As Tribos Perdidas Entre os Povos da Ásia (Parte VI)

 

Evidências da Presença das Tribos Perdidas no País do Sol Nascente e nos Nisseis e Sanseis do Brasil

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

O terceiro arquipélago mais numeroso do mundo depois da Indonésia e das Filipinas, o Japão possui 377.835 km² e é formado por 6.852 ilhas, das quais apenas 426 são habitadas por cerca de 128 milhões de pessoas. As quatro maiores ilhas japonesas, Honshu (230 mil km²), Hokkaido (83 mil km²) Kiushu (36 mil km²) e Shikoku (19 mil km²) detém 97% de seu território que é equivalentes a dos estados de Mato Grosso do Sul e Sergipe juntos e 98,34% de sua população que equivale aos sudeste e ao nordeste reunidos.

 

País altamente industrializado, famoso pela indústria automotiva e eletrônica o Japão é o quarto maior exportador mundial depois da China, Alemanha e Estados Unidos com 765 bilhões de dólares e a terceira economia depois dos Estados Unidos e da China com um Produto Interno Bruto de 5,458 trilhões de dólares e uma renda de 42 mil dólares.  O País é uma Democracia Constitucional governada por um Primeiro Ministro nomeado pela Dieta (o parlamento), mas tem no Tenno, o Imperador, que no passado foi adorado, o símbolo máximo de sua unidade nacional. 

 

Quanto à religião, o povo japonês abandonou a muito o famigerado culto de adoração ao Imperador. Durante a Segunda Guerra Mundial a figura monárquica foi literalmente adorada numa época em que o Kokka Shintō (Estado Shinto) impôs o conceito Arahitogami, (Deus que é humano) dando ao povo a ideia de que o Imperador era o mediador entre os homens e Elohim. Este conceito os fanatizou ao ponto de considerarem suas vidas insignificantes perto da glória do Imperador.

Após a capitulação japonesa o Imperador Hirohito (1901-1989) renunciou para sempre à sua divindade depois de ter exercido um dos governos mais brutais da história da humanidade e povo japonês renunciou perpetuamente á guerra. As forças militares japonesas ao ocuparem países asiáticos cometeram crimes de guerra tão hediondos como os dos nazistas, mas numa proporção maior. Estima-se que os nazistas tenham provocado a morte de 20 milhões de eslavos principalmente russos, 6 milhões de judeus e 500 mil ciganos. Os japoneses podem ter provocado a morte de 30 milhões de filipinos, malaios, vietnamitas, cambojanos, indonésios e birmaneses e 23 milhões de chineses étnicos.   

 

No final tudo isso se voltou contra sua própria população. Em vão sonharam os soldados japoneses que se sacrificavam nos campos de batalha que suas mulheres e filhos não seriam alcançados pelo sofrimento que trouxeram a outros povos. O sofrimento resultante da guerra que matou 3,75% de sua população (2,68 milhões) e a humilhação suprema da rendição incondicional após as explosões das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, bem como a vergonha ao descobrir os crimes de guerra de seu exército claramente revelados durante o Julgamento de Tóquio levaram o povo japonês a renunciar perpetuamente à guerra como meio de resolver disputas. O povo se voltou para a sua religiosidade estática e misteriosa.

 

Classificar a religiosidade japonesa não é tarefa fácil, e as estatísticas sempre contém certa subjetividade já que o xintoísmo, a religião de 93% do povo japonês não exige nenhuma proclamação de fé ou mesmo expressão dessa fé, bastando a participação em algum ritual para que a pessoa seja considerada parte dela. No entanto o xintoísmo convive com outras religiões e é o que ocorre na maioria dos casos exceto no caso dos cristãos de orientação protestante, dos muçulmanos e dos judeus. Dessa forma a World Operation 2010 estima que os budistas que chegaram ao Japão por primeira vez no século VI representem 69,6% do povo japonês somando 89,5 milhões.

