A Ressurreição Espiritual e o Retorno de Todo o Israel à sua Terra  (Parte I)

 

A Saga do Povo Castigado Muitas Vezes, mas Jamais Rejeitado

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

Após a ascensão de Shlomo há Melech (o Rei Salomão ao trono o reino de David ocorrida no ano 971 AEC, Israel se apartou rapidamente do caminho da justiça, do dever e da santidade, conduzido a apostasia pelo exemplo de seu próprio monarca, que apesar de tudo viveu esplendidamente, morreu em ditosa velhice no ano 931 AEC depois de reinar por 40 anos em Yerushalaim. A relativa paz e  prosperidade desfrutada nos dias de Shlomo, paz e riqueza tal qual nunca houve na história de Israel se deveu à promessa feita por Adonay a David há Melech de que seu filho não seria rejeitado, ainda que pecasse e serviu à revelação da natureza incondicional da aliança da graça e do fato de que quando Elohim ama alguém ou alguma coisa ele continuará amando por toda a eternidade.

 

"Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de tí o teu descendente (salomão), que procederá de tí, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia(Amor) não se apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei diante de tí.” Shmuel Beit 7:12-15.

 

Isso é significativamente maravilhoso. Não se pode falar da queda de Shlomo de todo o mal que ela representou ao se casar ele com mulheres gentílicas e se prostrar ante suas divindades imundas traindo a aliança de Israel com seu Elohim, aliança de adorá-lo com exclusividade absoluta, sem falar também do amor perdoador e da graça manifestada em sua vida. Esta graça o tocou tão profundamente ao final de sua vida como o tocara nos dias de sua mocidade antes de seu vergonho desvio.

É exatamente por isso que o monarca não só reconhece em seu sefer há kohelet (Eclesiastes) a fatuitade de seu comportamento como também exorta seus leitores a lembrarem do Criador nos dias da sua mocidade, antes dos dias em que a alma já não encontra contentamento dentro do corpo. Conclusivamente ele os exorta a temer a Elohim e guardar suas mitzvot afirmando:

 

“Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Elohim e obedeça os seus mandamentos porque isso é o essencial para o homem¨. Kohelet/Ec 12:12. 

 

Não há dúvida, pois, que Shlomo viveu para fazer jus a seu nome que significa o Pacífico e que sua vida manifestou o cumprimento da honrosa promessa feita por Elohim a David. Em certo sentido Shlomo é uma representação da vida de Israel carregado por seus muitos e grandes pecados, sendo o maior deles o da idolatria que o conduziu à ruína, mas também uma representação da graça soberana, infalível e irresistível que salva para sempre.

 

No entanto, tão certo como o Eterno ama seus eleitos com amor eterno e incondicional também é certo que não tolera seus pecados e não os deixa sem punição nessa vida, mesmo que isso implique a visita da maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração, ao contrário de grupos cristãos fundamentalistas que imaginam que o pecado dos pais se prende aos filhos de tal forma que os filhos dos filhos por todas as gerações estão sob a ira ardente de Adonay quando seus antepassados desafiam sua vontade.

 

Isso bem pode ser verdade em relação aos moabitas, amonitas, cananeus e amalequitas, mas nuca em relação aos filhos de Israel ou aos descendentes dos judeus espalhados entre as nações. Em relação, porém ao povo eleito a maldição lhes acompanha apenas até a terceira geração ou em gravidade maior até a quarta geração, não mais do que isso sem importar o tipo de pecado praticado. Isso é válido inclusive para a geração que rejeitou a Yeshua e seus respectivos descendentes.

Aqui é preciso lembrar que subsiste em diversas comunidades cristãs e crença errônea de que o povo judeu, por ter rejeitado a Yeshua entregando-o para morrer às mãos dos gentios, mais precisamente do povo romano que mais tarde fundou a Igreja Católica Apostólica Romana está sob a permanente ira de Elohim como um povo maldito sobre a terra. Verdade é que advertidos por Pôncio Pilatos, Governador da Judéia entre 26 e 36 DEC de que não achava naquele homem crime algum e que ele era inocente, pelo que desejava estar livre de seu sangue, lavando as mãos em sinal de sua inocência o povo estimulado por uma pequena trupe impiedosa clamou: “que seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!” (Mt 27,25), mas isso em nenhum momento significou que o Eterno estava tomando esse testemunho contra eles e principalmente contras suas futuras gerações.

