Multipliquem-se Como Peixes no Meio da Terra (Parte I)

Como a benção de Yakov para seus netos reverte na multiplicação de Israel e no fim do exclusivismo

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

 

Como já foi antes demonstrado a dispersão de Israel entre as nações havia sido determinada e profetizada muito antes do surgimento desse povo como nação, mais especificamente quando antes de morrer o grande patriarca Yakov abençoou seus dois netos, Efraim e Menashe (Manasses) a quem adotara como filhos. As Escrituras mostram que nesse momento o patriarca inverteu as mãos que abençoariam seus filhos adotivos colocando sua mão direita sobre a cabeça de Efraim o neto mais novo, em vez de a por sobre Menashe, o primogênito que recebeu sobre si a mão esquerda.

 

Foi um momento tremendo para Yakov. Durante anos pensava que nunca mais veria a Yosef, convencido pela perfídia de seus filhos que lhe trouxeram a túnica rasgada e manchada de sangue que uma besta do campo o havia devorado. Agora o engano está desfeito para a sua grande felicidade.

Agora ele vê a Yosef, o filho de Rachel a única mulher que ele realmente amou e vê os filhos que este havia gerado na terra de Mitzraym. Apesar de todas as conspirações de seus irmãos, Yosef cujo nome significa “Yah acrescenta” devia ser honrado acima de todos eles, e ter seu filho Efraim, cuja etimologia do nome é “dupla fertilidade” elevado acima de todos os filhos de Israel. A perda de Yosef por tantos anos deve agora ser recuperada de forma surpreendente.

 

“Mas Israel, estendendo a mão direita, colocou-a sobre a cabeça de Efraym, que era o menor, e a esquerda sobre a cabeça de Menashe, dirigindo as mãos assim propositadamente, sendo embora este o primogênito.” Bereishit/Gn 49:14.

 

Apesar de estar às portas da morte o grande patriarca decide adotar os dois netos como filhos cruzando sobre eles as mãos na hora de abençoá-los, invertendo a ordem natural das bênçãos, impondo a mão direita sobre o neto caçula e a mão esquerda sobre o primogênito para assim inverter também o destino que caberia aos descendentes destes, fazendo da tribo de Efraim a mais numerosa de Israel. Yosef receberia uma benção que nenhum outro de seus irmãos teria. Sua tribo seria dividida em duas meias tribos Efraim e Menashe e estas receberiam a promessa de uma multiplicação acelerada como a dos peixes a fim de que a Casa de Yosef fosse a maior de todo o Israel.

 

Mas se a Tribo de Yosef devia ser a mais numerosa de todas as tribos isso seria principalmente devido à benção da dupla fertilidade concedida a Efraim sobre seu irmão Menashe, nome que significa esquecimento. Também nesses nomes estaria envolvido um mistério para seus descendentes, o esquecimento da Torah e a explosão populacional que os levariam a crescer em apostasia até que por fim se recordassem de sua herança e de sua missão diante do mundo. Efraym e Menashe deveriam se multiplicar como peixes na terra. A multiplicação dos peixes é das mais aceleradas da natureza. A fêmea da tilápia vermelha (Oreochromis species) pode expelir 1.500 ovócitos de uma única vez, a da carpa (Cyprinus carpio) até 100.000 e a do Tambaqui (Colossoma macropomum) até um 1.000.000 de ovos.

 

Na natureza apenas 0,005% dos ovos do tambaqui se transformarão em filhotes com chances de chegar à vida adulta, ou seja 50 em cada 1.000.000. Esta situação se inverte de maneira assombrosa nos tanques de criação artificial onde o aproveitamento dos ovos pode chegar a 96% (960 mil em 1 milhão) o que demonstra a extraordinária capacidade de procriação dos peixes quando sua reprodução é colocada sob cuidados especiais. Assim o Eterno se comprometeu a cuidar do crescimento de Efraim e de Manasses fazendo deles o maior povo da terra.

 

Avisado pela ruach do destino que aguardava seus dois amados netos, agora adotados como filhos, Yakov cruzou as mãos na hora de abençoá-los para fazer deles os maiores em Israel. Menashe, esquecido como primogênito, mas não como filho se submeteria ao domínio de seu irmão mais novo que frutificaria muito mais do que ele.

