragas e males sobre os egípcios, matando seus primogênitos e enchendo suas casas e cidades de prantos foram os melhores anjos para os israelitas. Para os egípcios, porém foram agentes do mal que lhes trouxeram a mais amarga das dores.

 

Assim, bem e mal são elementos conceituais, e não uma realidade crua que só pode ser vista sob um ângulo, mas pelo contrário tem de ser vista dentro do escopo do propósito. A ideia de que Satan opera por conta própria no mundo, que viva em oposição ao onipotente Criador que o trouxe a existência não é a visão judaica que possa ser extraída do Tanach, pois o próprio Criador diz que criou o mal, e o profeta diz claramente que mal algum chega à cidade sem que Adonay seja o seu autor final, posto que tudo está em sua mão e nenhum poder opera sem ele.

 

“Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que YHWH o tenha feito?” Amós 3:6

 

Apesar disso, o zoroastrismo ainda lança sua sombra impura sobre os conceitos de soberania de Elohim e divulga o mito de que Satan governa esse mundo, como se sua ação não estivesse a serviço do Rei dos Reis, e como se seu principado não prestasse suserania ao Melech Haolam (Rei do Universo) esperando sempre em suas ordens antes de desferir qualquer golpe nesse mundo onde o poder do Criador se mantêm de forma tão suprema hoje como se manteve ao longo de toda a história.

 

Contudo ao supor que o mundo opera sem governo e que o Eterno apenas de vez em quando está no comando, isso é quando os homens oram, é o mesmo que dizer que o Altíssimo, bendito seja o seu nome, atua soberanamente só de vez em quando. É o mesmo que ensinar que na verdade o mundo está sob o comando de dois seres supremos.  As pessoas dizem que o mal se originou com Satán por que tem de dificuldade de assumir que o Rei e soberano, que governa sobre tudo, e que o próprio Satán está sob seu comando.

 

Mas o criador dispensa esta ação advocatícia, pois ele mesmo diz que criou todas as coisas, boas ou más. Nenhum anjo feriu jamais alguém a menos que tenha sido primeiramente autorizado a isso por seu Criador.

Ocorre que do mesmo modo que Armstrong bebeu sua doutrina da cura divina dos mestres do movimento Azuza, também colheu deles o conceito de um diabo rei, criador do pecado, da morte e do mal. Quando na verdade Satan serve ao Criador como anjo da morte e como castigador daqueles que se entregam ao mal. Assim lembre, da próxima vez que se aperceba que Satán está tendo algum poder o autoridade sobre alguém, antes de repreender o anjo que trás o mal, repreenda primeiro o pecado que lhe deu autoridade para fazer este mal.

Shaul ordenou que o homem que se prostituia com a mulher de seu pai, fosse entregue a Satán para o sofrimento do corpo, a fim de que seu espírito pudesse ser salvo. (1 Coríntios 5:5).Este fato por si só não só desmente que Satán opere a revelia da vontade do Criador, mas mostra que este opera de acordo com o desígnio e que na hora certa esse é usado como açoite de El Sahaday para ferir os transgressores, inclusive os eleitos quando se desviam do caminho da justiça.  

 

2.    A Morte não é do Diabo

Apesar dessa clara afirmação, Essek W. Kannyon, pai da Confissão de fé Positiva, movimento neo-pentecostal surgido nos Estados Unidos nos anos 20 do século passado, ensinava na mesma época em que Armstrong se preparava para criar a Igreja de Deus da Rádio que Satán foi o criador ou o originador da morte. Uma perspectiva desanimadora para todos os homens que sabem que à causa do pecado todos hão de morrer:

            “A morte é do diabo.” (E. W. Kenyon, Dois Tipos de Justiça, “A Mais Importante Mensagem Já Oferecida a Igreja” Título original: Two kind of righteousnessm, pág. 12. )”

 

Sabemos que Yeshua declarou que os que vieram antes dele eram ladrões e salteadores, e que a função do ladrão é matar, roubar e destruir. Essa declaração tem sido muito empregada pelos apóstolos da confissão positiva no intuito de provar que a morte é do diabo, ainda que o contexto não mencione Satán, mas os mestres religiosos que se levantaram sem unção e que roubam a fé, matam a confiança e destroem a certeza na vida eterna. Uma certeza que aliás, muitos dos mestres da confissão positiva nem sequer conhecem. A leitura do contexto mostra que o alvo ali não é Satán, embora ele possa ocasionalmente ser usado como instrumento de sofrimento do homem.

