As Tribos Perdidas Entre os Povos da Ásia (Parte I)

Como as Tribos Perdidas se Espalharam Pela Ásia

Rosh Baruch Ben Avraham

 

A Ásia é o maior continente da terra, ocupa 8,6% da superfície do planeta com 44,6 milhões de km², possui 49 países e 7 territórios concentra 60% da população mundial com 3,9 bilhões de pessoas e é também o continente onde se localiza Israel, o país que o une à Africa através do Mar Vermelho. Terra de países super-povoados, a Ásia é também o continente de muitas línguas, são 100 línguas faladas nas Filipinas, 600 faladas na Indónésia, e mais de 800 línguas faladas na Índia. Se existe uma região onde todos os povos da terra se misturam e onde a promessa de que Avraham seria o pai de uma multidão de nações se cumpriu este lugar é a Ásia.  Sim, já que a 4.000 anos Adonay prometeu que Avraham teria por filhos uma multidão de nações.

 

“Quanto a mim, eis que o meu pacto é contigo, e serás pai de uma multidão de nações;não mais serás chamado Avraham, mas Avraham será o teu nome; pois por pai de muitas nações te hei posto; far-te-ei frutificar sobremaneira, e de ti farei nações, e reis sairão de ti.” Bereishit/Genesis 17:4-6.

 

Antes porém de partirmos para esse imenso continente de contrastes, de povos semitas, canitas e yafetitas onde brancos, negros e amarelos se misturam e onde nasceram as religiões que dominam o mundo e os povos que mais o influenciaram recoradremos a história do povo eleito, cujos traços de sua dispersão viremos a buscar depois. 

 

 Quando Adonay Tsebaot estabeleceu seu pacto com Israel lhes deixou muito claro que os preservaria, guardaria suas fronteiras e os tornaria um terror contra seus inimigos sob a condição de que o temessem e guardassem seus mandamentos, estatudos e juízos. Todavia se não ouvissem a Adonay e se entregassem ao pecado  seguindo os passos das nações então o Eterno os castigaria. Enfermidades e epidemias que encurtariam suas vidas viriam sobre eles, inimigos furtariam suas colheitas fazendo-os passar fome, os feririam trazendo sobre eles o terror e os dominariam com um ódio tal que eles fugiriam se suas próprias moradas. Vaykrá/Levítico 26:14-17.

 

Contudo, se isso não bastasse, outros castigos poderiam ser trazidos, como o enfraquecimento da terra, a quebra das suas colheitas e o terror trazido pelas feras do campo que matariam suas crainças e devorariam seu gado. (Vaykrá/Levítico 26:20-22) Se por esses juízos não fizessem teshuvá os inimigos trariam sobre eles tal espanto que os fariam abandonar o campo e se apinhar nas cidades onde sofreriam a mortandade provocada pelas epidemias   e pela fome tão grande que suas mulheres se socorreriam da mais vil de todas as formas de matar a fome, a antropofagia que as faria devorar seus próprios filhos como se fossem carneiros do rebanho.  (Vaykrá/Levítico 26:23-26).

Se ainda assim não se voltassem a fome os atingiria de tal forma que comeriam a carne de uns aos outros, e os inimigos os matariam sobre seus próprios ídolos e seriam abomináveis para o Eterno, o próprio santuário seria destruído, seus sarcifícios seriam recusados e as suas cidades seriam reduzidas a escombros tais que até os inimigos ficariam espantados. (Vaykrá/Levítico 26:27-32).

Se tudo isso porém não produzisse efeito, então a mais radical das setas do Todo-Poderoso seria descarregada de sua aljava e a promessa feita a Avraham de que aquela terra sagrada pertenceria a seus descendentes perderia seu efeito e eles seriam arrancados dela e levados para o exílio para morrer numa terra que não era deles.

“Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto... Assim perecereis entre as nações, e a terra dos vossos inimigos vos devorará.”  (Vaykrá/Levítico 26:-33,38).

No entanto, o Eterno deixou muito claro, que na terra de seus inimigos, onde sofreriam torturas atrozes e onde pela noite clamariam para ver o dia e de dia para ver a noite eles não seriam abandonados a ponto de serem aniquilados, mas em meio aos severos juízos também seriam alvo de um amor inexplicável cuja única causa seria o cumprimento da promessa feita aos patriarcas.

 

“Todavia, ainda assim, quando eles estiverem na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei nem os abominarei a ponto de consumi-los totalmente e quebrar o meu pacto com eles; porque eu sou o Yah seu Elohim. Antes por amor deles me lembrarei do pacto com os seus antepassados, que tirei da terra do Egito perante os olhos das nações, para ser o seu Elohim. Eu sou Yah.” (Vaykrá/Levítico 26:-44,45)

Israel é guardado por um pacto incondicional e Eterno pelo qual o próprio Rei do Universo garantiu que seria o Elohim da semente de Avraham por toda a eternidade e que sua rejeição só seria possível se as leis da natureza deixassem de operar.

 

“Estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti.” Bereishit/Gênesis 17:7.

 

“Assim diz Yah, que dá o sol para luz do dia, e a ordem estabelecida da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, de modo que bramem as suas ondas; Yah Tsabaot (Eterno dos Exércitos) é o seu nome: Se esta ordem estabelecida falhar diante de mim, diz o Senhor, deixará também a linhagem de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.” Yirmiahú/Jeremias 31:35-36

Mais do que isso, Adonay prometeu que ainda que esse desterro, seja para a parte mais distante da Terra, um dia, quando eles se convertessem, o Eterno os traria de volta.