 

Com os olhos físicos escurecidos pela idade, mas com os olhos espirituais iluminados pela revelação e repletos de confiança nas promessas do Criador, Yakov ergue suas mãos e declara que os descendentes de Yosef crescerão abundantemente como peixes no meio da terra:

 

“O Elohim em cuja presença andaram os meus pais Avraham e Ytzchak, o Elohim que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia, o anjo que me tem livrado de todo o mal, abençoe estes mancebos, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Avraham e Ytzchak; vê`ydegu la`rov be`kerev há`aretz (e como peixes multipliquem-se abundantemente no meio da terra).” Bereishit/Gn 49:15-16. 

 

O plano Eterno lançou Efraim entre as nações da mesma forma como um pescador lança alevinos num rio para fazer a despesca quando se tornem adultos. Assim foi a Casa de Efraym foi mandada ao exílio a fim de se misturar com os gentios produzindo um cardume de preciosos “peixes”, assim como um peixe colocado no local ideal se reproduz com extraordinária abundância. O objetivo era que ao iniciar-se a Era Messiânica pudessem ser eles trazidos novamente à adoração verdadeira através da rede da bessorat. Não estranha que Yeshua tenha dito ter sido enviado somente para as ovelhas perdidas da Casa de Israel.

 

Assim que se na Era Messiânica que já começou Yeshua está trazendo a si um inumerável cardume de peixes efraimitas no seu glorioso reino o Messias contará com um Israel multinacional.  A profecia indica o dia em que o Eterno enviará pescadores para pescar os filhos de Israel em todas as terras, momento em que a subida de Israel do Egito será ofuscada diante do novo êxodo.

 

Logo, se 600 mil homens saíram de Mitzraym (Egito), com suas mulheres e crianças, aguardamos o momento em que centenas de milhões partirão com suas famílias de todas as terras, de cada outeiro, de cada monte, de cada vale e de cada depressão deste mundo. Diante da grandeza da profecia nos apercebemos que é uma tolice imaginar que o retorno dos judeus à Israel nas 6 décadas que precederam à independência de Israel e dos que voltaram nas seis décadas que se seguiram são o cumprimento pleno da profecia.

 

Aguardamos um êxito muito maior do que o dos judeus chegados a Israel até aqui. Aliás, como veremos mais tarde, é de se esperar que cheguem a terra prometida mil vezes mais imigrantes do que todos os judeus que porventura tenham feito aliáh (retorno a Israel) na era contemporânea. Sabe-se que de 1882 -  quando havia apenas 25.000 judeus em Israel - até a presente data quando existem 5,7 milhões mais de 3,1 milhões de judeus aportaram a Israel vindos principalmente da União Soviética, do mundo árabe e da Europa Ocidental embora se possam contar dezenas de milhares de sul americanos, inclusive alguns milhares de brasileiros.

 

Ora, na América Latina, depois da Argentina com 68.631 emigrantes para Israel, o Brasil com 9.860 é segundo país que mais contribuiu para a Aliah seguido por Uruguai com 7,560, Chile com 5.198, México com 3.924, Colômbia com 2.374  e Venezuela com 1.285 imigrantes. No entanto, mais de 90% dos judeus brasileiros estão firmemente integrados na sociedade brasileira, muitos dos quais se destacam como empresários, intelectuais, artistas, jornalistas e apresentadores de Televisão.

 

No entanto, nenhum movimento migratório ocorrido até hoje compara-se aquilo que se espera que aconteça segundo as antecipações da profecia que falam dos filhos de Israel sendo arrancados das terras onde estão a séculos e voltando para Tzion do Oriente e do Ocidente, do Sul e do Norte em quantidade tal que o êxodo do Egito já não será mais lembrado como Adonay proclama em alto e bom som:

 

Portanto, eis que dias vêm, diz Yah, em que nunca mais se dirá: Vive Yah, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito. Mas: Vive Yah, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, a qual dei a seus pais. Eis que mandarei muitos pescadores, diz Yah, os quais os pescarão; e depois enviarei muitos caçadores, os quais os caçarão de sobre todo o monte, e de sobre todo o outeiro, e até das fendas das rochas.  Yirmiahú/Jr 16:14-16..”

 

Este retorno tanto físico como espiritual em parte já aconteceu quando os filhos de Efraim dispersos em terras dos gentios começaram a ouvir as boas novas e a abraçarem a Yeshua como Messias e Salvador e também quando parte dos judeus e uns poucos filhos de Manasses da Índia e da Birmânia, alguns filhos de Dan da Etiópia bem como dos filhos de Naftali do Uzbequistão começaram a voltar para a terra de seus ancestrais. Mas tanto o movimento de conversão dos filhos dispersos de Israel no primeiro século como o retorno dos falasha no século XX são apenas antecipações pálidas e limitadas do que Yeshua ainda fará por Israel.

