Multipliquem-se Como Peixes no Meio da Terra (Parte IV)

 

Como os Israelitas Chegam ao Brasil nas Caravelas Portuguesas

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

No entanto, ainda que o foco da presente mensagem seja a Casa de Efraim perdida entre os gentios nosso estudo não estaria completo a menos que abordasse a presença da Casa de Yehudá no Brasil onde alguns judeus se destacam veementemente no cenário nacional como Silvio Santos, Samuel Klein, Boris Casoy, William Boner, Tarso Genro, Jaques Wagner, Renata Sorrah, Luciano Szafir, Luciano Huck e Sérgio Groisman entre outros. Nomes que mostram que mesmo a Casa de Yehudáh, pequeníssima comparada a Efraim marca sua visível presença em todos os setores da vida nacional, seja nos negócios, na política, no entretenimento, nas artes, na musica, na literatura ou no jornalismo. Os judeus que praticamente fundaram essa nação continuam a estabelecê-la, trabalhando para torná-la mais rica, pluralista e honrada. A esmagadora maioria como judeus anônimos, cristãos de carteirinha, católicos, protestantes ou espíritas que desconhecem suas raízes e sua honrada origem.

 

Nos referimos aos benei anusim ou filhos forçados da Casa de Israel, mais precisamente da Casa de Judá cujos antepassados a mais de 20 gerações foram obrigados por um decreto real de Dom Manuel datado de março de 1497 que primeiro expulsava os judeus de Portugal para pressioná-los e logo decreta a conversão forçada de todos os judeus e dos poucos mouros (muçulmanos) que ainda havia no país num prazo de dez meses.

 

Nascia assim em 1498, apensas dois anos antes da descoberta do Brasil um novo conceito, o dos cristãos novos para os destacar dos católicos antigos, os cristãos velho.

 

Assim os judeus foram levados a abandonar a fé de seus pais e a  abraçar a fé dos lusitanos, que por sua vez séculos antes haviam sido forçados a abraçar a dos romanos, que era então um misto de judaísmo e paganismo que atendia pelo nome de catolicismo romano. 

 

Pouco depois as caravelas singrariam por mares nunca dantes navegados. A bordo das caravelas chegaram ao Brasil os primeiros judeus portugueses, então chamados de cristãos novos como Gaspar da Gama (1444-1520), um dos comandantes da Esquadra que descobriu o Brasil.  Gaspar da Gama, o primeiro judeu a tocar o solo brasileiro e Fernão de Noronha o primeiro donatário de terras a explorar o Brasil.

 

Sabe-se à muito tempo, embora isso não tenha recebido a divulgação que merece, que o primeiro judeu a pisar o solo brasileiro deve ter sido Gaspar da Gama (1444-1520) comandante da nau de suprimentos da esquadra de Cabral. Segundo João de Barros (1496-1570), historiador português, o próprio Gaspar lhe havia contado que sua família havia sido expulsa de Poznan na Polônia por ser judia uma informação confirmada também pelo historiador e humanista português Damião de Góis (1502-1574). Outro judeu a vir com Cabral foi Gaspar de Lemos cujo história foi estudada detidamente por Elias Lipner (1916-1998) um estudioso judeu nascido na Besarabia que viveu em Portugal e morreu em Israel e que resgatou a memória judaica de muitos cristãos novos.

 

Entre estes judeus cuja memória foi resgatada por Lipnser está Gaspar de Lemos, um dos 13 comandantes de Cabral e que voltaria ao Brasil descobrindo a Bahia de Todos os Santos em 1 de novembro de 1501 e a Bahia da Guanabara em 1 de janeiro de 1502, além de Angra dos Reis e da Ilha de São Vicente pouco tempo depois. 

 

Portanto se há um nome que se inscreve com força no marranismo desse país é o dos Lemos. Outro cristão novo – como então eram chamados os judeus recém convertidos ao catolicismo – que viria a aportar ao Brasil foi João Ramalho 1493-1580. Famoso pela sua facilidade em se relacionar com os índios, mais especialmente com as índias com quem teve muitos filhos.

 

João Ramalho e seus filhos mamelucos (mestiços de branco com índio) se dedicaram ao tráfico de escravos índios capturados nas selvas brasileiras.

 

A eles se juntaram o cristão novo Fernando de Noronha, que representava o banqueiro Jakob Fugger (1459-1525), um dos homens mais ricos da Europa, e que por isso conseguiu do Rei de Portugal juntamente com outros cristãos novos influentes a autorização para explorar a madeira do Brasil. Em 1506 eles aportavam a Lisboa com 5.000 toras de pau-brasil, escravos, principalmente mulheres índias e animais exóticos que lhes renderam lucros quadruplicados comparados aos gastos da viagem e que terminaram atraindo outros cristãos novos para a Colônia. 

 

A esperança deles é que no Brasil, longe dos olhares da igreja pudessem praticar algum tipo de judaísmo, ainda que não tão escancarado como aquele que praticavam antes de 1498. Eles tinham razão de sobra para isso, primeiro por uma questão de lealdade à religião de seus pais e de seu povo e segundo pelo medo que nutriam como cristãos novos já que o Reino que os convertera à força estava longe de lhes garantir segurança na própria capital do país como atestam o massacre ocorrido durante os festejos da Páscoa de 1506.

