O Exílio e o Retorno das Tribos Perdidas na Literatura Rabínica (Parte I)

 

De Yonathan Ben Uziel no Século I a Nahmanides nos Séculos XII e XIII

 

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

As referências rabínicas às tribos perdidas de Israel e à sua localização começam no período de ouro da tradição oral, quando o próprio Talmud estava sendo confeccionado. O Pseudo Targum Yonathan, também conhecido como Targum Yerusalami atribuído a Yonathan Ben Uziel, um dos 80 Tannaím, repetidores ou professores da tradição e discípulo de Hillel, o Velho (110-10 AEC), mestre de Rambam Gamaliel I 1-50 DEC), o instrutor de Shaul há Shaliach ou simplesmente o apostolo Paulo (5-67)  refere-se ao local para onde o Eterno despacharia Israel por seus pecados como o mítico Rio Sambation.

 

“Eis que faço aliança que eu não vou mudar este povo para se tornar um povo estrangeiro, não obstante de ti procede uma multidão dos justos, e com todo o teu povo farei maravilhas no momento em que eles entrarem em cativeiro pelos rios de Babilônia, porque eu os farei subir dali, e vou fazê-los habitar dentro do Rio Sambation...” Pseudo Targun Yonathan, Shemot/Ex 31-31.

 

Uma vez que o Rio Sambation é recorrente na literatura rabínica como sendo o local para onde as dez tribos foram exiladas e confinadas identificá-lo é importante para ajudar a traçar a caminhada do povo. Flávio Josefo (37-100 DEC) o situa nalgum lugar entre Beirute no Líbano e a Província Romana de Raphanea na Síria Atual. O Rabino Rabbi Moses ben Naḥman Girondi (1194-1270), mais conhecido como Nahmanides o identifica como o Rio Khabur.

 

O Rio Khabur com 486 km de extensão é o mais importante afluente do Eufrates e desemboca no território sírio com uma vazão média de 45m³ por segundo, sendo uma das mais importantes fontes de água perene numa região semiárida, sendo vital para a agricultura em toda a sua bacia. O fato do Rio Khabur desembocar perto da cidade de Busayra no  nordeste da Síria e próximo ao atual Iraque uma vez mais nos dá a ideia de que o caminho das tribos perdidas foi em direção ao Oriente, e que terminado o cativeiro assírio elas se dirigiram para o centro da Ásia.

 

Menase Ben Israel (1604-1657) o localizou perto do Mar Cáspio em sua viagem à índia, apesar de que sua descrição contraria a de Josefo (38-100).  Independentemente das lendas que cercam o rio Sambation e que começam no Talmud, sabe-se que se localiza a noroeste de Israel, e que as tribos perdidas estavam para além dele.

 

Outra opinião é que houve uma confusão entre o Rio Sambation mencionado por Yonathan e o rio sabático mencionado por Josefo.  Segundo essa opinião, o Rio Sambation era apenas um rio, um rio normal para além do qual as dez tribos foram exiladas e nada mais e que nada tem a ver com o rio sabático de Josefo. Com o passar do tempo os dois rios foram confundidos dando lugar as mais fantasiosas descrições não só de rabinos, mas também de escritores medievais.

 

O mais ponderado é interpretar as lendas que cercam o Rio Sambation como uma metáfora criada pelos rabinos para descrever a forma como Adonay preservaria as dez tribos de tal forma que elas, confinadas por um poder sobrenatural não se distanciassem demasiado da terra santa que já não pudessem voltar. A partir daí, o esforço desesperado do povo judeu de encontrar seus irmãos israelitas, e talvez somar forças a eles a fim de conseguirem o poder para voltar para casa alcançando a tão sonhada redenção alimentou as lendas sobre o caráter desse rio que impedia o retorno destes. Na verdade o rio que confinou os efraimitas foi o Rio da Palavra segundo a qual Efraim não voltaria dentre os gentios para se reunir com Yehudáh  antes que o Maschiach se manifeste.