Pelo contrário, o próprio Yeshua ao chegar ao madeiro, e estando prestes a abandonar o corpo exclamou: “Paiperdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34). Kefa lembrou a seus ouvintes: Elohim de vossos pais “ressuscitou a Yeshua, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro; sim, Elohim, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão de pecados.” Atos 5:31.

Portanto, a única forma como o sangue de Yeshua pode cair sobre Israel é para a sua redenção, seu sangue não se destina à condenar, mas a expiar pecados, justificar faltosos e a salvar transgressores. Por outro lado, seríamos tolos se não nos apercebêssemos que se a geração de Yirmiahú (Jeremias) foi culpada por haver preso a seu profeta ou a de Yeshayahú (Isaías) por tê-lo cerrado ao meio, a de Yeshua por ter consentido na sua morte e estimulado os gentios a executá-lo se faz muito mais culpada. Assim, a destruição de Yerushalaim na geração daqueles profetas se repetiu com força muito mais avassaladora na geração que viveu os dias de Yeshua. O próprio Messias, quando mulheres piedosas choraram ao ver sua humilhação e sofrimento sem causa lhes disse: “Filhas de Yerushalaim, não choreis por Mim; chorai, antes, por vós e por vossos filhos, pois eis que virão dias em que se dirá :Felizes as estéreis, as entranhas que não conceberam e os seios que não amamentaram. Porque se fazem assim com o lenho verde, o que acontecerá com o seco?”(Lucas 23,27-31).

O que Yeshua estava dizendo é que os romanos que hora estavam levando a ele, o lenho verde para tal suplício, voltariam com inusitada maldade para fazer consumir o lenho seco (sua nação), o que fizeram exatamente passados pouco mais de 30 anos. Nada aqui faz supor uma maldição geracional e só ignorantes da Torah podem afirmar semelhante estupidez de que os judeus sofrem hoje, passadas 40 gerações pela rejeição de uns poucos que no uso de seus poderes políticos o entregaram à morte, quando o Eterno que não mente afirma que sua ira se prolonga apenas e tão somente até à quarta geração. “Pois eu, Yah teu Elohim, sou Elohim zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração.” (Shemot/Êx 20:5)

Justamente por isso, tendo aquela geração sido culpada, ainda que não totalmente já que além dos doze shalichim serem todos judeus de nascimento, sabemos que o arranque inicial da obra, se deu quando a ruach há kodesh veio quando “em Yerushalaim estavam habitando yehudim (judeus), homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu... tanto judeus como prosélitos.” Atos 2:5,10.

Esta vinda da ruach ocorreu justamente quando judeus e prosélitos do judaísmo (não gentios no sentido absoluto do termo) estavam celebrando a festa bíblica mais vinculativa à Torah, que é a festa de Shavuot, ou festa das semanas popularizada como festa do pentecostes. Assim manifestou Adonay o signo de sua aprovação tanto a judeus como a prosélitos do judaísmo justamente quando celebravam a outorga da Torah. Outra prova de que não de pode imputar ao povo judeu um crime que não cometeu, pelo menos naquela geração, que é o da rejeição completa de Yeshua é o fato de que “crescia a palavra de Elohim, e em Yerushalaim se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à .”  Atos 5:31.

Além disso sabemos que no segundo concílio de Yerushalaim o êxito da pregação de Yeshua fora tal entre os judeus que tanto se admiravam os judeus pelo que Shaul e Bar Navi fizeram entre os gentios como se admiravam os não judeus pelo êxito que Yakov, Yochanan e Kefa haviam tido entre os judeus como bem disse Yakov: “dezenas de milhares há entre os judeus que creem, e todos são zelosos da Torah (lei)." (Atos 21:20)

Foi exatamente o que aconteceu com a Casa de David por conta dos pecados de Shlomo. Seus filhos não andaram no caminho da justiça, imitaram seus pecados, prostraram-se diante dos Elohim das nações e sofreram as consequências já que Adonay impede que sua ira eterna venha sobre os eleitos, mas não as consequências manifestas em sua ira temporal. Assim, embora o Eterno mantivesse a promessa de que finalmente a Casa de David governaria todo o mundo através do Maschiach, ele não impediu que os castigos temporais viessem sobre seus descendentes com a perda da soberania, dos bens, da liberdade, e não raro da própria vida.

