As Tribos Perdidas Entre os Povos da Ásia (Parte II)

A Assíria Vara da Ira de Elohim Para Punir Israel e Mandá-lo ao Exílio

Rosh Baruch Ben Avraham

Entre estes povos que se digladiavam para dominar o Oriente Médio nenhum se destacou como a Assíria. As campanhas militares  comandadas por Tiglat-Pileser III (745-727 AEC) devastaram Israel e seus vizinhos, transformando-os em suas províncias. Seu trânsito pela Terra da Promessa foi usado pelo Eterno como vara na sua mão para punir a rebelião de Israel.  O povo dera as costas para Adonay e a sagrada Torah enqunato virou sua fronte para os ídolos merecia isso. Assim, o Eterno levantou a Assíria para o punir como uma espada na mão de um eficiente guerreiro.

Salmanaser V (727-722) completou a tarefa de seu pai deportando os habitantes do reino de Israel para a Assíria tal como narrado nos capítulos 17 e 18 de II Reis. Essa política de hostilidade em relação a Israel perdurou durante o governo de Sargão II (722-705) que não se sabe se era herdeiro de Tiglat Pileser III ou um usurpador do trono. No entanto, a Assíria entregue à cegueira de seu coração, nem mesmo podia sonhar que era apenas uma ferramenta nas mãos do Todo-Poderoso, e que ela não podia se gabar mais de sua força do que um machado que só corta a árvore movido pelo braço do lenhador. Quando sua missão terminasse a ira devastadora se desataria sobre ela como está escrito:

“Ai de Ashur, a vara da minha ira; a sua força militar é a minha arma contra esta nação sem Elohim, condenada e amaldiçoada. Ela fará deles escravos, saqueá-los-á e os pisará como o pó debaixo dos pés. Mas o rei da Assíria não saberá que fui eu quem o mandou. Ele pensará simplesmente que está a atacar o meu povo como parte do seu plano de conquista do mundo. E declarará que cada um dos seus príncipes será brevemente um rei, a reger cada uma das terras conquistadas. Destruiremos Calno tal como fizemos com Carquemis, dirá ele. E Hamate cairá como tinha caído antes Arpade; Shomeron (Samaria) será arrasada da mesma forma que Damasco. Sim, acabámos com muitos reinos cujos ídolos eram muito maiores do que os de Yerushalaim e de Shomeron. Por isso, quando tivermos derrotado Shomeron e os seus ídolos, também havemos de destruir Yerushalaim mais os ídolos dela. Depois de YHWH ter usado o rei de Ashur para realizar os seus planos, então se voltará contra os assírios para os castigar igualmente a eles, porque são gente altiva e orgulhosa. Gabam-se dizendo: Foi com todo o nosso poder e com a nossa sabedoria que ganhámos estas guerras todas. Somos grandes e célebres. Com a nossa própria força derrubámos muralhas, vencemos povos e pilhámos os seus tesouros. Pela nossa grandeza assaltámos os ninhos de riqueza deles; e acumulámos reinos conquistados, tal como o camponês junta os seus ovos; ninguém ousa mexer um dedo sequer, ou abrir a boca para dizer uma palavra contra nós! Mas YHWH diz: Será normal que o machado se gabe de ter mais poder do que aquele que o emprega? E a serra, será ela mais poderosa do que o serrador? Poderá uma vara bater sem que uma mão a mova? Uma cana é capaz de andar sozinha? Por causa de toda essa tua lisonja, ó rei da Assíria, YHWH dos exércitos celestiais mandará uma praga que se disseminará no meio dessa tua tropa orgulhosa, que os abaterá.” Yeshayahu/Isaías 10:6-16.

Este orgulhoso Estado que se vangloriava de seus grandes feitos em subjugar nações e deportar seus súditos para terras que não lhes pertenciam a fim de impedir suas revoltas não podia sequer sonhar que o Elohim vivo a quem Senaquerib aforntou em Yerushalaim o estava usando com um propósito especial. Um exemplo do que era o orgulho de um povo cruel contra seus adversários é dado no relato do Rei Senaqueribe (705-681), filho do mesmo Sargão II que  se gaba da crueldade de seu exército contra os elamitas.