 

É realmente incrível que como crentes nas Escrituras, estudiosos de suas profecias e conhecedores da Grande Comissão tenhamos ignorado o fato de que o chamado de Yeshua junto as margens do lago de Galil se destinava ao cumprimento literal da profecia que determinava a pesca dos filhos de Israel. Chegado o tempo, o Pescador de Israel passou por Kefa (Pedro) e André justo quando lançavam suas redes e ordenou-lhes:

 

“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Marcos 1:17.

 

A quem você imagina que os apóstolos foram pescar senão à Casa de Efraim espalhada entre as nações? Yeshua não fez outra coisa senão cumprir aquilo que já havia sido meticulosamente pré-anunciado através dos profetas. Foi através dessa pesca que as doze tribos separadas da Comunidade de Israel voltaram a Elohim e Às Escrituras sob estandarte de Yeshua há Maschiach, o Emanuel. É por meio dele que Israel retorna a Elohim, abandona seus ídolos, reconhece sua graça e finalmente se volta da impureza para a santidade.

 

Yeshua, o Grande Mestre disse claramente a que veio. Sua missão é buscar seus irmãos israelitas, perdidos entre os gentios, vivendo como gentios, veio buscar-lhes para que eles reencontrem sua identidade perdida e retornem para casa.

 

“Porque o Bar Enash (Filho do Homem) veio salvar o que estava perdido.” Matytyahú/Mateus 18:11

 

Halelu`yah! Yeshua veio buscar o que se havia perdido, as ovelhas da Casa de Israel. E elas hoje começam a emergir das sombras, a descobrir a sua verdadeira identidade sepultada sob séculos de antissemitismo e teologia da substituição. Estas ovelhas perdidas começam agora a retornar para a casa espiritual cujo alicerce são os patriarcas, cujas colunas são os profetas, cuja cobertura são os shalichim (apóstolos) e cuja pedra fundamental é Yeshua há Maschiach. Como peixes Israel retorna hoje através desta imensa rede de pregadores e pregadoras cujos fios atingem o mar dos povos. 

 

Israel ainda é o povo do Eterno e nós crentes em Yeshua somos Israel por adoção abraçando seu povo como Ruth ao abraçar sua nora Noemi e sendo por isso enxertados na boa oliveira ou o que é muito mais frequente, Israel por natureza retornando à Torah e aos profetas e sendo reenxertados na própria oliveira.

 

Verdade é que gentios que absolutamente não descendem de Avraham, a cujos pais nenhuma promessa de redenção e benção nacional foi realizada continuam a ser salvos pela mesma graça que salva a Israel como de resto isso vinha acontecendo desde antes do chamado de Avraham. É importantíssimo ter em conta que o chamado à santidade e as boas obras propostas pela Torah jamais deve ser confundido com o chamado à salvação como alguns grupos restauracionistas, incluso os diversos grupos e ministérios que se apresentam como israelitas da nova aliança vem propondo.

 

Abro um parêntese aqui para me referir ao perigo representado pelo exclusivismo, perigo que ronda ministérios de restauração e que precisa ser esconjurado pelos crentes renegando uma das facetas do passado gentílico que é o exclusivismo.

 

Desde o século XIX diversos grupos tem se apresentado como o verdadeiro e único Israel fora do qual não há salvação como se Israel fosse uma organização religiosa e não um povo salvo por Adonay. Nem nos referimos à Igreja Católica Apostólica Romana por que essa carece de quase todos os sinais característicos do povo eleito. Nos referimos sobretudo aos grupos que guardam o shabat, que comem kashrut e que celebram as festas bíblicas. Recentemente chegado ao Brasil, a Igreja de Deus Sociedade Missionária Mundial é um exemplo de exclusivismo sabatista com um êxito e uma riqueza extraordinária. Nascida na Coréia, um país quase rico, a organização que segue Ahn-sahnghong, considerado a reencarnação de Yeshua tem centenas de templos em dezenas de países e 1,45 milhão de membros.

 

Na América do Sul o mais influente desses grupos parece ser a Associação Evangélica da Missão Israelita do Novo Pacto, organização com 400 congregações e 60 mil membros que guarda o sábado e as festas e que foi fundada em 1955 no Perú por Ezequiel Atacusi Gamonal um ex-adventista que se proclamou profeta, e mais do que isso, uma espécie de Melktsedek dos tempos modernos, um Messias Andino.