 

“Quando te sobrevierem todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que pus diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações para onde Yah teu Elohim te houver lançado, e te converteres a Yah teu Elohim, e obedeceres à sua voz conforme tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, Yah teu Elohim te fará voltar do teu cativeiro, e se compadecerá de ti, e tornará a ajuntar-te dentre todos os povos entre os quais te houver espalhado Yah teu Elohim. Ainda que o teu desterro tenha sido para a extremidade do céu, desde ali te ajuntará Yah teu Elohim, e dali te tomará.” Devarim/Deuteronômio 30:1-4.

Pareceria à primeira vista que a promessa aqui é completamente condicional, e que dependeria inteiramente daqueles que se rebelaram e foram castigados, o se submeterem a Elohim para serem por ele curados e trazidos de volta. Com efeito essa tem sido a interpretação de muitos que supõem que uma vez que Israel nunca se converteu em massa, também a promessa jamais de cumprirá. Isso é um engano, pois a promessa do retorno não se assenta apenas na condição da conversão de Israel, mas principalmente na ação daquele que o converterá, Adonay Tsebaot, por essa razão a rebelde Israel clama profeticamente através do profeta:

            "Converte-me, e serei convertido" (Yirmiahú/Jeremias. 31:18).

Por essa mesma razão o preofeta Moshe declara:

“Também Yah teu Elohim circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames a Yah teu Elohim de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas.” Devarim/Deuteronômio 30:6).

Assim, existe um marcado contraste entre a causa do desterro de Israel entre as nações que foram seus próprios pecados a a causa do retorno que é a misericórdia de Adonay e o amor de seu nome que não pode ser profanado pela quebra de seu próprio pacto.

“Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, então eles a contaminaram com os seus caminhos e com as suas ações. Como a imundícia de uma mulher em sua separação, tal era o seu caminho diante de mim. Derramei, pois, o meu furor sobre eles, por causa do sangue que derramaram sobre a terra, e porque a contaminaram com os seus ídolos;  e os espalhei entre as nações, e foram dispersos pelas terras; conforme os seus caminhos, e conforme os seus feitos, eu os julguei. E, chegando às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome, pois se dizia deles: São estes o povo de Yah, e tiveram de sair da sua terra. Mas eu os poupei por amor do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi.” Yechezkiel/Ezequiel 36:17-21.

Assim, o Eterno mostra que por causa dos seus pecados eles foram tirados da terra de seus pais e em pecado andaram na terra estrangeira, pelo que a única razão de sua preservação foi o amor que o Eterno tem por seu próprio nome. Logo, apesar de seus deméritos, a chesed ou misericórdia de Adonay foi a causa de não serem consumidos na terra de seu exílio. Da mesma sorte a única causa do retorno de Israel profetizado de Israel será  a fidelidade de Adonay a seu próprio nome. De sorte que é uma tolice supor que as promessas não se cumprirão pela infidelidade de Israel em terra estranha ser tão grande como a que manifestaram em sua prórpia tera. Israel será trazido de volta de todas as terras para ser purificado e para obedecer, para receber um novo coração e ser plenificado pelo espírito, não por sua pureza, obediência ou espiritualidade.

 “Dize portanto à casa de Israel: Assim diz Yah ELohim: Não é por amor de vós que eu faço isto, o casa de Israel; mas em atenção ao meu santo nome, que tendes profanado entre as nações para onde fostes; e eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; e as nações saberão que eu sou Yah, diz Adonay Elohim , quando eu for santificado aos seus olhos. Pois vos tirarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.” Yechezkiel/Ezequiel 36:22-27.

O Eterno não pede a mortos que são a casa de Israel estendidos no vale como ossos secos para que caminhem, pelo contrário ele os vivifica para que possam se levantar sobre seus próprios pés e andarem sob seu comando. É por isso que no Sefer Yeshayahu, (Livro de Isaías) Adonay se levanta como um Rei e declara:

 "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o maleu, o Senhor, faço todas estas coisas." Yeshayahú/Isaías 45:7.

 

Ele que fez o mal ao castigar a Israel também fará o bem em perdoar a Israel, ele que fez o mal em levá-los para terra estranha, também fará o bem em trazê-los de volta para a sua terra. Mas mesmo a partida de Israel para as nações, embora pareça ser um mal em si, não o é, sendo antes pelo contrário o instrumento da bondade de Elohim por meio da qual cumpre sua promessa de que Avraham seja o pai de uma multidão de nações. Estas palavras foram dirigidas a um povo rebelde que vivia em relativa tranquilidade na sua terra desfrutando ainda do prestígio e poderio que restara a Israel dos tempos gloriosos de David. A Bíblia mostra que Por seus pecados Israel foi usado como trampolim pelos seus inimigos que se digladiavam entre si.

Naquele tempo, época do Rei Tsedekiah (Ezequias) Israel enfrentava a pressão das potências do Oriente Médio, tanto as que se localizavam ao sul, já no continente africano como Kush (Etiópia) e Mitzraym (Egito) como as que se localizavam a leste como Ashur (Assíria), Bavel (Babilônia), Media, Elam e Persia que lutavam entre si pelo domínio da região e insistiam em fazer da terra santa dada a Avraham, Ytzchak e Yakov uma terra de ninguém em suas passagens para as batalhas épicas do mundo antigo.