 

“Naquele dia a raiz de Yshay (Jessé) será posta por estandarte dos povos, à qual recorrerão as nações; gloriosas lhe serão as suas moradas. Naquele dia YHWH tornará a estender a sua mão para adquirir outra vez e resto do seu povo, que for deixado, da Assíria, do Egito, de Patros, da Etiópia, de Elão, de Sinar, de Hamate, e das ilhas de mar. Levantará um pendão entre as nações e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Yehudáh congregará desde os quatro confins da terra. Também se esvaecerá a inveja de Efraim, e os vexadores de Yehudáh serão desarraigados; Efraim não invejará a Yehudáh e Yehudáh não vexará a Efraim.” Yesahayahú/Is 11:10-13.

Qualquer que seja este Rio Sambation, que bem pode ser o Khabur um afluente do Eufrates como pensava Nahmanides, ou o próprio Eufrates, a literatura rabínica é prodiga em falar do retorno de seus exilados a Israel como pode ser ler no Midrash Rabá,  a Grande Interpretação do primeiro século da nossa era.

 

“No futuro, o Santo, bendito seja, vai trazê-los, uma vez que afirma em Yeshayahú/Is (49:12): "Eis que estes virão de longe, e eis estes a partir do norte e do oeste, e estes da terra de Sinim (China). "O exilado virá com eles, assim como as tribos além do Sambatyon e no interior das montanhas das Trevas. Todos estes irão se reunir e chegar a Yerushalaim.” (Rabino Rafael Eisenberg, A Matter of Return p. 132, citando Midrash Rabba, Sh'lach 16)

 

A Midrash Rabá também alude a esse retorno das tribos exiladas para além do Rio Sambation por ocasião do Reino do Maschiach a fim de terem parte no mundo vindouro dizendo:

 

“... A diáspora de Judá e Benjamin vai sair para as Dez Tribos, exilado por trás da Sambatyon Rio, e trará de volta com eles para que eles, também, aproveitar os dias do reinado do Messias, e da vida Mundo por vir. (Rabino Rafael Eisenberg, A Matter of Return p. 133, citando Yalkut Shimoni, Cântico dos Cânticos 1:16)

 

O fato de que as tribos perdidas estão em toda a parte e que devem retornar agita os debates entre os judeus rabínicos a muitos séculos. Entre os místicos cabalistas askenazim, é proverbial o conceito de que as tribos perdidas estão espalhadas por toda a terra e devem retornar ao fim dos dias, na Era Messiânica. Por essa razão, eles mais que os demais têm procurado estabelecer uma ponte através da qual os integrantes dessas tribos que se identifiquem como tal ou que pretendam se converter ao judaísmo sejam integrados na comunidade judaica. Organizações como a Shavei Israel fornecem informações sobre onde estas tribos podem estar. Eles lembram que o Talmud apresenta duas visões diferentes. O Rabi Akiba não cria no seu retorno alegando que foram lançados numa terra distante até à época. O Rabi Eliezer sustentava que retornarão como o sol se põe, mas volta pela manhã.

 

“As dez Tribos não retornarão, pois é dito, e os lançou em outra terra, até o dia de hoje, assim como o dia vai e não volta, então eles também foram e não voltarão: Isto é dito pelo R. Akiba. O R. Eliezer disse: Assim como o dia escurece e a luz torna novamente, ainda que as dez tribos estejam na escuridão elas tornarão a ter luz.” Misnah Sanedrim 110.

 

Mas por que um Rabino como Akiba cuja memória é reverenciada como o maior de todos os sábios da era tanaítica chegou à conclusão extrema de que as dez tribos não mais retornariam? O professor Klausner adianta uma resposta:

 

“R. Akiva criou a sua opinião, porque ele tinha proclamado Bar-Kokhba como Messias e estava esperando a redenção de Israel por meio dele, enquanto o restante das Dez Tribos naquela época ainda não havia retornado para a Palestina e não tinha intenção de fazê-lo. Este último fato pode ter sido descoberto por R. Akiva em suas longas viagens para a Gália, África, Arábia, e particularmente a Media, onde as Dez Tribos tinham sido exilados acordo segundo as Escrituras (II Reis 17:6). Por isso ele foi forçado a opor-se à opinião de que as Dez Tribos deviam retornar na era messiânica.” (A idéia Messiânica de Israel, p. 474 citado em Será que as Tribos Perdidas Voltarão? – United Israel World Union).