 

No Brasil a sucursal da Igreja de Deus do Sétimo Dia sediada em Rio Blanco no México se dividiu dando origem a quatro denominações diferentes, a mais influente delas adotou em 2005 o nome de Congregação Israelita da Nova Aliança. O grupo fundado pelo Ministro Altair Junqueira mais conhecido pelo seu nome hebraico Rosh Yshay bem Yehudah tem 48 congregações no Brasil e aproximadamente 2.400 membros, apesar disso se proclama o único e verdadeiro Israel fora do qual nenhum judeu ou gentio pode ser salvo no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

 

Assim, embora os israelitas da nova aliança do Brasil nada tenham a ver com o suposto Messias Gamonal do Perú, ou com Cristo  Ahn-sahnghong, ainda assim se pode se notar uma lamentável semelhança, a crença na salvação por meio de uma organização, através do batismo ministrado por seus ministros e em última instância através das obras humanas.

 

Saudamos o Rosh Yshay efusivamente pela coragem de tomar uma igreja como a Igreja de Deus do 7º Dia que tinha o mérito da guarda do shabat e de uma correta interpretação escatológica sobre o Maschiach em seu reino e a restauração de Israel, mas tinha o demérito de desprezar outras características essenciais do povo eleito e levar parte dela para o judaísmo. Louvamos a Elohim pelo que já foi feito, mas ao mesmo tempo oramos para que a CINA se desfaça dos traços mais fortes de seu passado gentílico, entre os quais a crença da antiga Igreja de Deus de que são a única igreja, a igreja que atravessou os séculos, a igreja fora da qual ninguém se salva. Definitivamente eles não precisam disso, e tal defesa não honra seus passos em direção à restauração.

 

Como poderia a Igreja de Deus ser tudo o que diz, se precisou da ousadia e coragem do Rosh Yshay e seus colaboradores para adotar as práticas judaicas que não tinha e para abraçar mandamentos perpétuos de Adonay sobre as quais ainda tripudia? Como pode ser a Igreja de Deus o que pretende ser quando é sabido que ela rejeitou e rejeita as práticas judaizantes ora adotadas? Espero que ao lerem essas notas nossos amados irmãos israelitas não o vejam como um ataque, mas como a manifestação sincera de maiores progressos e da inteiração fraternal entre todos os israelitas e anusim que agora sim estão retornando à kehilah de Elohim tal como era no primeiro século, e isso não por mérito de suas antigas organizações, que insistiam em mantê-los longe da Torah, mas pela mão forte e estendida de El Shaday.

 

Esperamos maiores progressos no grupo brasileiro que, no entanto acumula o mérito de comer kashrut e guardar o shabat herdado da Igreja de Deus do Sétimo Dia do México e o da celebração das festas iniciada em 2005 no seu Primeiro Congresso Israelita. O que nossos amados da Congregação Israelita da Nova Aliança ainda perceberam é que eles são um entre centenas de ministérios de restauração de Israel e não o único, e que Israel é um povo que se espalha por todo o mundo e cuja maioria de seus membros estão nas igrejas cristãs.

 

Adonay jamais deixou de reconhecer seu povo mesmo que esteja em Bavel (Babilônia), tanto é assim que dirige o chamado do Anjo do Apocalipse 18 a este povo dizendo: “Sai dela povo meu, para que não incorras nas suas pragas e não sejas participante de seus pecados.” Guilyanah/Ap 18:4. Ninguém que estuda a Bíblia e se convence de que precisa se empenhar na teshuvah (retorno) e na mechudesh (restauração) deixa uma organização católica ou protestante para se tornar  parte do povo de Elohim, mas ao contrário o faz por ser parte deste mesmo povo, o Israel entre as nações.    

 

Sim, a salvação não decorre de quaisquer obras antecedentes, presentes ou subsequentes ao chamado da soberana e irresistível graça, mas somente da munificente clemência de Adonay que escolhe, chama, ordena a conversão, capacita o homem a crer na bessorat (evangelho), o faz volta-se das trevas para a luz e o faz perseverar na mesma fé até o fim, sendo liberto de toda a má obra e guardado como trigo precioso para o celeiro do reino celestial que em breve se estabelecerá na terra como Shaul expressou ao dizer:  

 

“E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.”  II Timóteo 4:18.

 

Uma pessoa ou organização que realmente conhece as Escrituras, sendo por isso enviada como luz para as nações será levada a crer que não existe experiência presente ou futura capaz de impedir a salvação daqueles que são chamados para a kvod olam (glória eterna) e será levada a dizer:

 

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Elohim, que está em Yeshua há Maschiach nosso Adon.” Romanos 8:38-39.