 

Nesse processo de distanciamento da verdade e apostasia se notabilizou o filho de Shlomo Rechavam, herdeiro do trono de Davi que lhe ocupou o trono de 930 a 911 AEC. Imitador de seu pai numa porção de coisas, Rechavam fez exatamente aquilo que a Torah proibia, multiplicando para si mulheres (Devarim/Dt 17:17) ao tomar para si 18 mulheres e 60 concubinas que lhe deram 88 filhos e filhas, ainda que nem tantas como as 300 esposas e 700 concubinas e por certo as centenas de irmãs e irmãos que seu pai lhe deu.

 

Rechavam, o filho de Shlomo com Naamah a amonita foi não apenas um homem de pouco tino político, mas principalmente um homem sem discernimento espiritual. Pela sua insolência Rechavam (Roboão), insultou os roshim (cabeças) das 10 tribos de Israel ameaçando-lhes com mais impostos e a Adonay. “Ele fez o que era mau, porquanto não dispôs o seu coração para buscar a Yah.” Divrei Hayamim/2 Cr 12:14.

 

Como punição viu Israel dividir-se e seu reino diminuir. O que faltava em tino político ao filho de Shlomo sobrava em Yaraveam, ex- comandante do exército de Israel, e isso ele usou para atrair as dez tribos de Israel. Sua insolência foi a causa da divisão do reino restando-lhe apenas duas tribos que se mantiveram fiéis ao trono de David. O reino do norte, composto pelas dez tribos conduzidas por Yaraveam rompeu com a Casa de David ou Casa de Yehudá formada por Yehudáh e Binyamin e constituiu a Casa de Israel como entidade separada.

 

Esta Casa de Israel também chamada Casa de Efraym devido à liderança da tribo de Efraym sobre eles e Casa de Yosef por que reúne as duas meias tribos formadas pelos filhos de Yosef ficaria separada política, física e espiritualmente da Casa de Yehudáh, mas não para sempre. Esta separação ficou nitidamente ilustrada através da figura das duas varas que o profeta Zecharayah tomou em sua mão, a Graça e a União.

 

E tomei para mim duas varas: a uma chamei Graça, e à outra chamei União; e apascentei as ovelhas.” Zecharya 11:7.

É por meio da Graça que Adonay salva a Israel, não apenas da condenação eterna e do castigo intérmino merecido pelos seus pecados, mas também dos castigos temporais por sua rebelião e apostasia e é por meio da União de Israel que os povos da terra podem ver que Adonay está com eles e que o Messias Reina como se vê na oração de Yeshua: “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” Yochanan/Jo 17:21.

No entanto, lemos que o profeta tomou a vara chamada graça e a quebrou para desfazer o pacto “estabelecido com todos os povos.” Zechariah 11:10. Aqui, o texto hebraico reza: “Le`hafeyr et berit asher karaty kol há`amim,” (para desfazer a minha aliança com todos os povos), onde a expressão amim, plural de am ou povo, refere-se apenas e tão somente aos descendentes de Yakov coletivizados nas shivtey Yisrael shenin aser (doze tribos de Israel). Bereishit/Gn 49:28.

A partir daí estas tribos já não subsistiriam mais como uma unidade política e espiritual toda ela unida pela mesma adoração. Note-se que não são mencionados os goym ou gentios, mas os amim ou povos uma vez que o próprio Avraham havia sido escolhido não só para ser o pai biológico de judeus e árabes, mas também para ser o pai biológico de uma multidão de nações gentílicas. Esta paternidade só seria alcançada quando os Amim Israel (povos de Israel) abandonando sua casa fossem levados aos Amon goim (multidões de povos) e se misturassem com eles através do casamento.

