As Tribos Perdidas Entre os Povos da Ásia (Parte VI)

 

Dos Makuia que se Convenceram de seu Passado Judaico e Passaram a Apoiar Israel à Nossa Missão em Relação ao Povo Japonês no Brasil.

Rosh Baruch Ben Avraham

 

 

Essa visão move hoje o Movimento Makuya e seus 50 mil adeptos no Japão. Fundado em 1948 por Abraham Ikurō Teshima (1910-1973) que integrou o Mukyōkai (Movimento Não Igreja) fundado em 1901 por Uchimura kanzo (1861-1930), que insatisfeito com a administração política da igreja organizou um grupo independente, sem clero. O Movimento Makuya acrescentou a isso um grande amor por Israel como manifestou Ikurō Teshima

 

“A maioria do povo de Israel estavam dispersos em todo o mundo por uma série de infortúnios que tinham acontecido: O Cativeiro Assírio e o Cativeiro da Babilônia, as invasões pelos gregos e os romanos, que culminaram com a destruição do Templo em 70 dC por mais de dezenove séculos tinham que viver no exílio, mas nunca se esqueceram dos anseios em direção à terra. O Salmo 137 é um dos salmos mais tocantes que expressam suas emoções mais profundas em direção a sua terra natal... A Bíblia claramente profetizou que Israel acabaria por voltar à sua terra e desempenham um papel vital no desenrolar da providência de Elohim sobre a Terra. As pessoas do Antigo e do Novo Testamento acreditavam que as palavras do Senhor não passariam sem ser cumpridas, mesmo que o céu e a terra pudessem desaparecer. Yeshua há Maschiach, que profetizou a destruição de Yerushalaim, disse que a destruição da cidade não era eterna, mas temporal; ela só seria violada por estrangeiros até que os tempos dos gentios se completem. (Lucas 21:24) Agora que a cidade está restaurada para Israel, acredito que os tempos dos gentios falados por Yeshua já estão cumpridos. Eu vejo na restauração da antiga Yerushalaim para Israel um passo importante no progresso da história da redenção de Elohim. Yeshua disse: "Agora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima." Abraham Ikuro Teshima, Diáspora Judaica no Japão, Israel na História Divina).

Em 1967 Gamal Abdel Nasser (1918-1970) inflamava as massas árabes em discursos nas praças que eram transmitidas para o mundo árabe conclamando-os à Guerra Santa para aniquilar o Estado de Israel afogando seus habitantes no Mar. Abraham Ikurō Teshima se apercebeu que a ameaça era real e que uma guerra crucial pela sobrevivência de Israel se aproximava. Então ele criou o movimento de apoio a Israel no Japão e fez uma campanha pela imediata doação de primeiros socorros a Israel. Os makuya se empenharam para que seus irmãos judeus pudesse ser socorridos na hora da aflição.

Quando juntou o material, assim que a guerra começou ele voou para Israel a tempo de ser um dos primeiros não judeus a orar no Kotel, recém libertado agradecendo pela libertação da cidade. Como isso repercutiria mais tarde ele escreve:

“Quando a notícia da libertação de toda Yerushalaim chegou até nós, o nosso coração saltou de alegria, nosso sangue se agitou dentro de nós. A alegria foi indescritível, foi a "ressonância" do nosso sangue. Quando nós duas vezes convidamos General Uzi Narkiss, Libertador de Yerushalaim, para a nossas conferências anuais, o nosso povo estendeu uma entusiasmada muito boas-vindas; batendo palmas de todo o coração apoiando sua afirmação: "Yersuhalaim nunca deve ser conquistada de novo." Em 1968, e novamente em 1971, demonstramos em frente à sede das Nações Unidas e apresentou um recurso por causa de Israel, para então Secretário-Geral das Nações Unidas U Thant. Nós somos muitas vezes perguntados por que sentimos tanto carinho para com o Estado de Israel." Por que vocês japoneses adoram judeus?" era a pergunta constante que ouvimos tanto de judeus como não judeus. Nosso gesto zeloso em relação a Israel parece ir além de sua compreensão. Nosso profundo apego à Terra de Israel deriva de nosso amor apaixonado pela Bíblia. Verifica-se que os tipos de sangue dos japoneses são os mais próximos aos dos habitantes da Palestina. Talvez por este motivo de "relação de sangue" o povo Makuya sente um amor tão especial e afinidade para com Israel. 