 

Assim, muitos judeus aproveitaram a oportunidade que os bons ventos lhes davam e vinham ao Brasil junto de cristãos novos que gozavam de grande influência diante do Reino.

 

Não há, pois, dúvidas de que com as caravelas chegaram ao Brasil não apenas portugueses, como costumeiramente se pensa, mas centenas de judeus portugueses, os cristãos novos, por vezes chamados de marranos (porcos em espanhol) uma alusão ao fato de que não eram cristãos de verdade como os demais católicos de origem não judaica, os cristãos velhos.

 

Visto não raro com desconfiança, e por vezes denunciados, os cristãos novos enfrentavam o desafio constante de buscar o poder e a riqueza para se proteger enquanto eram alvo cobiça de cristãos velhos prontos a lhes cerrar o caminho. Um exemplo disso é o que aconteceu com Branca Dias (1515-1558) cujo processo no Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa é o de número 5736 onde figura como filha de Afonso e Violante Dias.

 

Sendo acusada de judaísmo, Branca Dias foi condenada em 1544 a abjuração pública da fé judaica e a dois anos de cárcere e hábito penitencial que não cumpriu na totalidade, talvez por ter filhos pequenos. Pouco depois veio para o Brasil.

 

No entanto, Branca Dias continuou ao que parece a praticar o judaísmo às escondidas já que numa visitação do Santo Ofício, sua filha Beatriz Fernandes, residente em Pernambuco foi presa em Olinda em 1595 e acusada de judaísmo condenada à auto de fé, abjuração, cárcere e hábito penitencial perpétuo e confisco dos bens. Assim viviam os judeus entre Yeshua e Moshe, entre o cristianismo forçado e o judaísmo herdados dos pais. 

 

  Longe de qualquer perseguição, e com origem judaica normalmente ignorada, por ter entrado pra a Companhia de Jesus, o braço mais ímpio e perseguidor da igreja, mas apesar disso mais do que confirmada, o Padre José de Anchieta (1534-1597), fundador de São Paulo era filho da cristã nova Mência Dias de Clavijo e Larena e neto de Sebastião de Larena judeu converso do reino de Castela. Este é um dos muitos casos de cristãos de passado judaico que acabaram contribuindo na formação do Brasil.

 

Raposo Tavares (1598-1659), o bandeirante que deu cabo dos jesuítas espanhóis e destruiu-lhes as missões alegando que o fazia em nome da Lei de Moisés foi um dos filhos de judeus perseguidos pela inquisição. Já no início do século XVII com o Brasil sendo colonizado e explorado por causa de suas riquezas e pela produção da madeira e especialmente do açúcar, Portugal precisava de homens que fincassem as bandeiras do império no interior do imenso território.

 

Coube essa tarefa a Antônio Raposo Tavares, filho dos cristãos novos Fernão Vieira Tavares e Francisca Pinheiro da Costa Bravo nascido no Distrito de Beja em Portugal e morto em São Paulo. Raposo Tavares chegou ao Brasil em 1618.

 

Com a morte do pai organizou os Bandeirantes que partiram em direção ao interior atacando os postos avançados dos jesuítas, queimando igrejas e escravizando índios catequizados por estes.

 

Sua origem judaica falou mais alto quando o Rei autorizou a perseguição aos jesuítas espanhóis que lhe haviam desgraçado a família.

 

Questionado uma vez sob a autoridade em que fazia aquilo confessou seu amor ao judaísmo dizendo que o fazia sob a autoridade da lei de Moisés. Mas ele não foi o único a se empenhar na luta autorizada contra os jesuítas, arqui-inimigos dos judeus e comandantes da maldita “santa inquisição”.

 

Outros bandeirantes ou eram judeus ou geraram filhos judeus ao casarem-se com cristãs novas este é o caso de Belchior Dias Carneiro (1560?-1608), André Fernandes (1578-1644), Manoel Pires (1600-1659), Fernão Dias Pães Leme (1608-1681), Amador Bueno da Veiga (1650-1719), Jerônimo Pedroso de Barros (1684-1759).

 

Todos eles se bateram para reduzir a nada as reduções, como eram chamados os assentamentos jesuíticos que se espalhavam do Paraná ao Rio Grande do sul, dominados por clérigos espanhóis na sua maioria. Usando o aparelho do Estado os judeus assestaram violento golpe no setor da igreja que mais lhes era contrário e conseguiram impedir que a Inquisição tivesse sede no Brasil.

 

No entanto a inquisição acabou se fortalecendo, apesar de limitada apenas a visitações do Santo Ofício que jamais chegou a ter tribunal no Brasil. No século XVIII atentava contra a dignidade de António José da Silva (1705-1739), que preso em 1739 juntamente com sua mãe e sua prima a judia Leonor de Carvalho, a quem tomara por mulher, acabou sendo garrotado, medida de misericórdia aplicada pela igreja que permitia ao réu condenado por heresia ser morto de forma mais rápida quebrando-lhe o pescoço ou sufocando-lhe antes que seu corpo fosse arremessado às chamas, desde que ele decidisse morrer católico.