 

“Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” Yochanan/Jo 10:8-10.

 

Quando Hagin diz que a morte é do diabo ele deseja que as pessoas vejam a morte como um invasor dos domínios do Criador, como um adversário que opera sem sua ordem, como um ladrão foragido que faz o que bem lhe entende. Claro que para afirmar isso Kenyon teve não só que reinterpretar, mas literalmente ignorar as Escrituras. Como poderia ser a morte de Satán se ela quando alcança seus santos é preciosa ao Criador como está escrito?

 

יָקָר בְּעֵינֵי יְהוָה | הַמָּוְתָה לַחֲסִידָיו:

Yakar be`eyney YHWH ha`mavetah La`chasidayv.

Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos

Tehilim/Sl 116:15.

Infelizmente as más doutrinas não subsistem sozinhas, estão sempre amarradas a enganos ainda mais especiosos. Kenneth Haggin, o mais fervoroso discípulo de Kannyon, afirmava:

“A doença e a enfermidade procedem de Satanás...” (Kenneth Hagin, citado por John Ankerberg e John Weldon, em Os Fatos sobre o Movimento da Fé)

Como ele Jorge Tadeu da Igreja Maná, de Portugal, assume o pan-diabolismo que atribui todo o mau a “divindade do mal” e todo o bem à “sua divindade boa”, chamada de “Deus. Isso é patente no Terceiro ponto de sua cartilha titulada “Segredos que o Ajudam a Rceber a Cura Divina:”

“Há pessoas que quando veem alguém morrer pensam que Deus é o culpado. Mas, eu quero lhe dizer: Deus não é culpado. O diabo é que tem a culpa. O diabo é que veio para matar, para roubar, para destruir. O diabo nunca conseguiu arranjar nada. Ele só sabe partir, aquilo que alguém construiu. ... Diga comigo: O diabo é mau, mas Deus é muito bom. ...  Então a culpa de uma pessoa estar doente não é de Deus, é do diabo. Primeira coisa que um doente precisa saber é isto: DEUS NÃO É CULPADO, MAS SIM O DIABO. Declaração de fé de Jorge no site da Igreja Maná:  http://www.igrejamana.com/estudos/mensagens/3segredos.html)”

"Já vimos que as doenças não vêm de Deus, mas sim do diabo." (Jorge Tadeu, Cura Divina, p.26.

 

Isso é maniqueísmo puro. É a mesma doutrina persa de que as coisas boas são produzidas pelo “deus bom” e as coisas más pelo “deus mal.” Essa crença impede as pessoas de entenderem que manifestações como doença e morte procedem do Eterno, tanto como a cura e a vida.

 

 

3.    A Enfermidade e o Sofrimento Também Procedem do Eterno

Quando o homem trangrediu a ordenança de não comer da árvore da ciência do bem e do mal sua natureza tornou-se sujeita a morte e ao sofrimento. A partir daí não é necessária nenhum intervenção direta ou indireta de Satan para que o homem adoeça e morra. Aliás, mesmo que o homem jamais adoeça, ele virá a morrer pelo efeito da entropia, do envelehcimento e falência natural de seus órgãos. Claro que Satán também pode trazer doenças, e que a enfermidade pode ser atribuída por vezes sua ação sireta, e não apenas a fatores naturais, como ocorreu com Shaul a quem Adonay feriu para que não se orgulhasse pelas revelações que lhe foram dadas, ainda assim, essa operação ocorre segundo a administração do Criador e não de Satán como nos informa o próprio shaliach.

“Pois, se quiser gloriar-me, não serei insensato, porque direi a verdade; e, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satán para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei a Adonay que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder do Maschiach. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor do Maschiach. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” I Coríntios 12:6-10.

