As Tribos Perdidas Entre os Povos da Ásia (Parte VI)

Semelhanças Entre as Festas Judaicas e Xintoístas Entre o Hebraico e o Japonês e Entre as Ordenanças Levíticas e os Costumes Japoneses

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

 

No entanto estamos falando de que quase já nada reste, e não de que nada mais reste. E este é o caso do próprio Japão, onde existem vestígios de um passado israelita. O escritor japonês Masumi Sugae (1754-1829) que viveu durante a Era Edo narra a realização do festival denominado ontoshai que é realizado a 15 de abril de cada ano no santuário de Suwa-Taisha onde um menino era atado para um sacrifício até que um veado era providenciado para ser sacrificado em seu lugar. É importante lembrar que os japoneses marcam as eras de acordo com seus governantes. A Era Edo, chamada de Edo-Jidai é o período em que o Japão foi governado por xoguns do clã Tokugawa e se iniciou a 24 de março de 1603 finalizando a 3 de maio de 1868 dando lugar a Era Meiji iniciada durante o governo do Imperador Meiji (1852-1912).

Este cerimonial era segundo os antigos realizados em honra a Misagushi ou Misakishi que bem pode ser segundo alguns intérpretes Mi-Isaku-chi", onde "Mi" significaria "grande", "Isaku" provavelmente, Isac correspondendo a palavra hebraica "Yitzhak", e "shi" é algo para o final da palavra. 

As evidências apontam para o fato de que o povo de Suwa tenha feito de Ytzchak um Elohim devido à influência dos povos idólatras. No entanto a hipótese de que Misakushi signifique apenas “Grande Ytzchak” também precisa ser levada em conta. Ainda que o costume tenha sido modificado e um menino não seja mais colocado no altar para ser liberto no último instante, e animais não sejam mais sacrificados, sendo substituídos por bichos empalhados, o paralelo com a Torah é inegável.

 

Arimasa Kubo (1955 -), um pastor evangélico japonês que estuda paralelos entre a cultura japonesa e a hebraica assinala uma série de outras aproximações. Os Yamabushi, sacerdotes budistas levam o tokim, caixinha preta amarrada à cabeça por um fio preto e que recorda os tefilim que os judeus usam em suas orações. As cerimônias são oficiadas tocando uma concha grande semelhante ao shofar tocado pelos judeus. No Japão não se criavam carneiros. O Mikoshi que os xintoístas transportam nos festivais lembra a arca da aliança levada pelos levitas. A roupa sacerdotal dos xintoístas é outro paralelo com a usada pelos  antigos levitas. Para consultar o material de Arimasa Kubo acesse: The Ten Lost Tribes: Japan. http://www.moshiach.com/tribes/ns/5.html

 

O manto branco que o kannushi, o sacerdote xintoísta usa em suas procissões e atuações nos santuários recorda o sacerdote de Israel tanto pela cobertura que usa sobre a cabeça como pelo manto com os cordões que pendem nas suas extremidades à semelhança dos tzitziot que os israelitas eram obrigados a usar por mandamento. Outro detalhe diz respeito ao próprio santuário do xintoísmo que como o tabernáculo que possui um compartimento onde somente o kannushi pode entrar. Além do mais para se achegar ao santuário as pessoas tinham que se banhar em água, seja num rio ou numa fonte d`água, ainda que agora só se faça a ablução das mãos.

 

É importante ressaltar que apesar de politeístas os santuários Xintó não possuem deuses esculpidos, diferentemente dos santuários budistas. O conceito xintó é que os seus seres devem ser pensados, mas não reproduzidos. Claro que o politeísmo é um conceito abominável para o Criador e para o judaísmo, mas não se deve esquecer que Israel caiu justamente por que era politeísta antes de ir para o exílio. Israelitas adoravam diversas divindades principalmente Baal e sua esposa Asherat (Astarot), os criadores da vida.  No xintoísmo o casal de deuses formado por Izanagi e sua esposa Izanami são os seres que criaram o mundo. Ou seja, a presença da teologia pagã entre os japoneses não depõe contra um possível passado israelita, pelo contrário até mesmo o confirma. 