Através da misericórdia de Deus temos tido amizade genuína e cordial com o povo judeu. Não há palavras para expressar adequadamente nossa gratidão pela bondade que temos recebido de pessoas em todo o Israel.” (Abraham Ikuro Teshima, Diáspora Judaica no Japão, Israel na História Divina).

Apaixonado pelo povo de Israel Ikuro Teshima concluiu que o estabelecimento do Estado de Israel em 1948 era um fato estabelecido pela profecia e que a conquista de Yerushalaim em 1967 um sinal de que os tempos dos gentios estavam se completando e que o tempo dos judeus estava voltando. Para demonstrar o amor por Israel ele inspirou seu povo a aprender hebraico e a viajar como peregrinos a Israel. Em 1973 cerca de 400 haviam viajaram a Israel para comemorar os 25 anos da fundação do Estado de Israel. Isso se repetiu diversas vezes e até o ano 2009 mais de 930 estudantes e 7.700 makuya haviam ido a Israel para visitar ou para trabalhar em Kibutz. Mas de 9.000 japoneses ligados ao makuya já viajaram a Israel para apoiar Israel em momentos de crise ou simplesmente para visitar a terra onde Yeshua nasceu e morreu e para onde voltará.

Quando depois da Guerra do Yom Kippur, o Japão embriagado pelo desejo do petróleo, o vinho que a grande prostituta de Meca e suas sucursais islâmicas usam para inebriar as nações abandonou Israel por medo de um embargo petrolífero, e declarou seu apoio aos árabes, Teshima mobilizou os makoyo. Cerca de 3.000 de seus adeptos marcharam de diversas partes do Japão a fim de protestar em Tóquio. Apesar de muito doente, já em estado terminal vitimado por uma cirrose que o mataria apenas três semanas depois ele reuniu forças para declarar diante da Dieta, o Parlamento Japonês, um discurso profético:

 

"Israel foi o berço da Bíblia, e a pátria de nosso Redentor. Sem Israel não poderíamos ter salvação e nem redenção em cumprimento da profecia da Bíblia, Yerushalaim foi restaurado depois de 2000 anos, mas agora são novas forças... subindo para destruir esta profecia. O que está em jogo é a visão da redenção de Elohim. Não devemos permitir que Israel se torne um órfão de nações. Israel não pode, de fato não deve, ser abandonado em seu momento de necessidade." Ikuro Teshima

Em 25 de dezembro ele foi chamado a descansar. Suas ações granjearam o respeito de judeus de destaque como o filósofo, pedagogo e escritor Martin Buber (1878-1965) com quem se avistou em Yerushalaim em 1965, do rabino e filósofo Abraham Joshua Heschel (1907-1972) com quem esteve em 1971 em Nova York, do filósofo Hugo Bergman (1883-1975) com que se avistou em Netaniah, Israel em 1973. Além disso se avistou com líderes sionistas proeminentes como o Ministro do Turismo Moshe Kol (1911-1989) que o cumprimentou em 1971 e o Presidente Zalman Shazar (1889-1974) com quem esteve em 1973. Talvez a mais importante apreciação acerca dos makuya seja a declaração do Rabino Zvi Yehuda Kook (1891-1982) em sua apreciação ao amor que ligava IKuro Teshima e seu povo a Israel:

"Vocês são as pessoas que Maimonides se referiu como pessoas do Oriente, embora lamente que não sejam judeus No entanto, compreendo que você está livre de falsidades do cristianismo ocidental e estais purificados de sua imundície.” (Fonte: Israel & Prof.Teshimaspcspcspcspc, página oficial do Movimento  Makuya. http://www.makuya.or.jp/eng/m_a_ir-e.htm