O texto hebraico não deixa dúvidas acerca disso quando declara: “ve`haytáh le`av `hamon goym.” e serás pai de uma multidão de nações.” Bereishit/Gn 17:4. Assim, o que o Eterno faz naquele momento é desfazer a aliança pela qual ele trata Israel como seu povo e este se volta para ele como único Elohim. Desfeita essa aliança, Israel pode alcançar de maneira inusitada, como se Adonay escrevesse certo em linhas tortuosos, aquilo para que foi levantado para estar entre o kol ami há`aretz (todos os povos da terra) e estes possam ver finalmente que Adonay está com eles. Devarim/Dt 28:10.

No entanto, para que isso seja alcançado e Israel possa ser uma multidão de povos gentios é preciso que não apenas se desfaça a aliança de Adonay com todos os doze povos de Israel. É necessário algo mais.

Estes povos associados em dois estados separados, mas que se reconheciam como irmãos, adotando a mesma língua, crendo no mesmo Elohim e nos mesmos profetas e não raro aliados na guerra contra as nações estrangeiras viriam a quebrar completamente sua irmandade. Para representar isso o profeta toma a hafer a vara que representa a “há`achaváh be`in Yehudáh u`beyn Israel” (a irmandade entre Judáh e Efraim) e a quebra ao meio.

“Então quebrei a minha segunda vara União, para romper a irmandade entre Yehudáh e Israel.” Zechariah 11:14.

O que o profeta representará agora é justamente a separação entre Judá e Israel que dissolvem sua irmandade, já não se reconhecendo mutuamente, da mesma forma como dois irmãos órfãos dados em adoção para casais diferentes e sem qualquer contato rompem tão completamente seus vínculos afetivos e familiares que nem sabem e nem desejam saber nada um do outro. 

Note que o profeta representa duas coisas distintas. Não é apenas Israel que se separa de Yehudáh como um bebê é tirado do berço e impedido de crescer com seu irmão deixando de reconhecer a supremacia de Yerusahalaim, a santidade do Templo e a escolha do Monte Tzion. Pelo contrário, antes que isso aconteça é o próprio Eterno que abandona a Casa de Israel como se não lhe pertencesse, como um marido quebra a aliança do matrimônio entregando o Get, o divórcio àquela nação que já foi sua amada, a saber, a Casa de Israel. Libertando-a de seus compromissos para que ela possa sentir-se livre. 

 No entanto, o nome dessas duas varas quebradas pelo profeta denota tudo aquilo que finalmente o Eterno fará em Israel e por Israel concedendo-lhe não só a graça que salva mas a unidade que o faz forte. Ainda que isso não deva acontecer antes que todos os povos da terra sejam beneficiados com o sêmen de Avraham que fará dos gentios híbridos com Israel graças à quebra de irmandade entre as duas casas e ao fato de que Efraim se torna como um dos povos gentios, vive como tal, e inclusive é tratado como se fosse gentio.

Mas mesmo aqui é preciso que se diga, para que não se tire conclusões erradas, que o divórcio foi dado apenas à Casa de Israel, e não à Casa de Yehudáh.  Ainda que as duas casas pecaram, e a maldade de Yehudáh foi em tempos considerada ainda maior que a de Israel, justamente por que os vínculos entre Israel e o Eterno haviam sido rompidos e os vínculos entre o Eterno e Yehudáh não, o Criador se considerou divorciado apenas de Israel e não de Judá. Metaforicamente o Eterno compara sua relação com as duas casas a um homem que estando casado com duas esposas, ambas infiéis e adulteras, decide dar divórcio a uma delas. O Divórcio concedido à pérfida Israel a liberou de tal maneira de seus compromissos conjugais que dali em diante ela já não podia ser chamada de adúltera, mas apenas de prostituta.

 “Disse-me mais Yah nos dias do rei Yosiah: Viste, porventura, o que fez a apóstata Israel, como se foi a todo monte alto, e debaixo de toda árvore frondosa, e ali andou prostituindo-se? E eu disse: Depois que ela tiver feito tudo isso, voltará para mim. Mas não voltou; e viu isso a sua aleivosa irmã Yehudá. Sim viu que, por causa de tudo isso, por ter cometido adultério a pérfida Israel, a despedi, e lhe dei o seu libelo de divórcio, que a aleivosa Yehudáh, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.” Yirmiahú/Jr 3:6-7.