 

Outro interessante detalhe é que o ano novo japonês que na Era Meiji começava a 15 de janeiro, ainda que agora se inicie a 1° de janeiro marca o começo de uma série de celebrações que incluem entre outras o consumo de “mochi” (bolo de arroz) por sete dias. Durante estes dias os japoneses bebem mingau de ervas amargas, ainda que no passado comessem as próprias ervas amargas.

 

É difícil não se estabelecer um paralelo com a festa dos pães sem fermento e as ervas amargas que deveriam ser comidas no pessach. Outra festividade interessante é o Gion Matsuri que ocorre em Kioto no sétimo mês do calendário japonês que é o de julho e culmina com um desfile no dia 17 em que as pessoas exclamam “Heian-kyo” que significa paz em japonês. Possivelmente Gion seja mesmo Tzion. O escritor escocês N. Mcleod autor de "Epitome of Japanese Ancient History" (Epitome da História Antiga Japonesa) impresso em Nagasaki em 1875 concluiu os festivais japoneses se assemelhavam muito aos festivais judaicos que viu na Europa. A obra  N. Mcleod pode ser adquirida na livraria eletrônica Amazon. Epitome of the Ancient History of Japan, Including a Guide Book. http://www.amazon.com/Epitome-Ancient-History-Japan-Including/dp/1402148984

 

Outra importante obra foi escrita pelo militar judeu ucraniano Joseph Eidelberg (1916-1985) depois de passar anos no Japão observando a cultura, os costumes e a língua japonesa.

 

O título The Biblical Hebrew Origin of the Japanese People (A Origem Bíblico Hebraica do Povo Japonês). O Pastor nipônico Arimasa Kubo observa ainda que Joseph Eidelberg aponta cerca de 300 semelhanças entre o hebraico e o japonês em seu livro. A palavra japonesa anata que significa “você” também é dita anta, e no dialeto de-Kyushu é dito atah o mesmo que em hebraico. Em japonês meios para medir é Hakaru idêntico ao hebraico haqar, investigar ou medir. No japonês horobu significa “perecer” e em hebraico Horebe significa “tornar-se em ruínas ou perecer”. (A obra de Joseph Eidelberg pode ser comprada no site Israel Books. The Biblical Hebrew Origin of the Japanese People . http://israelbooks.com/bookDetails.asp?book=406#description)

Em Japonês teru significa “brilhar” e no hebraico teurah significa “iluminação”. No japonês Kamau significa “mente ou cuidado” e no hebraica kamal significa simpatizar. No japonês damaru, significa “tornar-se silencioso” e em hebraico se diz damam.  A palavra para pressa em japonês é hashiru e no e hebraico é hush. A vara com papéis brancos em zigue-zague colocados na sua parte superior agitada pelo sacerdote xintoísta é chamada nusa em japonês, e a palavra hebraica nes significa bandeira.  Braço em japonês é ude e mão em hebraico é yad. Em japonês ombro Kata e em hebraico é qatheph. Fim ou acabamento em japonês é owari, e em hebraico é aharith. Hoje em japonês é Kyou, e em hebraico qayom. Em japonês doloroso é tsurai e em hebraico tzarah significa problema, infortúnio, sofrimento ou lepra. Em japonês kooru, significa congelar e Koori significa gelo semelhante ao hebraico qor. Em japonês servir de guarda para um nobre é samurau e em hebraico é shamar ou shomer. A partir de samurau surgiu a palavra samurai, que significa antigo guerreiro japonês ou guarda. Com o sufixo "ai" o guarda profissional em hebraico passaria de shamar, para shamarai, que soa próximo ao guarda japonês samurai. Esse seria o caso de banai que é uma palavra hebraica para construtor e é uma combinação de banah (para construir) e ai (profissão significado sufixo). O hebraico moderno não tem a palavra "Shamurai", mas essa satisfaz plenamente a gramática do hebraico. (O artigo completo do pastor Arimasa Kubo editor do Remnant Publishing está disponível no site: http://www5.ocn.ne.jp/~magi9/isracam4.htm)

 

Avigdor Shachan  (1941) que investiga as tribos perdidas a mais de 30 anos  fez referência ao passado israelita do povo japonês em seu livro   In the Footsteps of the Lost Ten Tribes (Nos Passos das Dez Tribos Perdidas). A Obra de Avigdor Shachan  pode ser adquirida no site da Amazon.Com. http://www.amazon.com/Footsteps-Lost-Ten-Tribes/dp/1932687971