Qual a imundícia do cristianismo ocidental? O conceito de que os judeus são malditos por terem rejeitado a Yeshua e que a Igreja foi organizada para substituir a Israel. Dessa impureza o povo makuya está purificado e esperamos que em breve cada japonês também o seja. Ainda que antes de mais nada precisamos orar para que este povo sábio e trabalhador que tanto fez para esse país desde que aqui chegou seja despertado pelo Elohim de Israel e seja levado à Bíblia o livro transformador.

Precisamos ter em conta que se as estatísticas estiverem certas cerca de 40% dos nipo-brasileiros ainda praticam algum tipo de culto japonês, seja o budismo, o shintoísmo, a Seicho-No-Ie, a Perfeita Liberdade ou a Igreja Messiânica Mundial. Por isso acho oportuno que nos recordemos agora dos milhões de japoneses do Japão ou dos centenas de milhares do Brasil que ainda não conhecem Yeshua e não imaginam a necessidade de retornar às raízes, e se porventura algum irmão japonês estiver lendo estas páginas o convido a orar comigo.

“Oh Elohim de Avraham, Elohim de Ytzchak e Elohim de Yisrael, tu que vives e reinas para sempre, tu que fizestes de Avraham o pai de todas as nações de crentes, ergue a tua mão, assopra tua ruach sobre o povo Yamato, faz com que a grande nação Nikei se erga da escuridão do paganismo para a luz da bessorat, faz retornar os perdidos de Israel e faz com que por meio deles a luz brilhe sobre o Japão. Que seu povo se levante para voltar a Tzion. ” Amen v`amen, b´shem Yeshua há Maschiach.

O leitor verá que ao abordar a presença das tribos perdidas na Ásia nenhum povo mereceu mais atenção do que o povo japonês. A razão é que a história recente do Japão se confunde com a nossa. No Brasil há pelo menos 1,5 milhão de japoneses e seus descendentes. Quase 700 mil japoneses vivem em São Paulo, e mesmo o pequeno estado de Roraima tem cerca de 3.600 nipo-brasileiros. Como vimos 60% dos japoneses no Brasil já são cristãos, mas muitos infelizmente estão aferrados ao sistema de culto romano que mistura a santidade da adoração bíblica com a idolatria como quando eram budistas ou mesmo shintoistas. Isso propõe um desafio para nós como mensageiros: De que forma despertaremos o os nipo-brasileiros para com seu dever de regressar em fé para Tzion como os makuya o fazem a mais de 40 anos? De que forma poderíamos projetar no Brasil o trabalho do Pastor Arimasa Kubo? Por agora tudo isso é um sonho, a obra da restauração ainda engatinha no Brasil, mas quando você sabe onde precisa chegar terminará encontrando um meio de chegar lá.

 

Felizmente uma parte considerável deles está ligada a ministérios evangélicos voltados para o povo japonês com destaque para a Igreja Evangélica Holines que iniciou suas atividades quando o Pastor Takeo Monobe (1893-1930) chegou a nosso país em 1925 depois de ter sido nomeado bispo para a América do Sul. Seu ministério foi curto, e morreu de câncer no fígado ainda jovem, em 1930 passando o ministério às mãos do Pastor Koji Tamura. A igreja hoje pentecostal cresceu entre a comunidade nipônica e tem cerca de 50 congregações, pelo menos 5 mil membros e opera também no Japão com os dekaseguis.

Nas assembleias de Deus o destaque é a Assembleia de Deus Nipo-Brasileira com centenas de batismos anuais. Outra igreja voltada para os japoneses é a Igreja Metodista Livre trazida pelo pastor Massayoshi Nishizumi (1900-?) que chegou ao Brasil em setembro de 1928. A Igreja Metodista Livre se expandiu também entre não nipônicos, por isso criou o Concílio Nikei para cuidar das necessidades especificas dos japoneses, que incluia idioma, cultura etc, e outro para os demais brasileiros. Nesse processo muito Ajudou também a empresa Nipon Rikkokay.

