O Messias e as Tribos Perdidas Parte I

 

Rosh Baruch Ben Avraham

 

O texto a que o anti-semitismo faz referência é a introdução da do Sefer há-bessorat Yochanan (Livro do Evangelho de João). A base para tal disparate é a seguinte declaração:

 

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Elohim.”

 

 O Problema aqui não é o texto em si, mas o fato de que o texto primeiro foi retirado do contexto para logo ser corrompido e interpretado fora do contexto, contrariamente a todas as antecipações proféticas, à revelia das promessas do Eterno e ignorando o próprio testemunho de Yeshua.

 

Quando a Bíblia é lida de acordo com uma agenda que leva em conta as promessas dos profetas e o contexto geral da narrativa de Yochanan ela revela coisa muito diferente da comum compreensão, daquela que Roma impôs a um mundo cristão guiado por caminhos antijudaicos.

 

Ela nos fala que Yeshua estava entre os homens do mundo, que o mundo inteiro com todos os seus homens foi feito por intermédio dele ou por causa dele, que os perdidos do mundo não o conheceram e que aqueles que o Pai lhe deu abraçaram a sua palavra e foram salvos por ele. Claro que a leitura segundo a agenda romana indica que Yeshua veio para seus irmãos judeus e que estes o rejeitaram e então ele abandonou Israel como nação. Leiamos então o texto em seu contexto e logo nos deteremos na sua revelação a partir das Escrituras:

 

“Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Elohim; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Elohim.” Yochanan/Jo 1:9-13.

Somos informados que o Maschiach é a verdadeira luz que alumia a todo o homem. Ele mesmo disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.” Yochanan/Jo 8:12. E declarou ainda: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” Yochanan/Jo 9:5. Hoje, quando ele não está mais no mundo, as pequenas luzes que somos nós e cujo brilho aumenta ou diminui em virtude da nossa aproximação ou distanciamento da fonte de toda a luz continuam a brilhar para que o mundo não mergulhe em trevas espessas. Por essa razão Yeshua nos diz: “Vós sois a luz do mundo.” Matytyahú/Mt 5:14.

Bem, agora já sabemos que Yeshua é a luz do mundo, e que ligados a ele podemos ser luminares para inundar o mundo com os mesmos raios do sol da justiça, da bondade e da misericórdia que emanam do Criador. É evidente que nenhum de nós brilha como ele.

Somos a luz do mundo apenas na medida em que o Maschiach esteja em nós e que seu espírito opere em nós, pois se a comunhão dele com o Pai era plena e perfeita a nossa é relativa e imperfeita. No entanto já podemos nos aperceber de uma coisa, o contexto fala do mundo em geral e não de Israel em particular.

Em segundo lugar não podemos supor que as Escrituras estejam afirmando que todo o homem iluminado aqui referido seja cada ser humano da face da terra, homem ou mulher, justo ou ímpio, religioso ou pagão, crente ou ateu.  Nesse caso ele teria de salvar a todos universalmente ou fracassaria na sua missão. Na verdade o termo todos pode significar o todo ou pode significar uma parte. Como veremos a seguir, todos, o mundo todo e todo o mundo são termos que se definem pelo contexto, e não pela expressão em si.

Em Lucas 2:1 lemos que saiu um decreto de Cesar Augusto para que todo o mundo se alistasse, no entanto chineses e árabes, maias e astecas, incas e guaranis jamais se alistaram sob ordens de Cesar. O contexto é claro, a ordem para que todo o mundo se alistasse era referente aos habitantes das terras e países sob o domínio do Império Romano.

Em Yochanan Alef (1 João 5:19) lemos que o mundo inteiro jaz no maligno, e no entanto sabemos que não fazemos parte desse mundo por que somos de Elohim, e de seu filho Yeshua e que seu espírito habita em nós. Logo o mundo que jaz no maligno é o mundo daqueles que ainda não foram chamados à graça.