 

“No comando do deus Ashur, o grande Senhor, corri contra o inimigo, como a aproximação de um furacão ... eu coloquei-os em fuga e os fiz voltar. Eu paralisei as tropas do inimigo com lanças e flechas. A Humban-undasha, o comandante-em-chefe do rei de Elam, juntamente com seus nobres ... eu cortei suas gargantas como ovelhas ... Meus cavalos empinandos, treinados para serem utilizados, mergulhado em seu sangue jorrando como em um rio; as rodas da minha carruagem de batalha foram salpicadas com sangue e sujeira. Enchi a planície de cadáveres de seus guerreiros como erva.” (Citado por Healy, Mark (1991). Os Antigos Assírios, New York: Osprey. pp 47)

 

Senaqueribe se gabou também de grandes no ataque ao reino de Yehudá e no cerco à Yerushalaim no ano 701 AEC que teria resultado na destruição de 46 cidades, na deportação de 200 mil pessoas para as terras dos filisteus, e no pagamento de tributos num valor equivalente a 1,020 toneladas de ouro e 27,2 toneladas de prata.  Nesta vitória ele não inclui a tomada da cidade santa, mas apenas o seu cerco, o que confirma o relato bíblico.

 

“Porque Ezequias, rei de Judá, não se submeteu ao meu jugo, eu vim contra ele, e pela força das armas e pela força do meu poder eu levei 46 de suas cidades fortificadas, e das cidades menores, que estavam espalhadas, eu as tomeis e saqueei um número incontável. A partir destes lugares que eu tomei foram levadas 200.156 pessoas, velhos e jovens, homens e mulheres, juntamente com os cavalos e mulas, jumentos e camelos, bois e ovelhas, uma incontável multidão, e a Ezequias, calei a boca em Yerushalaim, sua cidade capital, como um pássaro em uma gaiola, construindo torres em volta das esntadas da cidade, e criei bancos de terra contra os portões, de modo a impedir a fuga ... Então sobre Ezequias caiu o temor do poder dos meus braços, e ele enviou-me os chefes e os anciãos de Jerusalém com 30 talentos de ouro, 800 talentos de prata e tesouros diversos, um espólio rico e imenso ... Todas essas coisas foram trazidos para mim em Nínive, a sede do meu governo.” Narativa de Senqueribe contina no Prisma Taylor, descoberto em 1830 pelo Coronel Taylor.

 

Como um povo pequeno que se expande com força cada vez maior precisa incorporar estrangeiros nas suas tropas, a infantaria assíria continham grande número de arameus e gregos. No entanto, os assírios arriscavam somente um olho ao incluir estrangeiros nas suas forças armadas. A cavalaria, que era a força tática de resposta rápida tanto para o ataque como para a defesa permaneceu assíria a exceção de 60 carros de combate cuja tripulação foi dada aos isralitas segundo relatórios de Sargão II. Isso prova uma vez mais que os israelitas conservaram sua identidade nacional dentro do Império.

 

Nos mapas hitóricos pode-se ver a expansão assíria iniciada em 671 AEC em contraste com seu território de 824 ACE em verde escuro.  O mal que os assírios cometiam ao deportar povos inteiros para as terras de outros povos que por sua vez eram reassentados noutros lugares viria a se revelar um bem.

 

A Wikipedia Enciclopédia Livre lista as seguintes deportações atribuídas aos reis assírios:

 744 AEC Tiglate Pileser III deporta 65.000 pessoas do Irã para a fronteira assírio-babilônicos no rio Diyala.

742 AEC Tiglate Pileser III deporta 30 mil pessoas de Hamate, Síria e para as montanhas Zagros, no leste.

721 AEC Sargão II (afirmou) deporta 27.290 pessoas de Samaria, Israel e os dispersa por todo o Império. No entanto, é provável que seu antecessor deposto, Salmanasar V ordenou a deportação.

707 AEC Sargão II deporta 108 mil caldeus e babilônios da região da Babilônia.

703 AEC Senaqueribe deporta 208 mil pessoas da Babilônia

 

Enquanto os reis da Assíria empurravam os filhos de Israel cada vez mais para os confins do Império o Eterno preparava Efraim para uma missão tão secreta que nem ele se apercebia carregar a semente de Avraham para os confins da terra, tomando diferentes direções, inclusive a da Ásia que estudaremos nesse capítulo.

 

O mapa mostra como cada uma dessas deportações levou Israel para mais longe da sua terra, para que esse nem mesmo pensassem em voltar, antes que sua missão estivese cabalmente terminada. A história mostra que houve de fato três deportações seguidas. A primeira sob Tiglat-Pileser III (734-732 AEC), a segunda sob Shalmanaser V e Sargão II (724-720 AEC) e a terceira sob Sargão II (716-715 AEC).

 

 

Os historiadores também conjecturam acerca de qual foi a provável rota de fuga dos israelitas assim que o Império entrou em decadência, o que veio a ocorrer apenas 70 anos depois da queda do reino de Israel. Se o Império Assírio levou 1.200 anos para ser erguido sua queda ocorreu em pouco mais de 30 anos.