Em 1897 um grupo de evangélicos liderados pelo  Reverendo Anglicano Hyodaiu Shimanuki (1866-1913)  criou a Nipon Rikkokai, uma empresa de imigração de orientação evangélica que iniciou suas atividades no Brasil em 1923 trazendo milhares de imigrantes japoneses à nossa terra enquanto procurava ganhar-lhes os corações para o Messias. Crentes trazidos ao Brasil pela Nipon Rikkokai começaram a buscar instituições de ensino brasileiras, e as evangélicas tinham preferência.

 

Assim, alguns foram estudar no Colégio Adventista fundado em 1915 em Santo Amaro. Logo havia japoneses no Brasil guardando o sábado tal como alguns o faziam no Japão desde 1896 quando os adventistas chegaram ao país como narram Hosokawa e Haller. Mais um passo estava sendo dado.

 

“Entre os membros da Rikkokai que se converteram ao Adventismo e se formaram no curso teológico temos Tossako Kanada (1912-1978), graduado em 1935, Shichiro Takatohi (1912-2005), formado em 1939, e Kiyoshi Hosokawa (1930- ) diplomado em 1960, todos exalunos do Collegio Adventista.” A Conversão de Imigrantes Japoneses no Brasil à Igreja Adventista do Sétimo Dia, Elder Hosokawa e Haller E. S. Schuneman, Revista de Estudos da Religião setembro / 2008 / pp. 101-125.

 

A partir daí a Igreja Adventista desempenhou um trabalho entre os japoneses com imigrantes previamente convertidos vindos do arquipélago, ainda que sem muito êxito, registrando-se em São Paulo apenas duas, congregações étnicas dirigidas por japoneses e para japoneses.

Esse é um progresso e tanto, crentes que abandonaram os imundos camarões e os detestáveis torresmos e abraçaram o shabat, indo além do que se exige de um gentio, mas ficando aquém do que se exige de um filho de Israel.

No entanto, não ignoramos que depois de conceder a Efraim um tempo de trevas para por meio de sua queda enriquecer as nações todos esses esforços precisam ser saudados. A luz é progressiva e embora nalguns poucos casos as pessoas partem diretamente do paganismo para uma visão de restauração da Torah esse não foi o caminho que o Eterno vem usando em larga escala. Estamos certos de que os grupos cristãos supra-citados, apesar de suas limitações fizeram muito mais pelos nipo-brasileiros que a Seicho-No-Ie, a Perfeita Liberdade ou a Igreja Messiânica Mundial fizeram muito menos, pois mantiveram o povo longe da luz do mundo, do cordeiro que lhe tira o pecado, propondo no máximo um paganismo melhorado sob a égide de um suposto monoteísmo.

Assim, saudamos o que foi feito pelo ministério das igrejas que alcançaram corações japoneses levando-os à crer numa redenção pelo sangue do Maschiach. No entanto, tendo chegado a hora da restauração oremos para que Adonay desperte entre eles o mesmo espírito que já fez com que pregadores japoneses conduzissem os fiéis de volta para a Bíblia num sentido mais amplo. Existe um motivo particular para que nos preocupemos com suas origens.

Se os seguidores do Rebe de Lubavitch manifestam alguma preocupação para com o povo nipônico, nós que seguimos o Messias enviado às ovelhas perdidas da Casa de Israel, devemos nos preocupar muito mais, e no mínimo devemos olhar com simpatia . Que Elohim nos ajude a despertar a consciência e a identidade dos nipo-brasileiros para a necessidade de um retorno à fé de seus antepassados longínquos, os hebreus. Bem partamos agora para outro terra onde seus costumes denunciam um passado israelita, estamos falando de outro arquipélago, o das Filipinas, localizado ao sul do Japão.  Leia o artigo da Beit Chabad: Japão...

http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/10tribos/japao.htm