Sim, todas e cada uma das operações do mal resultarão sempre no maior bem ainda que isso nos pareça misterioso. Verdade é que nossa mente finita, capaz de ver o momento e não o programa, o instante e não a eternidade tem naturais dificuldades de conciliar as tragédias com o propósito e a ira com a bondade. Mas isso é uma questão do momento. Por agora é suficiente que entendamos a razão de algumas manifestações más.

 

 

4.    O Mal Revela o Bem Assim como a Luz Revela as Trevas

 

A lógica filosófica exige que o mal exista para que o bem pssa ser revelado. Você não pode entender o valor da luz se nunca viu a escuridão. O amanhecer é desejado depois de uma longa e escura noite. Assim, embora isso pareça difícil de ser percebido, é preciso que se diga que o Eterno determinou que o mal se manifestasse para que assim a bondade e a justiça de seu caráter fossem revelados.

 

Como Elohim revelaria o dom da cura se não houvesse o mal da enfermidade? Como revelaria seu poder de ressuscitar se não houvesse a tragédia da morte? Como libertaria as almas se não permitisse a opressão dos shidim (demônios)? Como poderíamos manifestar a bondade do perdão sem que ninguém nos ofendesse? Como poderíamos oferecer salvação se os homens não estivessem perdidos? Como faríamos caridade se não houvessem órfãos ou desamparados incapazes de sobreviver sem a nossa ajuda?

 

Nessa fase da existência precisamos do bem e do mal, embora, essa seja uma fase transitória, dias virão em que não precisarei do bem da cura por que não haverá doenças, não precisarei do bem de expulsar shidim por que estes estarão amarrados junto com os anjos rebeldes, não precisarei exercer o bem do perdão por que já não ninguém me ofenderá. Naquele tempo, passada a era de Maschiach e chegado o olam rabá, Elohim será tudo em todos.  O pensamento judaico, oriundo das Escrituras, contraria completamente essa visão neopagã e maniqueísta sobre o mal e suas manifestações. Um israelita, quando é guiado pela Bíblia nesse ponto, precisa acreditar que o mal e o bem procedem do mesmo Criador.

 

Isso não significa que estejamos capacitados a explicar todas as implicações desse fato. Mesmo que não sejamos capazes de entender completamente o propósito de cada uma dessas manifestações, posto que muitas delas permanecem ainda misteriosas devemos abençoar o Criador quando recebemos algo bom, como o nascimento de um bebê. Nessa ocasião tradicionalmente o israelita exclama:

 

Baruch ata Adoany, Eloheinu Melech haolam, hatov vehametiv.

 

Bendito és tu Adonay Rei do universo que é bom e faz o bem. 

 

Mas em contrapartida, se uma cirurgia de risco resulta na morte do paciente, se aconteceu um acidente fatal, se alguém morre assassinado ou qualquer outra tragédia se manifesta ainda assim abençoamos o Criador dizendo:

 

Baruch ata Adoany, Eloheinu Melech haolam, Dayan há`emet.

Bendito es tu Adonay Rei do universo, o Juiz verdadeiro.

A razão disso é que a verdadeira fé vê em cada bem que acontece no mundo uma manifestação da bondade de Elohim e em cada mal uma manifestação de seus juízos. Afinal, quando Satã trouxe sofrimento a Yob, matando seus filhos, roubando seus bens e destruindo sua casa estava sob a autoridade de Yah e nada fazia sem antes consultá-Lo e receber autorização para cada ato. Em síntese não há fé onde se crê em dois poderes no universo. Adonay engloba todas as forças sendo por isso chamado Elohim (poderes).

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Bereishit/Gn 2:17. 

 

“Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Elohim há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão.” Devarim/Dt 32:39.

 

Sim, o Criador, Bendito seja seu nome é tudo em todos. De sua mão procede o bem e o mal, a benção e a maldição, a vida e a morte, inclusive a morte de seus santos, que é preciosa à sua vista e por meio do qual suas almas partem desse mundo e se juntam a ele livres do pecado que habita em seus corpos podendo então morar no olam nefesh (mundo das almas) e adentrar no Gan Eden, o Jardim do Éden.