Nesse sentido, Yehudáh se revelou ainda mais ímpia que Israel, pois enquanto Israel foi despedida, libertada pelo get (divórcio) de sua obrigação de fidelidade a Adonay, a Casa de Yehudáh, mesmo não tendo sido despedida continuou com suas maldades prostituindo-se com conceitos pagãos e adulterando com os ídolos e com os elohim das nações. Ela foi mais perversa por que Israel prontamente se casou com os ídolos. Yehudáh no entanto conservou uma forma de piedade, mais detestável que a perversidade franca. Esta foi causa de uma longa queixa por parte de Adonay que diz em relação a Yehudáh:

“Contudo, apesar de tudo isso a sua aleivosa irmã Judá não voltou para mim de todo o seu coração, mas fingidamente, diz o Yah. E Yah me disse: A pérfida Israel mostrou-se mais justa do que a aleivosa Yehudáh.” Yirmiahú/Jr 3:10-11.

Demonstrado que Adonay não se divorciou de Yehudáh, apesar de que seus pecados serem maiores, retornemos à sorte de Israel. Num gesto de acolhimento e de amor incondicional Yah revela a disposição de fazer o que a sua lei não permite que o homem faça, receber de volta uma mulher que já foi doutro homem. Assim ele chama Israel a fazer o retorno, apesar de sua traição.

“Eles dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ela se desligar dele, e se ajuntar a outro homem, porventura tornará ele mais para ela? Não se poluiria de todo aquela terra? Ora, tu te maculaste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o Senhor.” Yimiahú/Jr 3:1-2.

Para demonstrar sua firme disposição de receber Israel de volta ele ordena ao profeta Yirmiahú que exerceu seu ministério em Judá, ao sul, que clame, virado para os lados do norte, que serviram de rota de cativeiro tanto para a Casa de Israel como para Judá.

“Vai, pois, e apregoa estas palavras para a banda do norte, e diz: Volta, ó pérfida Israel, diz YHWH. Não olharei em era para ti; porque misericordioso sou, diz YHWH, e não conservarei para sempre a minha ira. Somente reconhece a tua iniqüidade: que contra Yah teu Elohim transgrediste, e estendeste os teus favores para os estranhos debaixo de toda árvore frondosa, e não deste ouvidos à minha voz, diz Yah.” Yirmiahú/Jr 3:12-13.

No entanto, esse clamor do profeta não se destinava a fazer Israel retornar  antes do tempo. Pelo contrário, aquele que é capaz de arrancar o bem supremo do maior  mal determinou a benção do mundo através da queda e apostasia de Israel. Ela só retornaria quando rompesse a sua  irmandade com Judá se multiplicasse no exílio.

Só depois que seus corações rebeldes falassem àquilo que Efraimitas e anusim dizem hoje: “não queremos nem recordar da Torah de Moshe,” deveriam eles voltar. Esse regresso se dará sob a condução de novos pastores, não esses que ignorantemente os distanciam da Torah, que os desviam de Yerushalaim e que os fazem esquecer o Monte Tzion, mas novos pastores segundo o coração de Adonay.

“Voltai, ó filhos pérfidos, diz Yah; porque eu sou como esposo para vós; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Tzion; e vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência. E quando vos tiverdes multiplicado e frutificado na terra, naqueles dias, diz Yah, nunca mais se dirá: A arca do pacto de Yah; nem lhes virá ela ao pensamento; nem dela se lembrarão; nem a visitarão; nem se fará mais. Naquele tempo chamarão a Yerushalaim o trono de Yah; e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome de Yah, a Yerushalaim; e não mais andarão obstinadamente segundo o propósito do seu coração maligno.” Yirmiahú 3:14-17.

Assim, o futuro de Israel está claramente elucidado. Ele há de se voltar inteira e completamente a Adonai com as duas casas, antes separadas em sua irmandade e se tornarão tornando-se outra vez um único povo na mão de Adonay.

“Naqueles dias andará a casa de Judá com a casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos pais.” ” Yirmiahú 3:14-17.