 

O debate sobre o destino das dez tribos prossegue na Guemará com alguns rabinos dizendo que não elas não terão parte nem mesmo no mundo vindouro e outros dizendo que estão excluídas do mundo presente, mas não do mundo vindouro.

 

“Nossos rabinos ensinaram: As dez tribos não têm nenhuma parte no mundo por vir, como ele diz, e o Senhor os arrancou da sua terra com ira, e em ira, e com grande indignação: "E o Senhor os arrancou da sua terra , refere-se a este mundo, e os lançou em outra terra - para o mundo que virá: esta é a opinião de R. Akiba. R. Simeon b. Judá, da Kefar de Aco, disse na autoridade do R. Simeão: Se seus atos continuarem como no dia de hoje,  não voltarão, caso contrário eles voltarão. O rabino disse: Eles entrarão no mundo vindouro, como se diz: “E será  que naquele dia, que a grande trombeta será tocada, [e virão os que estavam prestes a perecer na terra da Assíria, e os desterrados na terra do Egito, e adorarão o Senhor no monte santo de Jerusalém.” ... Surpreendentemente o Rabi Bar Hana repreende Akiba: “Rabá b. Bar Hana disse em nome de R. Johanan: Aqui o R. Akiba abandonou seu amor, pois está escrito: Ide, e apregoa estas palavras para o norte, e diz: Volta, ó pérfida Israel, diz o Senhor, e eu não vou fazer com que a minha ira caia em cima de você, porque eu sou compassivo, diz o Senhor, e não vou manter a minha ira para sempre.” Misnah Sanedrim 110.

 

Demonstrado que o tema do retorno das tribos perdidas de Israel é de longe debatida entre os rabinos, a Beit Chabad defende o retorno dessas tribos explicando que elas não se levantarão mais como uma entidade independente, mas sim como uma entidade ligada a Casa de Yehudáh.

 

Dessa maneira pretendem os chassidim harmonizar Yeshayahú 27:13 que diz que uma grande trombeta será tocada e todos os filhos de Israel lançados em terras distantes, inclusive Ashur (Assíria) que é uma referência ao exílio de Israel voltarão com Amos 5:1-2 que diz que a virgem de Israel caiu para nunca mais se levantar.

 

Através do profeta Hoshea o Eterno lembra que apesar de sua origem separada dos gentios, Efraim misturou com eles perdendo sua identidade, mantendo-se parcialmente assado pelo fogo da verdade e parcialmente cru pelo distanciamento desta.

 

Efraim se mistura com os povos; Efraim é um bolo que não foi virado.” Hoshea 7:8.

 

A Beit Chabad insinua que o a dificuldade de Rabi Akiva em entender o retorno de Efraym decorreu de interpretar a declaração contida em Amós sem considerar a declaração contida em Yeshayahú e que isso resultou na grave distorção de considerar irremissíveis as tribos perdidas de Israel.

(Para acessar o artigo da Chabad sobre as dez tribos visite a página da Beit Chabad:

http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/10tribos/home.htm)

 

 

A solução para o enigma é que as tribos perdidas não voltam para estabelecer um Estado próprio e independente sediado em Shiken ou em Shomeron ou para terem um reino próprio, mas para ser parte do Grande Israel sediado em Yerushalaim e sob a condução de Maschiach há Melech (Rei Messias) que há de governar sobre terra e mar. Esta perspectiva é claramente revelada nos profetas. Zecharayah diz:

 

“Assim diz YHWH dos Exércitos: “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas das nações agarrarão firmemente a barra das vestes de um judeu e dirão: ‘Nós vamos com você porque ouvimos dizer que Elohim está com vocês.” Zechariah 8:23. 