Em Yochanan Alef/1 João 2:2 lemos que Yeshua é a propiciação não só pelos nossos pecados, mas também de todo o mundo, e apesar disso sabemos que só o pecado dos crentes é expiado, pois Yeshua deu a sua vida pelas ovelhas, e não pelos que não são ovelhas. Isso nos leva a concluir que ele é a expiação dos pecados de todo o mundo que virá a ser chamado à graça, ainda que no presente isso este chamado ainda não tenha sido feito.

Ora o que ocorre com a palavra todos ocorre igualmente com a palavra mundo, onde pelo menos três sentidos diferentes podem ser dados ao mesmo vocábulo. Yeshua estava no mundo, o que significa que estava entre as pessoas que povoam o planeta. Logo é dito que o Mundo foi feito por meio dele, o que significa não apenas as pessoas, mas todo o planeta com seu conteúdo populacional. A seguir é dito que o mundo não o conheceu, mas uma vez que nós o conhecemos, segue-se que não somos parte desse mundo que o ignora.

Então o mundo que não o conheceu significa aquelas pessoas que não são o objeto da eleição ou escolha do Pai como o próprio Yeshua nos ensina ao orar: “Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheço; e eles conheceram que tu me enviaste.” Yochanan/Jo 17:25. É por isso mesmo que Yeshua disse: “Pai não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste.” Yochanan/Jo 17:9.

Donde se conclui que o mundo que é objeto do amor de Elohim e pelo qual Yeshua morreu a fim de pagar sua culpa apagando seus pecados é um, e o mundo que não é objeto do amor do Pai nem da intercessão de seu filho Yeshua é outro. Evidentemente que existe um mundo pelo qual Yeshua não morreu e cujos pecados não foram condenados nele a fim de que possa ser salvo. É justamente desse mundo pelo qual ele não morreu e que por conseguinte ainda é réus eterno de sua ira e justiça que Yochanan fala ao dizer: “O mundo inteiro jaz no maligno,” (Yochanan Alef/1 Jo 5:19).

Esse mundo que não foi amado pelo Eterno e nunca o será também não deve ser objeto de nosso amor razão pela qual recebemos a exortação: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo.” Yochanan Alef/1 Jo 2:15. Podemos estar seguros de que venceremos sobre esse conjunto de homens, mulheres e crianças com seu ódio, maldade contumaz e rebeldia eterna, como está escrito: “Todo aquele que nasce de Elohim vence o mundo.”  Yochanan Alef/1 Jo 5:4.

Não pode haver dúvidas. Estes que nasceram de Elohim, formam um mundo aparte, um mundo de pessoas salvas que vive em meio a um mundo perdido que jaz no maligno. Este mundo eleito por graça em contraste com o mundo preterido pela mesma graça é alvo da obra do Messias sendo salvo para a glória eterna.

 

“Porque Elohim enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” Yochanan/Jo 3:17.

 

“Porque o pão de Elohim é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.” Yochanan/Jo 6:33.

 

       Logo mundo pode se referir ao nosso planeta como quando é declarado que “o mundo foi feito por ele,” ou quando é dito: “o campo é o mundo.” Mundo também pode ser o conjunto de pessoas e coisas perversas que existem nesse planeta pelas quais o Maschiach jamais intercedeu como fica evidente da declaração: “o mundo inteiro jaz no maligno.”

 

       E mundo pode significar o conjunto das pessoas salvas que foram dadas ao filho do homem e de quem ele tira o seu pecado como fica fácil se perceber da declaração do profeta precursor, ”eis o cordeiro de Elohim que tira o pecado do mundo,” (Yochanan/Jo 1:29).

 

       Bem, a partir daí fica fácil se aperceber que a declaração “o mundo não o conheceu” não se refere a Israel, cujos profetas anteciparam sua vinda e a almejaram e de onde Yeshua tomou seus discípulos e os enviou ao mundo para buscarem as ovelhas perdidas. O mundo que não o conheceu é o conjunto de homens israelitas ou não, que vivendo nesse mundo feito através dele, não reconhecerão jamais sua soberania sobre eles.