Em 1990 foi a vez do Rabino Eliyahu Avichail escrever sua obra The Tribes of Israel: The Lost and The Dispersed (As Tribos de Israel, os Perdidos e os Dispersos, onde mais uma vez o tema foi tocado. O Rabino está tão convencido da presença de israelitas na Ásia que criou o The Elijah Project (Projeto Eliahú) com o lema Facilitando o Retorno da Casa de Israel. Esta obra  pode ser adquirida na Amazon.com. Dispersed/dp/B000SNB3TQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1215471876&sr=1-1

 

 

Talvez nenhuma obra seja tão importante como a produzida recentemente pelo rabino Marvin Tokayer que por anos trabalhou com a comunidade judaica do Japão onde serviu como Rabino. Seu livro editado em Japonês lança luz sobre o tema de forma bem vívida. Seu livro “Nihon-Yudaya, Huuin no Kodaishi”  (História Antiga do Japão – os Judeus Ocultos) ainda não foi traduzido para o inglês

 

Harimasa Kubo relembra ainda que durante a Era Meiji o conceito de impureza da mulher durante certos períodos era idêntico ao prescrito pela Torah. Como o artigo é interessante o transcrevo aqui:

 

“O conceito da impureza durante a menstruação e parto existia no Japão desde tempos remotos. Era costume no Japão desde os tempos antigos que a mulher durante a menstruação não deveria participar dos eventos santos no santuário. Ela não poderia ter sexo com seu marido e tinha que se trancar numa cabana (chamada Gekkei-goya em japonês), que era construída para uso coletivo na vila, durante sua menstruação e vários dias ou cerca de 7 dias após a menstruação. Esse costume era amplamente visto no Japão até Era Meiji (ha cerca de 100 anos). Após o período do seu fechamento, ela tinha que se purificar em águas naturais como rios, fontes ou mar. Se não houvesse água natural, poderia ser feita na banheira. Isso se assemelha muito com o antigo costume Israelense.

No antigo Israel, as mulheres durante a menstruação não podiam participar de eventos santos no templo, tinham que se separar de seus maridos, e era costume se fechar numa cabana durante sua menstruação e sete dias após a menstruação (Levítico, 15:19; 28). Esse fechar-se era dito, "continuar no sangue da sua purificação", e isso era para a purificação e separar a impureza da casa ou da vila.”

 

Não apenas no que se concerne à menstruação, mas também o conceito acerca do parto no Xintoísmo japonês se assemelha ao do antigo Israel. Uma mãe que dá à luz uma criança é considerada impura por um certo período. Esse conceito é fraco entre os Japoneses hoje, mas era muito comum nos tempos antigos. O antigo livro Xintoísta, Engishiki (século X), estabelece 7 dias como um período em que ela não pode participar dos eventos santos após dar à luz uma criança. Isso se assemelha ao antigo costume de Israel, pois a Bíblia diz que quando ela concebe e dá à luz um menino, então ela permanecerá "impura 7 dias". Ela então continuará "no sangue da sua purificação por 33 dias". No caso de ela dar à luz a uma menina, então ela permanecerá "impura duas semanas", e continuará "no sangue de sua purificação por 66 dias". (Levítico, 12:2-5). 

No Japão era largamente observado que uma mulher durante sua gravidez e após dar à luz uma criança, fechar-se numa cabana (chamada Ubu-goya em japonês) e ali viver. O período era geralmente durante a gravidez e cerca de 30 dias após dar à luz. (Os casos mais longos eram de quase cem dias). Isso se assemelha aos costumes do antigo Israel. No antigo Israel, após este período de purificação a ela podia vir ao templo com seu filho pela primeira vez. Também no costume do Xintoísmo japonês, após este período de purificação a mãe podia vir ao santuário com seu bebê. No Japão moderno o tempo é geralmente 32 dias (ou 31 dias) após ela dar à luz a um menino e 33 dias no caso de uma menina.” (Arimasa Kubo, A Origem dos Japoneses) O artigo do Dr. Arimasa Kubo sobre a origem dos japoneses pode ser lido em português: http://merceariasukiyaki.com.br/origem%20dos%20japoneses%206.html