 

No entanto, a Assíria que também não sabia o que estava fazendo, apesar destas infames deportações, levava os povos como unidades familiares o que lhes permitia manter uma certa identidade nacional perseguindo um destino comum na terra de seu exílio enquanto ela mesma ia se enfraquecendo gradualmente até desaparecer como poder na poeira da história.

 

Não estamos falando aqui do desaparecimento do povo assírio, mas do desaparecimento do poder assírio, cuja última tentativa de independência ocorreu na revolta contra o reino Aquemenida no ano 482 AEC que foi reprimida por Dário. A AINA uma organização assíria estima que existem 3,337.000 assírios vivendo em vários países principalmente do Oriente médio onde são discriminados e perseguidos pelos amantes da “religião da paz.” Existem cerca de 550 mil cristãos assírios no Iraque, no mínimo 750 mil na Síria, em torno de 80 mil no Irã, cerca de 50 mil na Turquia e 100 mil no Líbano e mais de um milhão na diáspora ocidental. Este povo precisa de nossas intercessões, pois sua história tem sido a de sofrimento e martírio idênticos aos que os judeus sofreram ao longo da história. E para eles há uma maravilhosa promessa.

 

Ao intentar o mal contra um Israel merecedor dos mais severos castigos por ter abandonado a verdade, e amado a mentira, levando-o para longe da sua terra a Assíria estava preparando o cumpirmento de uma das mais belas profecias, a que fala do retorno de Israel nos últimos tempos. Simultaneamente o cativeiro assírio cumpre a profecia da partida de Israel e prepara a de seu regreso. Assim, devemos mais ao infame império assírio do que normalmente imaginamos.

 

“Portanto eu vos lançarei fora desta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais; e ali servireis a deuses estranhos de dia e de noite; pois não vos concederei favor algum. Portanto, eis que dias vêm, diz o Senhor, em que não se dirá mais: Vive YHWH: que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito; mas sim: Vive YHWH, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, que dei a seus pais.” Yimiahú/Jeremias 16:13-15.

 

Antes porém que Israel retornasse ele precisava ser livre para ir a todas as nações, e para isso a Assíria tinha de cair. Assim, o gigantesco império que dominou territórios hoje pertencentes a Sudão, Egito, Israel, Líbano, Síria, Jordânia, Turquia, Arábia Saudita, Kuaiti, Katar, Iraque e Irã e que governava seus conquistadores com mão de ferro arrastando povos de suas terras, separando-os entre si para que não pudessem tentar uma revolta desmoronou por  sua própria truculência. Quem poderia imaginar que aquele império do mal que fez tantas desgraças a ponto de nunca mais se erguer, estava pela sua queda sendo preparada para as maiores alturas?

 

Quando Sargão II que havia humilhado a Israel morreu em 705 seu filho Senaqueribe, aquele que se lançou contra Yehudá e Yerushalaim perdendo 185.000 homens feridos de morte quando se preparavam para tomar a cidade santa, tomou as rédeas do governo e reinou de 705 a 681. Assassinado por seus filhos, envergonhados com tão colossal derrota, ele foi sucedido por seu filho Esarhadon (681-669 AEC) que estava em campanha militar nas montanhas do Cáucaso quando ele foi morto.

 

Com a morte de Esarhadon assumiu o poder Assurbanipal (669-627 AEC), o mais famoso dos reis assírios e talvez o mais cruel, já que representações o mostram prendendo um rei derrotado num canil junto com cães. Mas o Império estava chegando ao fim.   Uma série de guerras civis agitaram o império com diferentes pretendentes ao trono, o que serviu de sinal para os grandes povos que ele dominara se revoltarem.

 

         O leão babilônico estava prestes a se levantar de sua ramada. No ano 625 Nabupolasar (625-605), rei do estado vassalo da Babilônia se levantou contra a Assíria tomando a cidade de Nipur em 620. Quando os assírios se preparavam para enfrentar os babilônios os Medos se levantaram e proclamaram sua independência e pouco depois em 616, o rei dos Mesas Uvarkhshattra (645-585) mais conhecido como Ciaxares, fechou uma aliança com Nabupolasar, rei de Babilônia. Durante quatro anos a Assíria sofreu reveses até que Ninive caiu em 612. Os exércitos assírios se dirigiram então para o ocidente, a Assíria estava desmoronando para que seus cacos só viessem a ser juntados novamente em plena era messiânica. Logo se existe um povo através do qual a imensa misrericórdia de Adonay se revelará com vivas cores esse povo é o am suryo, o povo assírio. Claro que para isso sua rúina ainda tinha de se completar.