 

       Ora Yeshua não esteve apenas entre os judeus. Esteve no mundo, passeou entre os Shomronim (samarintanos) que descendiam de Yakov, mas se haviam misturado com os gentios e não se consideravam e até hoje não se consideram judeus. Yeshua também esteve entre os fenícios ou libaneses de Tiro e Sidon. Yochanan/Jo 4 e Mateus 15:21. Sua mensagem atingiu não só os filhos de Israel, mas também os descendentes de Esav ou edomitas (Marcos 3:8), aos romanos (Matytyahú/Mt 8:13-15) gregos prosélitos (Yochanan/Jo 12:20). Assim como não só os judeus foram criados por intermédio dele, os seus que não o receberam eram o mundo.   

 

É Roma que leva as pessoas a lerem uma coisa e a entender outra. O fato de que alguns judeus, edomitas e romanos tenham se ajuntado aos demais gentios em Yerushalaim contra o Maschiach não significa que Israel tenha sido rejeitado juntamente com os edomitas (jordanianos) ou os romanos que o executaram.

Quem afirma isso definitivamente não conhece as Escrituras, ignora o poder de Elohim para salvar e a sua imensa capacidade de amar. Desconhece o próprio espírito de Maschiach e incorpora antes o espírito de anti-Maschiach.  Yeshua não fracassou por que o Judeu Caifás se uniu ao edomita Herodes para pedir ao romano Pilatos que o enviasse ao madeiro para ser morto pelos gentios. Pelo contrário, foi através dessa maquiavélica aliança que resultou no seu julgamento no qual foi achado inocente, e apesar disso entregue para ser executado que o imaculado filho de Elohim cumpre não somente as profecias que diziam isso a respeito dele, mas principalmente o plano da redenção que incluía a morte do inocente no lugar o culpado. 

O antijudaísmo que considera os judeus malditos e Israel rejeitado por ter morto o Maschiach pela mão dos gentios é pois o fruto direto a ignorância de tudo o que as Escrituras dizem a respeito do Messias e de como o povo de Israel seria salvo por ele. Na verdade, as profecias antecipavam que os que finalmente seriam salvos pela obra do servo sofredor, primeiro o desprezariam e o veriam apenas como um homem ferido de Elohim antes de reconhecer que por seu sofrimento obtiveram a paz.

“Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Elohim, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas YHWH fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. (Yeshayahú/Is 53:3-6)

 

Este será o cântico final de Israel que em sua cegueira primária rejeitou o Maschiach como o homem desprezado, o leproso, o ferido de Elohim. Eles finalmente se aperceberão que o castigo que lhes trouxe a paz esteve sobre ele. Reconhecerão então que os seus pecados foram postos sobre ele, que por causa de suas feridas eles foram sarados de seu pecado. 

 

A missão de Yeshua era salvar “o seu povo dos pecados deles,” (Matytyahú 1:21) e isso jamais poderia ser feito a menos que os filhos de Israel se ajuntassem com os gentios e o condenassem à morte. E esta morte não foi o instrumento final da rejeição de Israel como Roma e sua afiliadas afirmam erroneamente. Ao contrário, tendo ele sido morto por comum conselho entre judeus e gentios o Pai o ressuscitou “para dar a Israel arrependimento e remissão de pecado,” (Atos 5:31) e isso ocorreu exatamente “conforme a promessa,” pela qual “levantou Elohim Yeshua como Salvador de Israel.” (Atos 13:23)

Assim, judeus, edomitas, romanos e gentios em geral propiciaram o cumprimento das profecias que diziam que ele seria levado como ovelha para o matadouro e que o castigo de nossa paz estaria sobre ele para que pelas suas pisaduras Israel fosse sarado.

“Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Elohim e disseram: Adonay, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há; que pela ruach há kodesh, por boca de nosso pai David, teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma, contra Adonay e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Yeshua , ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse.” Atos 4:24-28.