 

Não resulta difícil entender quem são estes dez homens dentre os gentios. São as dez tribos perdidas de Israel, vivendo entre os gentios, comportando-se como gentios, e não obstante israelitas. Seria possivelmente essa a fundamentação do Rabi Eliezer ainda que o Talmud não chegue a tanto, ou seja, não deixe as coisas detalhadas e perca a áurea oportunidade de revelar que a missão do Maschiach é buscar suas ovelhas dispersas, é fazer das outras ovelhas parte de um único rebanho sob a condução de um único pastor.

 

O como elas retornarão ainda é um mistério. Uma parte das fontes rabínicas acredita que uma vez que tem de retornar, mas nãos abem que são israelitas e alguns nem mesmo querem retornar, esse retorno será um ato de força sobrenatural e irresistível da parte do Criador, mas outros pensam numa ação espiritual.

 

Nossa excursão pela literatura rabínica prossegue da era talmúdica para a Espanha Medieval.  Uma das mais impressionantes figuras do judaísmo, o Rambam (1194-1270) que é um acróstico para Rabi Moshe Ben Nahman conehcido como Nahmanides se dedicou a cuidadoso estudo da questão das tribos perdidas, mais que nenhum outro antes dele. Não quero avançar sem mencionar sua posição que é um verdadeiro estudo bíblico que prova que as dez tribos ainda estavam perdidas na sua época, desfazendo o mito de que a promessa de retorno já tinha se cumprido. Este mito que contaminara alguns interpretes judeus hoje quase domina o cristianismo por causa de investigações tendenciosas ou superficiais e da pouca vontade de ver Israel alcançado os propósitos para os quais foi erguido. Convencido que as dez tribos estavam perdias, mas voltariam à comunidade de Israel ele escreveu sobre isso no Sefer há Gueulah (Livro da Redenção) de 1260.

 

De fato um dos argumentos usados pelos opositores ao israelismo britânico e outros buscadores das tribos perdidas de Israel entre os gentios é que para os dias de Ezra, quando os judeus voltaram para Yerushalaim graças ao mandato de libertação expedido por Kurosh ou Ciro em 538 AEC elas já haviam voltado. Nahmanides refutou esse argumento a 750 anos. Estudassem melhor o tema aqueles que se apressam em refutá-lo e veriam que não existe base alguma para a suposição de que as dez tribos já voltaram e recobraram sua identidade judaica. Recorro aqui a uma fonte citada pela Brit Am.

 

Nahmanides apontando a profecia que diz claramente que Yehudáh e Yosef ou Efraim devem se reunir de novo deixa claro sua compreensão de que isso ainda não aconteceu, mas está reservado para o futuro já que o resgate dos dias de Ezra foi parcial, e referia-se a Yehudáh principalmente.

 

“Além disso, ó filho do homem, toma um pau, e escreve nele: Por Yehudáh  e pelos filhos de Israel, seus companheiros: Depois toma outro pau, e escreve nele: Por Yosef, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel, seus companheiros:” Ycheskiel/Ez 37:16 Aqui ele fala de uma redenção futura para ambos Yehudáh e Israel. Onde diz, "Para Yehudáh, e para os filhos de Israel seus companheiros "por" filhos de Israel seus companheiros " significa que Bynyamin foi anexado a Yehudáh. Da mesma forma, diz, "Por Yosef, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel seus companheiros. "A questão é bastante simples. Os dois reinos se unirão em um único reino sob a Casa de David. Os israelitas foram para o exílio e desde então Efraim e todas as dez tribos do norte nunca retornaram novamente para a Terra de Israel. Em relação ao futuro, diz, "E as nações saberão que eu sou o Eterno que santifico a Israel, quando puser o meu santuário no meio deles para sempre "  Me lembro de uma matéria que é expressamente mencionada muitas vezes nas Escrituras. Sabe-se que com o retorno dos exilados sob Ezra apenas as tribos de Yehudáh e Byniamin  (Judá e Benjamim) retornaram. Estes tinham sido exilados para Babilônia por Nabucodonosor. Isso é o que diz sobre o início desse resgate, [Esdras 1:05] Então se levantaram os chefes dos pais de Yehudah e Byniamin, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Elohim despertou, para ir a edificar a casa de Adonay que está em Yerushalaim". Rabbi Moshe ben Nahman, Sefer há Gueuláh ou Livro da Redenção. (O artigo completo pode ser consultado na página de Brit Am: “THE TEN TRIBES WILL RETURN! The Bible Says So! ( AS DEZ TRIBOS VOLTARÃO! A Bíblia diz isso!” http://britam.org/ShortRETURN.htm