 

Os japoneses que simplesmente não tem opção religiosa são 23% somando 29,4 milhões de pessoas. Não religiosos e ateus são 5% da população, somando 6,4 milhões. Os cristãos que chegaram ao país em 1542 através dos portugueses que aportaram em Kyushu trazendo o catolicismo romano são 1,5% e somam 1,92 milhão. Os muçulmanos tiveram sua primeira conversão no país apenas no século XX e representam apenas 0,2% e somam 256 mil, sendo que destes apenas 19,5% são japoneses, os restantes são Bengalis e Punjabs com 71 mil cada um, Persas com 51 mil, Malaios com 10 mil e Turcos com 3.000. Para mais detalhes consulte nosso artigo: Estudo Sobre a História  e a Religiosidade Japonesa.

 

Comecei pelo Japão, por que nesse caso em particular, o que afeta ao Japão em certo sentido afeta nosso país e pode mudar os rumos na hora de evangelizar um japonês. Estamos falando sobre tratar alguém como possível descendente de Israel significa abrir a ele a porta do retorno, da teshuvá, e não apenas pregar sobre a salvação alcançada por graça seguida do cumprimento das mitsvot básicas obrigatórias aos gentios. O país unificado no século IV pelo povo Yamato enviou imigrantes para diversos países, principalmente o Brasil, que com 1,5 milhão de japoneses tem a maior colônia fora da Ásia. Destes, 49% vivem em São Paulo. 

 

Logo, como veremos a seguir, o que afetaria a nossa evangelização de um japonês se habitássemos no rico arquipélago asiático de quase 7.000 ilhas deveria afetar igualmente a nossa pregação ao encontrar um de seus descendentes no Bairro da Liberdade e no Estado de São Paulo onde são 1,9% da população ou no resto do país onde são em média 0,8% dos brasileiros.

 

O povo que começou a chegar ao Brasil em grandes levas a partir do ano 1908 na histórica viagem do navio Kasato  Maru que aportou em Santos, depois de 52 dias de viagem iniciada em Kobe no Japão trazia 781 pessoas a bordo. Outras viagens se seguiriam por décadas até que ao início dos anos 60 quando a imigração cessou quase 190.000 japoneses tinham desembarcado em solo brasileiro e ajudado a criar um novo país com maior diversidade cultural, linguística, étnica e religiosa.

 

         Este povo sofrido e trabalhador enriqueceu e ajudou a enriquecer o Brasil e para surpresa de todos, inclusive dos próprios isseis os imigrantes, seus filhos os nisseis já não conseguiram segurar o anseio da juventude pela integração que começou a casar cada vez mais com gaikokujin, ou seja com não nipônicos, trazendo às suas famílias uma crescente comunidade mestiça. Contrariando os prognósticos a miscigenação cresceu rapidamente. Contra os preconceitos naturais que a princípio separavam povos de raça, língua, religião e culturas diferentes os filhos e filhas dos imigrantes interagiam com os filhos e filhas da terra que os acolheu.

 

         No princípio estas relações eram tímidas e cercadas de desconfiança por parte das famílias de ambos os lados. Mas isso foi só o começo. Estes casamentos com homens e mulheres de fora da comunidade geraram sanseis (netos) integrados à sociedade brasileira e estes geraram seus yonseis (bisnetos) ainda mais integrados. Hoje vivemos a quarta geração, os gosey as vezes apenas aparentados com japoneses e cujos traços visíveis só a muito custam revelam ser descendentes de nikeis ou japoneses saídos da Ásia a tão somente um século.

 

Se apenas 6% dos filhos dos imigrantes eram mestiços, o número de netos mestiços saltou para 42% e atualmente a terceira geração no Brasil já se compõe de 61% de mestiços a maioria dos quais não fala japonês e não tem sequer conhecimento da religião de seus antepassados aportados ao Brasil. Erraram os críticos que diziam que aquilo não daria certo, que o povo japonês era insolúvel como o enxofre e jamais ajudaria a criar um povo homogêneo.