Não Yeshua não fracassou pelo fato de que nem todos os judeus creram em sua palavra, ou por que 2/3 da humanidade ainda perece em seus pecados adorando deuses segundo sua própria imaginação, prostrando-se diante dos altares da idolatria ou simplesmente negando que exista um Elohim Criador e Rei do Universo. Sim ele estava nesse planeta que com todos os seus homens foram feitos por meio dele, mas não foi conhecido por muitos. No entanto, aqueles que o receberam deu-lhes o poder de ser chamados filhos de Elohim não tendo nascido da vontade da carne (de seus pais), nem pela vontade do sangue (propensão genética para a obediência e nem pela vontade do varão (sua própria vontade), mas de Elohim.

Yeshua tampouco fracassou por que judeus o entregaram aos gentios para ser executado, pelo contrário, ao fazer isso (judeus e gentios) estavam sem o saber propiciando sua própria redenção. Tanto é assim que ao expirar Yeshua diz: “Pai, perdoa-lhes por que não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34) É de se perguntar: que relação mantém com Yeshua aquela parte da Igreja que acredita que por terem enviado Yeshua para ser morto pelos romanos os judeus foram rejeitados quando o próprio Yeshua pediu ao Pai que os perdoasse? Também não deveria nos surpreender que parte dos judeus não aceitassem a Yeshua quando a profecia dizia isso.

“E Shimeon os abençoou, e disse a Miryam, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição, sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.” Lucas 1:34-35.

As pessoas não se dão por conta das implicações de lerem as Escrituras pela agenda de Roma afirmando que hoje já não diferença alguma ser ou não ser judeu. Quando os crentes não atuavam movidos por essa agenda detestável a convicção era outra.

“Porque não me envergonho da bessorat (boas novas), pois é o poder de Elohim a para salvação de todo aquele que crê; primeiro do yehudi (judeu), e também do yevany (grego).” Romanos 8:16.

Por outro lado, antes de terminar esse tópico gostaria de dirigir umas palavras a nossos irmãos judeus, messiânicos ou não. É preciso que se leve em conta que Yah depois de perguntar ao Servo Sofredor se era pouco resgatar as tribos de Yakov o desafiou a pedir os gentios como herança.

Os judeus deveriam saber que esses gentios erguidos das trevas do paganismo, dos tempos em que sacrificavam seus filhos aos demônios para um tempo em que a cidade santa é amada por tantos povos e os profetas de Israel são lidos em 2300 línguas indicam um passado israelita e a presença da semente de Avraham espalhada entre as nações. Via de regra a maioria dos que amam a Israel procedem de Israel, ainda que não o saibam.

 

Sobretudo os judeus deveriam saber que se o nome do homem por cujo meio tantos povos foram transformados e viram uma grande luz brotando de Israel através de seus profetas é Yeshua e graças seu poderoso nome descendentes de Israel e gentios estão deixando para trás o paganismo isso evidencia sua messianidade. Se o mundo hoje se ergue, inclusive para amar e proteger o Estado de Israel é por que a alma adormecida entre aqueles que até então são considerados apenas gentios tem estado a despertar. Sim, Yeshua cumpriu cabalmente sua missão, ergueu povos e mais povos da profundidade do paganismo onde estavam para uma maior proximidade da pureza e da palavra sagrada que declara que Israel é seu povo.

 

Ele veio para remir Yakov, para buscar as ovelhas perdidas da Casa de Israel e não seria o Maschiach se não o fizesse. O desafio aos crentes é descobrir: Somos israelitas ou gentios?  Dezenas de igrejas procuraram responder essa questão à luz das promessas feitas nas Escrituras. A que mais se destacou foi a Igreja de Deus Universal fundada em 1934 por Herbert Armstrong (1892-1986) e que divulgou através de centenas de milhões de cópias de folhetos, livros e revistas periódicas que ingleses e outros povos da Europa do norte descendem das tribos perdidas.