 

Nesse ponto Nahmanides sabe que o estudo do regresso nos dias de Ezra pode sugerir que a profecia do reajuntamento das duas casas esteja cumprida, que é aliás, o que crê a esmagadora maioria dos cristãos que se negam a investigar o contexto amplo das profecias.

 

Essa situação não era diferente entre seus irmãos judeus do século XIII e muitos de fato criam que a reunião já tinha se dado, faltando apenas o retorno sob a identidade de Yehudáh. Então ele argumenta de forma mais do que convincente que os cerca de 12.000 que vieram com os judeus nos dias de Ezra nem mesmo foram arrolados por tribos, mas reunidos com a Casa de Yehudáh e Byniamin considerando que já estavam vivendo entre eles mesmo antes do cativeiro de Babilônia, tendo vindo a Yehuda ao negar-se a adorar o bezerro de ouro que Yaroveam erigiu no ano 920 ao dividir a nação.

 

“Eles disseram no Midrash Seder Olam: “daqueles que vieram para a Terra no tempo de Ezra toda a comunidade, juntamente numeradas 42.360. Do total, cujos nomes estão registrados no entanto, apenas 30.360 foram numeradas. O que aconteceu, portanto, para os 12.000 que estão faltando? Estes foram os de outras tribos que vieram acima com Ezra.

 

Deixe-me esclarecer o assunto para você ... O Reino de Israel incluí as dez tribos do norte. Estes foram exilados pelo Senaquerib  (Sancherib em Literatura Rabínica) é uma figura tomada para representar todos os monarcas assírios como se diz, "Porque ele separou Israel da casa de Davi, e eles fizeram rei a Yaroveam  filho de Nebate, e Yaroveam desviou Israel de seguir ao Eterno, e os fez cometer um grande pecado" (2 Reis 17 , 11 ). "Até que o Eterno tirou Israel da sua vista ... assim foi Israel exilado para fora da sua terra à Assíria até este dia" (2 Reis 17, 12). Esta é uma prova de que todas as tribos do Reino de Israel foram exiladas para a Assíria, mas o Reino de David permaneceu como era até Nabucodonosor exilá-los para Babilônia. O Reino de David incluídos Yehudáh e Bynyamin. Ela diz: "Ele as removeu de sua vista e nada ficou senão a tribo de Yehudáh apenas "(2 Reis 17 , 18 ). Isso indica o Reino da Tribo de Yehudáh, que incluía as duas tribos de Yehudá e Bynyamin. Também aparece a partir do significado simples do texto, que antes do exílio do Norte do país por Senaqueribe lá estavam reunidos nas cidades de Yehudáh, pessoas das tribos vizinhas de Menashe, Efraim, e de Shimeon e estes então habitavam na herança de Yehudáh ...

 

No período rei Asa foi escrito: "E congregou todo Yehudáh e Bynyamin, e com eles os estrangeiros de Efraim e Menashe, e de Shimeon, porque vieram para ele, de Israel em abundância quando viram que o Senhor seu Elohim era com ele "(2 Crônicas 15; 9).