 

Sua mãe e esposa seriam libertadas, mas a esposa morreria logo depois de presenciar a cruel e desumana execução de seu esposo, cujo único ato de piedade por decidir morrer na fé católica foi ser submetido ao garrote antes de ser devorado pelas chamas da “santa inquisição”, liderada pela “santa madre igreja”, que supunha assim ter-lhe salvo a alma do inferno.

 

  A citação nominal destes cristãos novos, apenas alguns dentre centenas, demonstram o quanto a casa de Judá se imiscuiu no Brasil, e ao mesmo tempo explica por que nosso país se volta cada vez mais em direção ao protestantismo, forma primogênita da restauração, por que cerca de 2 milhões de seus filhos abraçaram o shabat e abandonaram os manjares imundos, mas principalmente por que se multiplicam aqui os ministérios judaico de restauração.

 

Se existe um país no mundo onde imperam nomes usados comprovadamente por judeus, esse país é o Brasil. Isso pode ser facilmente constatável tomando-se os sobrenomes sefarditas mais conhecidos e confrontando-a com uma lista telefônica de qualquer estado ou região do Brasil. Alertamos para o fato de que possuir um nome usado por judeus sefarditas ou por marranos (cristãos novos) não significa automaticamente que haja um passado judaico na família, mas isso é uma evidência que não pode ser descartada e que deve ser usada por aqueles que amam a restauração. No Brasil há 35 nomes sefarditas com mais de 1 milhão de pessoas. Estes nomes são suficientes para indicar claramente que um dos ramos da oliveira, a que representa a Casa de Yehudáh brotou no Brasil com grande ímpeto e seus ramos se espalham por toda a parte.

São nomes que foram e ainda são empregados por judeus sefarditas, tanto portugueses como espanhóis, os quais podem denunciar um passado judaico por parte de seus portadores.

 

Se seu nome não estiver na lista, sua pesquisa ainda não terminou, pois como foi dito acima, essa é uma lista resumida. Em breve teremos uma lista completa com todos os nomes e a história de alguns desses nomes figurantes nas listas de engenho, nos anais da inquisição ou no período holandês de Pernambuco. Faltar-nos-ia tempo para falar da Casa de Judá e da influência dela no Brasil e isso fugiria ao escopo do presente trabalho, mas uma coisa é certa, os judeus foram muito mais importantes na formação do Brasil colônia e no legado genético de nosso povo do que até aqui tem sido admitido. Recentemente pesquisa científica revelou que uma quinta parte dos espanhóis e até um terço dos portugueses descendem de judeus.

 

Muito mais que um Brasil português, italiano, alemão, ucraniano ou japonês há um Brasil judaico pronto a se redescobrir. Se numa estimativa tímida apenas um em cada dez dos 190,732 milhões de brasileiros revelados pelo Censo do IBGE de 2010 for de ascendência judaica teremos 19,073 milhões de benei anusim ou descendentes de judeus convertidos pela força da inquisição. 

 

Assim, para cada judeu reconhecido pela Agência Judaica haveria outros 198 descendentes de judeus nesse país. A maioria deles bons cristãos, não raro doutrinados por igrejas denunciadoras do povo judeu e inimigas declaradas das práticas judaicas. Naturalmente se projetarmos os dados de Portugal para o Brasil, que são de até um terço da população teremos uma prevalência muito maior do DNA judaico o que nos permite supor que entre 38 e 68 milhões de brasileiros podem ser descendentes de judeus.

 

Nenhum estudo com essa abrangência foi realizado até agora, mas estudiosos afirmam com base em registros genealógicos que no nordeste a presença do DNA judaico pode alcançar 70% de uma população de 54 milhões de habitantes. E se isso se projetasse no resto do Brasil chegaríamos a mais de 130 milhões de pessoas.

 

E o que pode ser  verdade em relação ao Brasil também o será em relação as ex-colônias da Espanha como México, Venezuela, Colômbia, Perú, Bolívia, Paraguay ou Argentina, ainda que nosso foco, por razões óbvias seja o Brasil. Veja que consideramos apenas projeções relativas aos descendentes de judeus que pertencem apenas à duas das doze tribos de Israel.

 

A população das dez tribos e particularmente de Eraim que forma uma multidão de gentios é incalculável e sua  soma deve alcançar as centenas de milhões e talvez mesmo bilhões de pessoas. Israel é o povo mais numeroso da terra. Precisa apenas se revelar. 

 

Sim, Israel se multiplicou como as estrelas do céu que não pode ser contada, como o pó da terra que não pode ser calculado,  como a areia que não pode ser medida e como peixes que não podem ser quantificados. E se isso pode ser notado através do globo também pode ser visto no Brasil onde os bnei anusim, ainda que sendo parte da casa de Yeshudáh vieram a ser a coluna fundamental de nossa anação, e onde imigrantes trazidos à força da África, atraídos do Japão, ou vivendo nas selvas começam a descobrir suas origens em Israel.