 

Ora, Este grupo via a presença israelita nas nações europeias com ênfase na Inglaterra, daí uma de suas principais doutrinas é chamada de Israelismo Britânico. Armstrong muito contribuiu para que o povo britânico presente na Inglaterra e em suas vastas colônias onde o sol jamais se punha resgatasse a identidade perdida à séculos desde que Israel foi para o exílio e ao mesmo tempo de aproximasse da Torah cumprindo mandamentos tão evidentes como a perpetuidade das festas bíblicas.

 

No entanto havia uma limitação. Outros povos foram quase esquecidos pelo movimento israelita britânico limitando a extensão do êxito do grupo e a necessidade de resgatar a identidade de muitos outros povos. Armstrong parecia ignorar que o Kol Yisrael (todo o Israel) que será salvo se espalha entre todas as nações e procede de todos os povos, noutras palavras, o Kol Yisrael está em todo o mundo e sua busca não pode ser limitada a uma raça, branca, negra ou amarela ou a uma região específica do globo.

 

Apesar disso o movimento teve seu saldo positivo e a partir dele, veio a surgir o Movimento das Duas Casas bem como diversas congregações e ministérios herdeiros que passaram a ver a restauração de um Israel multinacional. Uma dessas herdeiras, a Igreja Cristã de Deus de New Acte, Austrália reformulou a posição concluindo que as tribos perdidas de Israel podem ser encontradas em qualquer parte da terra, entre qualquer povo, independentemente de sua origem e não somente da Grã Bretanha e colônias por ela criadas. 

 

Segundo eles, não raro elas já estavam lá, muito antes dos ingleses as conquistarem, pois as tribos de Israel se espalharam pela terra de todo o mundo. Esse é um ponto que merece nossa atenção, pois de fato foi dito a Avraham que nele seriam benditas todas as nações da terra. Para Wad Cox, fundador da Igreja Cristã de Deus, herdeira do israelismo britânico como atrás foi dito, os sinais da herança abrahamica e de sua abençoada semente devem ser buscados muito além dos povos europeus onde se supõe estar Israel como Inglaterra, França ou Dinamarca.

 

De fato há indicações de que a semente de Israel pode ser encontrada por todos os continentes independentemente da expansão e da presença britânica. Isso não desmerece o fato de que essa presença se fez sentir na Inglaterra ou mesmo em Portugal, ainda que nesse último caso se fale mais de judeus, benjamitas e levitas. Nosso Messias, Bendito seja seu nome desde agora e para sempre indicou claramente a que veio, buscar as ovelhas perdidas da Casa de Israel. Estas ovelhas não estavam de fato unidas ao judaísmo por ocasião de sua vinda, não estavam ligadas ao redil de Israel, antes viviam no mundo sem esperança e sem Elohim. Estavam perdidas em sua identidade, sem Torah, sem santidade. Estas pessoas foram designadas por Yeshua de as outras ovelhas a quem ele viria a buscá-las.

 

"E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, (“reunir”,Biblia Sagrada - Edições Paulinas) e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor." Yochanan 10:16.  

 

Passados apenas alguns anos Yakov Tsadik (Tiago o Justo) iniciou sua epístola dirigindo-se às doze tribos dispersas (Yakov/Tiago 1:1), uma demonstração de que os enviados de Yeshua cumpriram cabalmente sua missão em buscar as ovelhas perdidas. Pouco tempo mais tarde, dando clara evidencia de que estas tribos seriam finalmente localizadas para que cada uma delas aportasse 12.000 de seus filhos para comporem os 144.000, a elite governante de Maschiach, Yochanan os vê reunidos sobre o Monte Tzion. (Apocalipse 7:4-8, 14:1). Não há pois a menor dúvida, as tribos dispersas de Israel voltarão a unir-se a Yehudáh e a Byniamin e o Maschiach governará sobre todas elas dando a seus doze apóstolos a autoridade de exercer o juízo sobre elas.

 

“E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou,
Para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.” Lucas 22:29-30

 

Assim, aguardamos o tempo da reunião dessas tribos pela mão potente do Messias. Que esse dia venha logo. Amén.