 

Aqueles das tribos de Efraim e Shimeon de Israel que estavam presentes (2 Crônicas 35 , 18 ) com Yehudáh  foram os que habitavam na Terra de Yehudáh ou talvez até certo ponto também aqueles que haviam habitado em seus próprios territórios adjacentes a Yehudáh e fugiram para Yehudáh. Eles são referidos em um sentido geral como "os que estavam presentes de Israel" (Em 2 Crônicas 35, 18 ) e não por suas tribos específicas, uma vez que representavam apenas uma pequena parte de sua tribo . Estes são os que voltaram com Ezra com os judeus de Babilônia. Eles não foram expressamente mencionados por suas tribos, uma vez que foram anexados a Yehudáh. Todos eles, nas cidades de Yehudáh. Não houve Redenção para as Dez Tribos que permaneceram no exílio ...” Rabbi Moshe ben Nahman, Sefer há Gueuláh ou Livro da Redenção. (O artigo completo pode ser consultado na página de Brit Am: “THE TEN TRIBES WILL RETURN! The Bible Says So! ( AS DEZ TRIBOS VOLTARÃO! A Bíblia diz isso!” http://britam.org/ShortRETURN.htm)

 

 

Dito isso o grande erudito judeu espanhol demonstra que estes poucos de Efraim não eram suficientes nem mesmo para se organizarem como tribos em Israel e foram divididos em Yehudáh. 

 

“Temos explicado nesta seção, em conformidade com o parecer de nossos sábios de abençoada memória. Estes disseram que no tempo do Segundo Templo alguns refugiados de outras tribos também vieram à tona. Eles não vieram de todas as outras tribos, mas somente a partir de Efraim e Menashe.  Outra autoridade, porém Tosefot, em Arakin 32 diz que "de cada da tribo poucos voltaram". Estes poucos não foram suficientes para ter o direito de ser chamado de uma tribo, ou mesmo parte de uma tribo. Devido à sua posição minoritária, foram incluídos entre as duas tribos de Yehudáh e Bynyamin e habitaram nas suas cidades. Segundo este a Redenção não foi feita para as outras tribos ...” (Rabbi Moshe ben Nahman, Sefer há Gueuláh ou Livro da Redenção).

 

Nesse ponto Nahmanides trata de explicar o cumprimento futuro de uma gloriosa profecia que aponta para a vitória da Casa de Yosef sobre os idumeus seus inimigos que reúnem os jordanianos e palestinos, ainda que erroneamente a  tradição rabínica chame Roma de Edom, ignorando primeiro que os idumeus, eram semitas (Esav era irmão de Yakov), segundo que eram vizinhos de Israel e terceiro que a maior parte deles foi convertida ao judaísmo no século II AEC fundindo-se com os judeus e lutando ao lado deles, e contra Roma na batalha pelo Templo no ano 70. A profecia seguinte diz respeito portanto aos inimigos próximos de Israel, aos beduínos jordanianos e palestinos. 

 

“E a casa de Yakov será um fogo, e a casa de Yosef uma chama, e a casa de Esav palha; e estes se acenderão contra eles, e irão devorá-los, e já não restará ninguém da CASA DE ESAV, porque o Eterno o disse” Abdias/Ob 1:18.

 

Bem, mas prosseguindo com o Rabbi Moshe bem Nahman, Ele indica que esse destruir da Casa de Edom jamais ocorreu, que é um evento futuro, que isso nada te a ver com o regresso nos dias de Ezra, quando alguns integrantes das tribos perdidas voltaram, mas um retorno que não é o profético quando Efraim voltará em gozo e perfeitamente identificado. Não como da primeira vez que tiveram que ficar misturados aos judeus, de tão poucos que eram a ponto de não poderem tomar o território antigo pertencentes às suas tribos.

 

“Quando é que elas [as Dez Tribos] voltaram e quando esses grupos exilados foram massivamente trazidos para herdar as cidades de Efraim e Shomeron? Quando foram salvadores subindo o Monte Tzion para julgarem o monte de Esav? No tempo de Ezra apenas alguns haviam retornado como pombos para os seus pombais. La diz, " o reino será de Adonay "Abdiah/Ob 1:21. Naquela época, todo mundo vai reconhecer abertamente o Reino de Elohim. "E Yah será Rei sobre toda a terra" (Zacarias 14, 9 ). Isso também vai acontecer no futuro. O princípio geral sobre estes e todos os versos semelhantes em relação a Redenção de Israel e a queda de Edom e similares é que tudo é para o futuro. "O castigo da tua iniqüidade está terminado filha de Tizion, Ele nunca mais te levará para o cativeiro. Ele visitará a tua iniqüidade, filha de Edom, Ele vai descobrir seus pecados” (Lamentações 4 , 22 ). Isso tudo é para o futuro. "Ele não vai mais te levar para o cativeiro", está instruindo-nos sobre a futura redenção. Se fosse de outra forma, qual seria o motivo de dizer aos exilados que eles deixariam de ser exilados, a menos que isso significasse que eles realmente estão destinados a ser resgatados a partir do exílio que se encontram? 