 

Mesmo contra a resistência dos isseis (imigrantes), os nipo-brasileiros foram rompendo barreiras e se integrando no meio de um povo onde a miscigenação era parte da cultura e até mesmo da política oficial de branqueamento da raça. Aquilo que o estado brasileiro temia que não viesse a acontecer, e que desejava muito, a mistura de mais uma raça no Brasil veio a acontecer. A política oficial da época era o branqueamento da raça.

 

Por incrível que pareça o racismo no Brasil tomou caminhos bem distintos do racismo nos Estados Unidos, por exemplo. Aqui se estimulava o casamento do branco com o negro para que seus filhos mestiços voltassem a se casar com brancos e finalmente os traços negros desaparecessem da nossa sociedade.

 

Por trás dessa política insana estava um conceito sócio-religioso denominado a redenção de Cão. Segundo esse conceito os negros precisariam ser libertos das marcas da maldição de Cham. Temiam os crentes em tal sandice que os japoneses jamais contribuíssem no processo de branqueamento, pois viveriam isolados em suas própria comunidades, que era aliás o que os próprios isseis pensavam que ocorreria.

 

O que se viu a partir dali respondia a uma pergunta: Se portugueses e seus descendentes tinham sido capazes de se casar com índios e negros, por que não os japoneses. A natureza que impele os homens a se amarem por cima de toda e qualquer barreira, a mesma que fez com que Efraim se misturasse a todos os povos fez com que os nipônicos e brasileiros dessem origem a um novo grupo étnico, os autênticos nipo-brasileiros, fruto da fusão entre asiáticos e caucasianos.

 

Não tardou para que meninos e meninas brasileiros e japoneses, talvez até mesmo atraídos pelas diferenças tipológicas descobrissem que somos um só ante o Criador e que uma raça não precisa prevalecer sobre a outra a fim de a redimir como pensavam algumas autoridades do Brasil condutoras da política de constantes casamentos mistos entre brancos e negros a fim de promoverem o “branqueamento da raça”.

 

Essa rápida integração entre japoneses e brasileiros é um exemplo vivo do que pode ter acontecido com a Casa de Israel entre as nações e explica por que nenhuma comunidade que se supõe descender de Israel fale hoje o hebraico, tenha traços indeléveis da cultura judaica ou mesmo apresente sinais físicos típicos de um povo semita.  Basta considerar que no caso dos japoneses se na primeira geração de imigrantes a maioria mal conseguia falar o português, na segunda geração 18% só falavam o português enquanto na terceira geração este índice já era de 39%. Mantidas estas tendências em mais duas gerações poucos nipo-brasileiros saberão falar o japonês a exceção dos dekaseguis que são os brasileiros que foram trabalhar no Japão.

 

Por outro lado se o abandono da língua materna se dá a um ritmo alarmante o abandono da religião dos ancestrais é ainda maior. Enquanto no Japão 96% da população é budista ou xintoísta e apenas 3% é cristã de maioria católica, no Brasil, em apenas 3 gerações 60% dos japoneses abraçaram o cristianismo, principalmente o católico e deixaram para trás a língua japonesa.

 

O Estudo das transformações linguísticas e religiosas do povo japonês é, pois uma imagem vívida e atual do que deve ter acontecido com as populações israelitas que já saíram de sua terra contaminados pela assimilação e é claro a intensificaram ainda mais sob a pressão das perseguições e dos casamentos com os gentios por onde passaram.

 

Se em um século e apenas 3 gerações 6 em cada 10 japoneses foram assimilados no Brasil é evidente que em 27 séculos e 81 gerações já quase reste nada da comunidade de Israel especialmente quando o Eterno já menciona o fato de que Efraim se mistura com os povos. Essa mistura é tal que quase já nada resta de sua raiz em Avraham e em Israel.

 

Continua em: As Tribos Perdidas Entre os Povos da Ásia Parte V