 

O que mais faz falta aos fundadores e propagadores da doutrina da confissão positiva é discernimento espiritual das Escrituras. Seu erro não é necessariamente em atribuir certos males a Satán, aos anjos maus e aos demônios. Por certo estes operam nas manifestações do mal. Ainda que grande parte do mal possa e deva ser atribuído ao próprio homem, caso contrário ele jamais seria responsabilizado por seus atos. Além disso, o sofrimento presente da humanidade é uma consequencia natural dos atos de seus antepassados, de seu próximo e de seus próprios erros já que o Eterno promete visitar “a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração” (Shemot/Ex 20:6) daqueles que o aborrecem.

 

 

5.    O Criador Fez Homens Sãos e Homens com Defeito

 

Para os confessores da fé positiva não há nada de mal que ocorra nesse mundo que não seja o resultado único da vontade dos seus semi-deuses demoníacos. Lembro de um jovem que me perguntou o que eu fazia quando tinha dor de cabeça. Quando lhe respondi que tomava aspirina ele me disse: Isso é falta de fé.

 

Segundo ele toda a for de cabeça é produzida por um demônio que precisa ser repreendido, o demônio da dor de cabeça. Para essas pessoas uma dor de cabeça não pode provir de uma ensolação, de um mal estar estomacal, de uma ansiedade ou de um medo, mas apenas e tão somente de um poder espiritual maligno. Esse dualismo doentio e infantil atribui a mudez, a cegueira e a pobreza aos demônios, mas isso não passa da idólatra suposição de que o Eterno está dividindo seu trono e seu poder com criaturas baixas como os shidim. A verdade é outra. O Eterno assume a responsabilidade direta pela existência e criação de todas as pessoas perfeitas e imperfeitas.

 

“E disse-lhe YHWH: Quem fez a boca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, YHWH?”  Shemot /Exodo 4:11.

 

Por isso quando um judeu vê uma pessoa anormal como um anão, por exemplo, ele glorifica o Criador dizendo:

 

Baruch ata Adonay, elohenu Melech haolam, meshanê haberyot.”

Bendito es tu Adonay Nosso Elohim Rei do Universo que transformas as criaturas.

 

É claro que é mais fácil ensinar às massas desavisadas que o mal do mundo decorre exclusivamente da malignidade de Satán, ao invés de dizer que o mal é usado por Elohim para punir homens maus ou para tornar possível a operação de suas maravilhas. Pregar dessa maneira parece eliminar as dificuldades lógicas decorrentes da questão mais difícil que já se formulou: Por que coisas más acontecem a pessoas boas? Mas isso é só aparência.

 

Também é mais fácil pregar o engano, que dá ao homem a ilusão de que ele pode fazer alguma coisa e de que o mal opera no mundo senão de forma soberana, pelo menos furtivo. Dessa forma, toda a vez que uma desgraça acontece culpamos o diabo por ela, ao invés de culparmos a nós mesmos por a termos provocado, ou nos submetermos ao silêncio quando nos apercebermos que sua causa é inexplicável. O que os evangelistas de hoje mais querem é evitar dificuldades lógicas decorrentes da doutrina da soberania absoluta do Criador. Assim, as pessoas deixarão de pensar que o mal é consequência natural do pecado e se voltarão para sessões de exorcismo, na maior das vezes desnecessárias. É pensando assim que R.R Soares, o tele-evangelista da Igreja Internacional da Graça e que ainda arrasta multidões não só aos seus templos, mas também a assistênbcia de seus programas afirma:

 

Não importa o mal que esteja lhe atacando. Todo e qualquer mal não vem de Deus. Vem do diabo. ” R. R. Soares, Como Tomar Posse da Benção, Graça Editoral 5ª Edição – 1997, pág. 26.

        

         Ora, essa é uma meia verdade, e uma meia verdade é também uma mentira, pois as Escrituras ensinam que o Criador detém o domínio sobre os espíritos maus de tal maneira que ele mesmo os envia contra os homens como instrumentos de sua ira ou correção quando estes desobedecem a sua vontade como veremos agora.