 

Além disso, "ele visitará a tua iniqüidade, filha de Edom, Ele vai descobrir seus pecados ", deve ser para o futuro. Não poderia estar falando do passado pois foram eles [os judeus israelitas], que foram espancados por Herodes, o edomita no tempo do Segundo Templo. Tudo deve pertencer ao futuro. É impossível que tudo isso seja condicional, que não mereça mais crédito, e que as profecias foram ditas para nada. É pertinente que, na época de seu exílio Israel estava pecando e transgredindo. Mesmo assim, foi profetizado, "O castigo da sua iniqüidade está acabado Filha de Tzion; Ele nunca mais te levará para o cativeiro "(Lamentações 4, 22 ). Isso não era condicional, o que significa dizer, sob a condição de que se arrependessem, então teriam sido resgatados. Esta não é a forma de falar das profecias fazendo tais condições limitadas. Pelo contrário, todas pertencem ao futuro. 

 

Zecharyah viveu no período do Segundo Templo. Zecharyah disse: "Eis que o dia do Senhor está vindo", e assim por diante em grande medida que sem dúvida só pode estar se referindo a algum dia futuro. Assim também, foram essas passagens explicadas pelos comentaristas e pelos nossos santos e sábios, de abençoada memória.” (Rabbi Moshe bem Nahman, Sefer há Gueuláh ou Livro da Redenção THE TEN TRIBES WILL RETURN! The Bible Says So! ( AS DEZ TRIBOS VOLTARÃO! A Bíblia diz isso!” http://britam.org/ShortRETURN.htm).

 

A Brit Am arremata então derrubando a ideia de que a profecia possa ter sido cumprida de uma outra maneira e noutro tempo com um argumento que achei pertinente incluir aqui:

 

“Há quem diga que esta profecia de Abdias está se referindo ao rei Ezequias no período do Segundo Templo, mas aqueles que pensam assim estão em erro.  É óbvio a partir das Escrituras que esse termo, isto é, Casa de Yosef, aplica-se ao Reino de Israel que são as Dez Tribos. Eles deveriam se envergonhar de não reconhecer este fato! O versículo acima comprova isso! Quando foi que a casa de Yosef se tornou como uma chama que devora o restolho de Esaú? Não nos tempos bíblicos! As Dez Tribos já haviam sido exilados e elas ainda estão no exílio, na área dos kenanim (cananeus), até Sarepta:” "E este primeiro exílio dos filhos de Israel que estão agora desde Canaã até Sarepta " [Obadias 1:20]. Rashi , Iben Ezra, Radak e outros dizem que Sarepta significa França, Abarbanel diz isso significa França e Grã-Bretanha. Estes lugares estão nos extremos do norte. O versículo continua, "e os cativos de Yerushalaim, que estão em Sefarad , possuirão as cidades do "sul [Abdias 1:20]. Aqueles que foram exilados para " Sefarad " [ou seja, Espanha] Foram os judeus de Yerushalaim que foram levados por Tito e Vespasiano, quando o Segundo Templo foi destruído pelos romanos, e não antes disso. Os outros foram as Dez Tribos que foram exiladas no primeiro exílio. Estes não têm retornado como tem sido alegado.” (“THE TEN TRIBES WILL RETURN! The Bible Says So! ( AS DEZ TRIBOS VOLTARÃO! A Bíblia diz isso!” http://britam.org/ShortRETURN.htm)